Matérias de Setembro.

  A vida é movimento
  O que passou... passou...
  Tudo flui
 

As pontes as benditas pontes ! Sete maneiras de construí-las.

 

Fique atento. As mudanças estão acontecendo.

  Saia do comum e destaque-se na multidão.
  Você não muda? Não tenha medo de crescer.
  Resiliente: o ser humano elástico.
  Livre acesso
  Parmalat tem que indenizar empregado chamado de chimpanzé.
  Guerra psicológica. O assédio moral é tão antigo quanto o próprio trabalho.
  Funcionária apelidada de "gordinha" pelo chefe será indenizada
  Apresentação de "pré datado" antes do combinado gera danos.
  Atraso na entrega de imóvel gera indenização ao proprietário
  Cartão de crédito. Juiz limita a 12% ao ano os juros cobrados pela Itaucard.
  Operadora responde por danos de clonagem de celular.
  Justiça manda farmácia popular dar remédio de graça
   
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Vida é movimento

O indivíduo consciente de sua força  interior sempre quer mais. Seja qual for a posição que você ocupa – um gerente que quer se tornar diretor, um empresário que está crescendo muito ou precisando  sair do vermelho, um colaborador que se sente ameaçado por um programa de demissão etc. -, existe uma força dentro de você que o impulsiona a ir adiante.

Estacionar significa decadência, e repetição é sinônimo de acomodação. A capacidade de evoluir é que torna os seres humanos especiais. Os animais, no auge de seu desempenho, simplesmente repetem. A melhor teia que uma aranha pode fazer, por exemplo, é aquela que toda espécie é capaz. O ser humano, entretanto, pode criar, isso o torna único.

Mudar porém é algo que acontece somente quando assumimos a responsabilidade pelo que somos e queremos. Ninguém pode mudar nada por nós. O poder de nos transformar nos pertence. A autocriação é a habilidade que aproxima o ser humano de Deus. O Criador deu-nos a semente da vida, e nossa função é continuar sua obra.

Mudar é uma tarefa maior do que se imagina: implica superar barreiras, quebrar paradigmas, abandonar crenças, descongelar idéias e posturas cristalizadas. Requer um processo contínuo de revisão dos pensamentos e uma abertura permanente para o novo.

Antigamente, as montadoras, os supermercados e vários outros setores costumavam formar cartéis para fazer acordos. A idéia era ficar em casa esperando a tempestade ir embora e aguardar o momento de sol voltar a brilhar.

Então, saíam às ruas de novo. Esse era um tempo em que nossa economia era superprotegida e os grandes acordos transformavam as situações de emergência em oportunidades de enormes ganhos. As empresas, em vez de baixar preços, diminuíam a produção, aumentavam o preço e ganhavam uma margem de lucro muito maior.

Além da força interior que nos impulsiona, nossa escolha pela mudança é fundamental para acompanhar a evolução do universo. As pessoas falam das mudanças do mundo atual, mas não é só a economia que muda, o próprio universo se transforma a cada momento, ele traz em si a dinâmica que gera o movimento dos planetas, o ciclo dos dias, o fluxo das nuvens e das águas, o ritmo da vida de cada planta ou animal. Mudar faz parte da própria vida.

As rápidas transformações do mundo atual exigem também mudanças velozes para enfrentar os novos  desafios que surgem. Mudar é também  o verbo da realização. Um verdadeiro campeão sempre aproveita os períodos de incerteza para compreender quais esse verbo proporciona.

Estar aberto para evoluir permanentemente é fundamental para sua carreira. Não deixe que sua vida profissional seja decidida pelo destino. Faça um planejamento consciente para enfrentar os tempos difíceis.

Roberto Shinyashiki é conferencista e escritor. Fonte: www.shinyashiki.com.br


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O que passou, passou...

Certamente não há ninguém que olhe para trás de vez em quando e, ao se lembrar de acontecimentos passados, fique impassível, sem algum forte sentimento. Há pelo menos três categorias de lembrança: as ruins, que gostaríamos de esquecer; as boas, que gostamos de lembrar; e as mal resolvidas (como as oportunidades perdidas, por exemplo), que insistem em martelar nossa cabeça. Especialmente para as ruins e para as mal resolvidas, que volta e meia nos atormentam, costumamos nos autoconsolar, afirmando que não se pode mudar o passado e não adianta chorar sobre o leite derramado. Queremos acreditar que o que passou, passou e nada podemos fazer para modificar os fatos passados. Não é verdade.

Se a mente fosse uma casa, o porão seria o sítio das memórias. Um lugar empoeirado, cheio de objetos envelhecidos, caixas, álbuns de fotografias, revistas velhas, letras de música. Ali estão também arquivos com gavetas e pastas suspensas. Alguns esquecidos, quase apagados, que quase nunca abrimos, e outros mais novos, que ainda são consultados com alguma regularidade. E há, é claro, aquela parte sombria do porão, aquela região menos iluminada que, só de pensar, já dá frio na espinha. O que existe nessa área você não lembra bem, faz tanto tempo que não vai até lá que é preferível fingir que nunca existiu. Enquanto isso, a sujeira por ali vai se acumulando.

Outras pessoas, com outros porões, são desorganizadas de uma outra forma. Existem aquelas em que não há nada catalogado ou encaixotado, as lembranças estão espalhadas pelo chão. O dono desse tipo de casa não permite que as memórias sejam guardadas, mas também não se dedica a escrever novas histórias. Ao contrário do primeiro porão, o local está claro, e a bagunça, bem mais visível.

Mas qual é a melhor maneira de organizar o que passou para seguir em frente? Encaixotar e jogar em um canto escondido não parece ser a melhor saída, e deixar as lembranças tão presentes que sufocam, muito menos. Há que se achar o equilíbrio, afinal, o que passou, passou... mas importa. Então vamos à faxina!

1. Rever os arquivos

Consultar os “porões da memória” e relembrar aquelas coisas não tão agradáveis pode ser uma prática necessária. Essencial, até. Mas para que remexer nesses troços velhos e desagradáveis? Segundo Sigmund Freud, o pai da psicanálise, a mente é como um iceberg que flutua na superfície de um oceano. Só vemos a ponta acima da água, mas embaixo está a região que contém pensamentos, desejos, sentimentos e lembranças para os quais não estamos conscientes. Por isso, a essa região submersa ele deu o nome de “inconsciente”. E era exatamente isso que mais interessava ao médico vienense, essa massa de paixões e pensamentos invisíveis, que ele acreditava estarem reprimidos ou bloqueados

pela dor que causaria admiti-los. Freud percebeu que somos fortemente influenciados por esse inconsciente, muito mais que pelos pensamentos que dominamos de forma consciente.

Não tem outro jeito. Vamos ter que mexer nos arquivos, pois o que passou, muitas vezes não passou totalmente. Com os escaninhos limpos, aí sim passou, e nós vamos em frente em busca de novas experiências, vivendo a vida real, a liberdade do momento presente, e não um passado que aprisiona.

Para que o paciente mergulhasse até o fundo desses anseios escondidos, Freud passou a usar a técnica da associação livre, em que o paciente relaxava e, provocado pelo médico, dizia qualquer coisa que lhe aflorasse à mente, por mais trivial ou embaraçosa que pudesse parecer. Ele acreditava que esse método produzia uma corrente de pensamentos que botava o paciente em contato com seu inconsciente, recuperando e liberando lembranças dolorosas, geralmente da infância. Freud chamou sua técnica de psicanálise.

A importância de reviver essas experiências é a enorme influência que elas exercem em nossas vidas. Para o estudioso, esses “impulsos desconhecidos” se expressam de forma disfarçada em nossas escolhas pessoais, nossas convicções e nossos hábitos e até provocando comportamentos que prejudicam a outros e a nós mesmos. Por isso, para deixar um fato mal resolvido para trás é preciso, primeiramente, reviver esse fato e entender seu impacto. Senão, parece que o que passou não passou tanto assim. 

2. Limpar os arquivos

Diferentes acontecimentos têm impactos diferentes sobre pessoas diferentes. Fatos que parecem insignificantes, como uma piada da turma do colégio ou um comentário aparentemente inofensivo da mãe ou do pai, podem magoar profundamente uma pessoa, mudar sua maneira de pensar ou de ver a vida. Todos passamos por situações que nos marcaram e que terminaram por gerar os famosos “traumas”, aquelas excitações fortes o bastante para romper a barreira de nosso escudo psicológico protetor. Coisas que ficam guardadas no porão, mas fazendo barulho.

Por exemplo, a perda de uma pessoa querida freqüentemente transforma-se em um trauma. Para a psicologia, o luto é um dos processos mais complicados para a mente humana. Primeiro, pelo afastamento definitivo de alguém que amamos. Segundo, porque nos lembra da nossa única e tenebrosa certeza: somos mortais e um dia também iremos morrer. O ser humano busca, durante o curso de sua vida, inúmeras maneiras de esquecer essa fatal realidade. O luto gera uma série de sentimentos ruins, pois, além da saudade e da melancolia, pode existir a culpa. De certa maneira, nos sentimos responsáveis pela morte, principalmente se não fizemos tudo o que era possível para aquela pessoa, se não dissemos tudo aquilo que queríamos ou se não a tratamos excepcionalmente bem.

A notícia boa é que uma experiência ruim nem sempre é transformada em trauma. Depende da estrutura mental e de como processamos o fato. A lucidez mantida durante uma situação traumática coloca essa lembrança no arquivo correto e impede que ele faça barulho mais tarde. A outra alternativa é recordar o fato com lucidez e colocar a casa em ordem. Nesse caso, o que passou poderá realmente ter passado.

3. Guardar os arquivos

Então tem jeito? Situações mal resolvidas no passado podem não ser fantasmas para sempre? É claro que tem jeito. Se faltou atitude positiva na época, ela pode ocorrer agora, especialmente tratando de redirecionar a energia para o presente, impedindo seu acúmulo no passado. “Quem vive de passado é museu”, dizia um amigo irreverente, mas pragmático.

Até as lembranças favoráveis devem ser tratadas com o devido cuidado. As conquistas e os objetivos que atingimos são importantes para gerar motivação – afinal, “se eu já consegui, posso conseguir de novo”. Com certeza as vitórias contribuíram para sua auto-estima e para seu desenvolvimento pessoal, mas veja bem: você não pode ser impulsionado só pelo passado. “Águas passadas não movem moinhos”, lembra-se?

Às vezes é difícil se libertar dos tempos bons e recomeçar. E que atire a primeira pedra quem nunca sentiu aquela velha e boa nostalgia ao concluir uma etapa da vida. Quem nunca suspirou: “Ah, no tempo da faculdade é que eu era feliz”? Ou então: “Quando eu era criança é que era bom”. Recordar, ter memórias, um vínculo histórico, é essencial para o equilíbrio, mas o que não é sadio é se tornar um “estacionado no passado”, alguém que não assume responsabilidades nunca, querendo permanecer na tranqüilidade da infância ou fugindo do comprometimento e da responsabilidade de maneira anacrônica, com medo de tirar o pé dos maravilhosos anos da juventude.

O que acontece é que, de repente, a pessoa percebe que não está acompanhando o curso natural das coisas. Ficou para trás, enquanto os amigos e colegas já estão encaminhados, prontos para uma nova etapa. A frustração de não ter evoluído, por estar perdido em um tempo que já tinha passado, pode levar a uma contínua estagnação e mais perda de tempo.

Você não precisa se desfazer completamente das memórias agradáveis, pode guardá-las na parte mais acessível do porão e consultá-las sempre que precisar de uma guinada em sua vida, de uma injeção de ânimo. Mas sempre com a finalidade de permitir que você viva melhor o tempo presente, o único que realmente importa.

Uma das mais belas cenas do cinema da década passada apareceu no filme A Sociedade dos Poetas Mortos, em que Robin Williams interpreta um professor de inglês em um colégio tradicional americano. Em sua primeira aula, ele leva os alunos até a sala dos troféus, onde também estão as fotografias das antigas turmas do colégio – todas pessoas já mortas ou muito velhas. O professor então estimula os alunos a chegarem muito perto das fotos para “escutarem” o que os colegas mais velhos têm a dizer, e então imita uma voz cavernosa, repetindo várias vezes a frase carpe diem, que, em latim, quer dizer “viva o presente”.

Sábio conselho, viver o presente. O passado pode ensinar, mas não pode ser vivido de novo. O futuro pode ser construído, mas só será vivido quando virar presente. Com o passado, fazemos as pazes e, se não o compreendemos bem, pelo menos o aceitamos. Entrar em harmonia com as lembranças, romper as amarras, permitir-se seguir em frente e, principalmente, permitir que o passado se vá – eis o conselho. E, para elucidar, o poema “Eu amo tudo o que foi”, do poeta português Fernando Pessoa:

Eu amo tudo o que foi

Tudo o que já não é

A dor que já não me dói

E o que deixou alegria

Eu amo tudo o que foi

E hoje já é outro dia!

Fonte: www.eugeniomussak.com.br- Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril. Visite o site da Vida Simples: www.revistavidasimples.com.br

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Tudo flui...

Sentimos cada vez mais que nada é permanente. Que o mundo pode mudar de rumo a qualquer instante, e todos os referenciais que tínhamos deixam de existir.

Isso é mais forte quando acontece uma grande catástrofe, como a de Nova York, ou quando alguma economia importante no mundo passa por dificuldades graves, influindo nas demais, como o caso da Argentina.

No entanto, se pararmos para observar nossa vida com mais cuidado, encontraremos uma grande soma de pequenos eventos que também provocam mudanças, não tão profundas, mas rápidas e impiedosas.

Mudamos de trabalho, de endereço, de telefone, de provedor, de amigos, de estado civil, de idéias, de opiniões, de certezas. E, no entanto continuamos os mesmos. Não será uma contradição?

E o mais espantoso é que as mudanças em nossas vidas, no ambiente em que vivemos e no mundo parecem cada vez mais velozes, e de fato são. A única coisa que não muda atualmente é a tendência à mudança.

Há mais de vinte e cinco séculos viveu, na cidade de Éfaso, na costa da Grécia, um filósofo chamado Heráclito. Apesar de ter vivido em uma época em que os fatos não se sucediam com a rapidez de hoje, ele teve duas percepções importantes a respeito desse tema, e, por isso, tem sido cada vez mais citado, como alguém que realmente tinha razão.

A primeira idéia de Heráclito foi a da unidade dos opostos. Segundo ele absolutamente tudo na vida é composto por fenômenos, valores ou tendências totalmente opostas, mas que se complementam.

Uma estrada tem uma subida e uma descida. E continua sendo uma estrada só, e não duas. Se alguém diz que o copo de água está meio vazio, enquanto outro afirma que o copo está meio cheio, estão falando sobre o mesmo copo, e não sobre dois. É o mesmo, mas há opiniões opostas a seu respeito. Essas opiniões não são contraditórias, mas complementares, pois o copo está, na verdade, meio cheio e meio vazio.

O que Heráclito queria dizer com isso é que as contradições são naturais e nem sequer devemos lutar contra elas, e sim aceitá-las. Quando tratamos de eliminar a contradição estamos, em verdade, tentando eliminar a própria realidade.

O que percebemos disso, é que a realidade é, portanto, totalmente instável, pois nela habitam os opostos.

Nada, disso deduzimos, é permanente. Tudo está mudando o tempo todo.

Daí nasce a segunda observação de Heráclito: “tudo flui”.

Segundo ele, você “não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”, pois, na segunda vez, ele já não será o mesmo, uma vez que aquela água já se foi, e esta é outra.

Heráclito estava certo. Temos que estar preparados para conviver com os opostos e para adaptarmo-nos a novas realidades.

Algumas pessoas têm incrível dificuldade para lidar com essas duas situações, e pagam um preço alto por causa disso. O correto é exercitarmos, permanentemente, nossa capacidade de percepção, que é a primeira das virtudes. A percepção permite a compreensão e a adaptação.

Compreender o valor da opinião contrária, e aprender com ela. Aceitar a ambigüidade do mundo, e decidir pela alternativa que parece ser a mais certa para aquele momento. Porque em outro momento a opinião pode mudar. A não aceitação dessa realidade provoca paralisação.

Há uma diferença entre “dualidade” e “impasse”. Os opostos de Heráclito compõem dualidade. Dia e noite. Vida e morte. Homem e mulher. Inverno e verão. A dualidade pressupõe o uso do “e”. O impasse vale-se do “ou”. Viveremos tão melhor quanto mais aceitarmos o “e”, que pressupõe acréscimo, não divisão.

E aí veremos que “tudo flui” na direção certa. E como diz aquela música que tanto ouvimos e apreciamos: “nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará...”.

Fonte: www.eugeniomussak.com.br

Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril. Visite o site da Vida Simples: www.revistavidasimples.com.br

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As pontes... as benditas pontes!

Sete maneiras de construí-las...

Quando escrevi ‘Síndrome da Solidão’, há algumas semanas, sugeri: ... Precisamos aprender a construir pontes. Pontes que nos levem até onde desejamos chegar, especialmente do outro lado de nós mesmos. ... Não temos as pontes, as benditas pontes. Caramba! Nem tentamos construí-las. ...

E para minha surpresa, descobri que não fui suficiente. Não fui mesmo. Vocês todos que me escreveram têm razão! Fico muito feliz por saber que meu artigo não é lido apenas como um texto ‘bonitinho’, mas como um conjunto de palavras que tem de servir para algo prático, transformador!

Muito bem. É exatamente este o meu desejo quando dedico algumas horas de minha semana para ‘cumprir minha missão’, como costumo encarar esta tarefa. Então, considerei fantástica a pergunta de meus leitores: ‘mas como construir as pontes?!?’

Durante todos esses dias, toda vez que estava indo para ou vindo de algum lugar, enquanto dirigia, aproveitava para mergulhar neste questionamento. Foi um exercício incrível e muito proveitoso. E eu falava para mim mesma: ‘ok, Rosana... e agora? Como construir as pontes?!? Quero respostas claras, que remetam cada leitor a uma transformação de fato. Desta vez, nada de reflexões. Agora você precisa de know-how e não de apenas sugestões!’

Então, pensei: ‘nada mais óbvio – precisamos de atitude para construir o que quer que seja. A ordem é uma só: mãos à obra!’ É isso. Construir é verbo de ação. Exige trabalho, planejamento e disposição. Mas logo me lembrei de que não fomos ensinados a enxergar os sentimentos como resultado de nossas atitudes. Insistimos em acreditar que sentimentos são como ‘mágica’, que não temos nenhum controle sobre eles.

Contudo, enquanto acreditarmos nisso, nada poderemos construir, porque apostaremos que construído está... por obra do destino, sem que nada possamos fazer para chegar do outro lado do abismo... aquele abismo que nos separa de nós mesmos e nos aprisiona na margem da solidão...

Então, antes de levantarmos da cadeira e arregaçarmos as mangas para, enfim, construirmos as benditas pontes, precisamos acreditar que podemos realmente construí-las. Para isso, vou arriscar uma analogia. Em princípio, todos nós deveríamos ter todos os órgãos de nosso corpo funcionando perfeitamente. No entanto, por conta de más formações, maus hábitos, má alimentação ou quaisquer outros motivos, adoecemos. Diante da doença, sentimos dor. Motivados pelo desejo de não mais sentirmos dor, procuramos um médico.

Exames feitos, resultados em mãos, diagnóstico conhecido, pegamos a tão esperada receita de como nos livrarmos da dor. Passamos na farmácia, compramos o danado do remédio e o tomamos conforme as recomendações médicas. Se nos sobrar disciplina, retornamos ao médico no final do tratamento para verificar se está tudo ok com o órgão adoecido e causador de toda esta seqüência de atitudes. Estou certa?!? Você já passou por isso?!? Creio que sim!

Pois bem, o que quero dizer é que, incomodados por uma dor física, nos apressamos em construir a ponte que for necessária para nos sentirmos curados. Marcamos consulta. Comparecemos em dia, hora e local marcados. Seguimos as instruções médicas e só relaxamos quando, enfim, a dor vai embora.

Porém, quando a dor é na alma, quando o incômodo afeta o coração (não o órgão, mas aquele que metaforicamente definimos como a casa de nossos sentimentos), continuamos agindo exatamente como se nada precisássemos fazer. Pensamos: ‘se a dor veio, ela vai embora. É assim e pronto’. Nos limitamos a reclamar, chorar, brigar com alguém que acreditemos ser o responsável por ela e... só!

Assim, vão se instalando dores que cavam abismos, que abrem buracos dentro da gente, fazendo com que fiquemos de um lado da margem sem saber como atravessar. Abismos que nos separam de nós mesmos, colocando-nos num lugar onde temos como velhas companheiras a Sô e a Sá... Não as conhece?!? Conhece sim!!! São elas a Solidão e a Saudade. Mas tem também o medo, a raiva, a ansiedade, o ciúmes, a falta de coragem para amar e se deixar ser amado...

Eis o grande momento da escolha. Ficar aí, deste lado da margem, sentado na beirada e lamentando por não saber como chegar do outro lado... ou... construir as pontes. Talvez agora você argumente: ‘mas não sou arquiteto, nem engenheiro civil, nem tampouco pedreiro. Não sei construir pontes’.

E eu lhe diria que mesmo que fosse, não é desse tipo de conhecimento que você precisa. Você precisa querer. Querer de verdade passar para o outro lado, o de dentro, daquele em que você realmente mora. Onde estão todos os mapas dos quais você precisa para chegar onde quiser, para encontrar quem quiser.

E aí voltamos à pergunta principal: como?!? Muito bem! Tomando atitudes. Sem atitudes nenhuma ponte poderá ser construída. Contar suas dores não basta. Chorar não basta. Sentir-se só e sem saber o que fazer para conseguir criar laços não basta. Tudo isso é sintoma e reação sintomática, mas não é atitude. Não constrói. Não muda. Não leva você desta margem até a outra. Não faz com que você chegue ao caminho de dentro.

Quais atitudes?!? Existem várias e tudo depende do tamanho e da profundidade do seu abismo. Requer um mínimo de autopercepção, mas ainda assim vou apontar aqui atitudes das mais simples às mais complexas. Adeque a construção de sua ponte de acordo com a dimensão do seu abismo.

1.          Leia livros que possam quebrar seus paradigmas e abrir a sua mente para caminhos que até então você não havia conseguido enxergar. Existem muitos bons livros. Basta entrar numa grande livraria e procurar, ou aceitar indicação de amigos. Mas olha... não basta comprar. Tem de ler. Tem de praticar. Atitude!!!

2.          Faça cursos ou assista palestras de profissionais que abordem temas referentes a dor que aumenta o seu abismo. Através da sabedoria alheia você também pode descobrir ferramentas internas que lhe possibilitem a construção de sua ponte. Mas olha... não basta ouvir. Tem de colocar em prática o que aprendeu. Atitude!!!

3.          Ofereça-se para um trabalho voluntário. Ajudar a quem precisa faz você descobrir uma capacidade de amar e ser amado que até então desconhecia, pode apostar! Participar de pastorais da saúde, em igrejas. Distribuir sopa para moradores de rua. Divertir crianças num orfanato. Ensinar um esporte para crianças carentes. Contar história ou simplesmente ouvir pessoas idosas num asilo. Escolhas que podem transformar a sua vida de maneira inacreditável... Mas olha... não basta fazer isso e depois achar que existem dois mundos ou “dois você”. Transfira para sua rotina diária todo sentimento bom que puder apreender enquanto pratica amor incondicional. Atitude!!!

4.          Movimente-se. Coloque ação em sua vida. Saia da monotonia. De que maneira?!? Escolha a que melhor lhe pareça: ioga, natação, ciclismo, dançar com os amigos, cinema, uma viagem, meditação, florais, massagem, reiki, dieta, reeducação alimentar, voltar a estudar... Muitas vezes, quando não conseguimos alcançar diretamente a alma para começar a construção, o corpo pode ser o veículo mais eficiente para nos levar até ela e nos impulsionar às atitudes. Decida-se pelo melhor jeito de construir a sua ponte. Mas faça algo, pelo amor de Deus. Atitude!!!

5.          Comece uma psicoterapia. Peça indicação de profissionais confiáveis para amigos. Procure um profissional com o qual você se identifique. Se não gostar do primeiro, tente outro. Não desista logo de cara, porque começar um processo terapêutico é, muitas vezes, extremamente doloroso, pois nos tira da cômoda posição de ‘vítimas’ e nos coloca na eficiente posição de ‘responsáveis’. Eu indico! Mas olha... não basta falar, falar e falar... é preciso realmente se abrir para ouvir verdades sobre você, por mais horríveis que elas lhe pareçam. Só assim o processo de construção da ponte será possível. Atitude!!!

6.          Alimente sua espiritualidade. Não importa qual seja a sua crença, mas tenha uma que lhe devolva a sensação de proteção, de algo maior, de missão de vida. A fé é capaz de promover mudanças enormes na vida de uma pessoa. Vá à igreja, ao templo, ao salão, à sinagoga, ao centro, ao culto ou simplesmente contemplar o nascer ou pôr-do-sol... e encontre a grandeza da Criação. Ter um motivo nobre para estar aqui pode se transformar numa ponte perfeita para a sua travessia. Além disso, agradeça, agradeça e agradeça. Você pode até não saber – ainda – pelo que está agradecendo, mas esteja certo de que motivos não lhe faltam. Aos poucos, você irá descobri-los, um a um. Claro que, para isso, precisa tomar atitudes!!!

7.          Consulte um psiquiatra. Está sentindo-se sem forças para qualquer uma das alternativas anteriores. Só tem vontade de dormir, chorar ou ficar sozinho?!? Ou sente-se estressado e ocupado demais com as tarefas rotineiras, sem conseguir abrir espaço para si mesmo em sua própria vida? Então, procure um médico que possa lhe explicar o que está acontecendo com seus níveis hormonais. Nosso prazer e vontade de viver são motivados também por substâncias químicas chamadas de neurotransmissores, tais como endorfina e serotonina. Se você está depressivo, um psiquiatra poderá identificar o nível desta depressão e receitar medicamentos adequados para que seu corpo produza níveis equilibrados desses neurotransmissores. Mas olha... não basta ir ao médico, tomar o remédio por duas semanas, melhorar um pouquinho e abandonar o tratamento. A depressão volta pior quando não é tratada direitinho. Atitude!!!

Não pretendia me estender tanto. Mas também não poderia falar de construções, pontes e transformações de forma superficial. Espero ter conseguido motivá-lo, mesmo sabendo que você ainda pode ter outras maneiras de chegar onde tanto deseja.

Certamente não escrevi nada de novo. Mas as soluções são mais óbvias do que supomos, na grande maioria das vezes. Não é de fórmulas mágicas que precisamos, mas de um passo depois do outro.

No mais, desejo-lhe apenas coragem, para que possa tomar a atitude mais pertinente e, enfim, construir a sua ponte e fazer a sua travessia.

Fonte:Rosana Braga jornalista, escritora e consultora em relacionamentos afetivos.-rosanabraga@rosanabraga.com.br- www.rosanabraga.com.br


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Fique atento!

As mudanças estão acontecendo...

Ser competente e talentoso não adianta nada, se não for veloz, flexível e criativo. O profissional disputado pelas maiores e melhores organizações é aquele capaz de reverter emoções e até o estresse Por Roberto Shinyashiki

As palavras do século XXI são velocidade e realização. Isso mesmo. A capacidade de pensar e executar que fará de você um profissional imperdível para a empresa. Lembra-se de quando tinha dois dias para finalizar uma tarefa e estratégias prontas, modelos perfeitos que se encaixavam em todas as situações? Esqueça, esse tempo não existe mais. Hoje, a criatividade é essencial para qualquer pessoa que pretenda o sucesso. Se você ainda pensa que nada mudou, cuidado, poderá ser atropelado a qualquer momento pelos novos profissionais.

Ser competente e talentoso não adianta nada, se não for veloz, flexível e criativo. O profissional disputado pelas maiores e melhores organizações é aquele capaz de reverter emoções e até o estresse, em produção. A capacidade de conquistar resultados para a empresa fará de você essencial.

Hoje vivemos o avanço da tecnologia, o surgimento da internet e a incrível transformação de todo o processo de comunicação. A conseqüência? Uma quantidade enorme de produtos muito parecidos e a preocupação cada vez maior em agradar o cliente.

Isso só é possível se você o conhece e sabe do que necessita. A capacidade de encantá-lo trará lucros para a organização e felicidade para todos. Perceber essas minúcias e partir para a ação é a grande virtude do novo profissional. Provavelmente a estratégia que usa hoje, estará obsoleta daqui a dois minutos, é preciso mudar de acordo com o vento, do contrário, cairá do barco.

Vendo o filme Blade Runner, talvez tenha pensado que não chegaríamos nunca aquele estágio. É claro, ainda não estamos vendo carros voando por aí, mas o timing desse milênio é o mesmo. Para vencer temos que ser velozes, antecipar os fatos, criar novos rumos, apresentar novidades, seduzir o cliente.

Devemos oferecer serviços personalizados, você tem que vender para o seu cliente como se ele fosse o único, o primeiro e o mais querido. Antes que peça uma blusa sem mangas, ao invés da de manga comprida, você tem que sugerir. Lembre-se: o profissional-campeão é aquele apto a executar com prazer cada tarefa com a rapidez da luz.

Roberto Shinyashiki é conferencista e escritor. Fonte: www.shinyashiki.com.br


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Saia do comum e

destaque-se na multidão:

Ser competente, hoje, é saber aliar o conhecimento técnico com a habilidade de transformar esse conhecimento. Isso é atitude.

Se você já ouviu que o profissional tem de fugir do lugar-comum e buscar um diferencial para o mercado de trabalho, é isso mesmo. Mas se acredita que conquistar a diferenciação é só adquirir conhecimento e experiência, a história não é bem essa.

A vantagem competitiva é muito mais uma questão de atitude.Ou seja, é preciso fazer acontecer.

Ser competente, hoje, é saber aliar o conhecimento técnico com a habilidade de transformar esse conhecimento. Isso é atitude. Não basta, por exemplo, ter um curso que tantos outros colegas da sua área podem ter se não há iniciativa.

Atualmente, o profissional que se destaca é aquele que sempre tenta buscar uma solução diferenciada. E para que isso ocorra, é preciso ter paixão pelo que faz, nunca descartar as oportunidades e estar sempre disposto a trocar informações – seja por meio de revistas especializadas, seminários, workshops, cursos ou bate-papo com os colegas e amigos.

Mais uma vez: o profissional diferenciado faz acontecer. Ele busca algo a mais no que faz, sai do comum e se destaca na multidão. Vida de regra, tem uma visão generalista da empresa e do seu trabalho, mas é um especialista no que faz. Ou seja, é um multiespecialista.

Há também alguns requisitos que são básicos e vão variar de acordo com a área, o posto exercido e onde se quer chegar. O conhecimento de inglês, por exemplo, pode ser essencial para a secretária de uma empresa multinacional, mas apenas um diferencial para a vendedora. Daí a importância de saber o que quer da carreira, gostar do que faz e conhecer muito bem suas habilidades e suas deficiências. Isso facilita traçar estratégias para mudanças e se tornar um profissional que toda excelente empresa quer ter e reconhecer no time.

Veja as características e habilidades mais fortes de um profissional que se diferencia na multidão:
- Facilidade de relacionamento
- Capacidade de trabalhar em equipe e gostar de pessoas
- Autonomia para resolver problemas
- Espírito de liderança
- Perfil empreendedor
- Gostar de desafios e inovar sempre
- Controle emocional
- Elevado nível de autoconhecimento
- Disposição para melhorar sempre
- Visão e foco nos seus objetivos

Surama Jurdi é conferencista, empresária e pesquisadora no campo das emoções e comportamento humano. Fonte: www.shinyashiki.com.br

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Você não muda?:

Não tenha medo de crescer

Ouvi há pouco tempo a frase “você não muda nunca?”, que abalou profundamente algumas de minhas convicções sobre mudanças, mas que me ajudou a entender  e desvendar muitos novos ângulos dos processos de mudanças nas pessoas, equipes e coletividade.
 
Mudar é difícil para a maioria das pessoas. É muito fácil acharmos causas externas para as dificuldades e resistências a mudar. Ora a culpa é do chefe ou da empresa, ora é da esposa ou marido, da TV, da situação econômica, do governo. Somos campeões em indicar o receituário da mudança para os outros e podemos até apresentar uma lista com as prioridades para os outros. Já quanto a nós mudarmos algo nosso...
 
Algumas reflexões sobre as mudanças:

  • As mudanças devem ser éticas e contribuir para o bem comum: ao considerar uma mudança, é sempre adequado se perguntar se ela é justa, se contribui para os resultados, se contribui para as pessoas e se contribui para a inovação. Se a proposta passar por esses crivos, vale a pena investir nela.
  • As mudanças vêm rápidas, profundas e radicais (até a raiz): reforçar a nossa competência de lidar bem com mudanças é crítico, essencial para nossa sobrevivência nos tempos de transição.
  • Mudanças doem, mas energizam: a mudança ocorre entre duas polaridades, o antigo e o novo. O antigo precisa ser deixado (e isso dói) e o novo é algo a ser ainda alcançado (a visão do futuro é altamente energizadora).
  • Mudanças exigem de nós muita flexibilidade: durante as mudanças o velho e o novo convivem, o que cria confusão, instabilidades, novas prioridades, desestruturação. Quem já fez uma reforma em sua casa morando dentro dela sabe o que é isso. O estado de transição entre o velho que está indo embora e o novo que ainda não chegou costuma ser bastante perturbador. Nestes momentos a serenidade e a paciência são virtudes a serem cultivadas.
  • Mudar exige investimentos de tempo, dinheiro e energia: mudar é um processo que precisa ser administrado, que envolve o ser na sua inteireza - o pensar, o sentir e o agir. Pensar costuma ser rápido, mas lidar com os aspectos emocionais da mudança (sentir), confrontar-se com os medos, as incertezas, os riscos, os apegos e transformá-los em coragem, certeza, força, desapego, leva seu tempo. E só depois do sentir é que conseguimos agir plenamente.
  • Mudar exige abandono, exige entrar no novo: talvez a parte mais difícil da mudança é identificar os padrões que nos regiam até agora, abençoar esses referenciais velhos pelo que trouxeram de aprendizado, despedir-se deles, deixá-los... e confiantemente ingressar no novo. Se quiser colocar água num balde, é preciso que ele esteja vazio. Não consigo adicionar nada a um balde cheio. O desafio nas mudanças é se desapegar do velho.
  • O sucesso das mudanças é ampliado quando temos uma visão clara do que queremos alcançar: objetivos difusos, genéricos e nebulosos tais como “eu preciso cuidar melhor de minha saúde” ou “quero mais qualidade de vida” ou ainda “quero ser um líder mais equilibrado” são um passo importante, mas por si mesmos contribuem para que as mudanças efetivamente se concretizem. Eles são o nosso sonho, é ótimo que existam, mas não podemos parar por aí, é preciso ter metas específicas, claras e com datas. Estabelecer etapas intermediárias com marcos bem definidos nos dá indicações claras sobre o progresso alcançado.
  • No caminho das mudanças existem pedras: algumas pequenas, outras pontiagudas, outras enormes obstruindo o caminho. Esses obstáculos ao novo com certeza surgirão, e nem sempre o planejamento conseguirá prever inteiramente a dimensão das dificuldades do caminho. Lidar com essas adversidades, não desistir, superar, persistir, fazer eventuais retiradas estratégicas para depois voltar reforçado são algumas das estratégias possíveis. Os tipos humanos rei – guerreiro – mago – amante reagem de forma diferente às “pedras”. Saber das potencialidades e das dificuldades do nosso perfil de atuação nos ajudar a superar os obstáculos. O livro Relacionamentos detalha esses tipos. 
  • Nem todos vão gostar de ver você mudar. Mas outros vão: toda mudança altera os relacionamentos existentes. Quando surgem mudanças ocorrem modificações que serão percebidas como positivas ou negativas pelos que serão influenciados pela nossa forma de ser e de agir. Mostrar a todos a visão de futuro, mostrar que uma perda no curto prazo pode ser o grande ganho no médio prazo é uma possibilidade que atenua as resistências e contribui para obter apoios.
  • Mudar exige coragem: deixar o velho e entrar no novo em geral dá medo, e a qualidade da coragem é necessária para enfrentar esses desafios.
  • Depois de uma mudança vêm outras: é ilusório esperar calma, sossego e tranqüilidade após uma mudança bem-sucedida. Muito provavelmente outras mudanças se seguirão, às vezes até superpostas, geralmente mais cedo e mais intensamente do que esperávamos e gostaríamos.
  • Progressos nas mudanças pedem por celebrações: mudanças bem-sucedidas devem ser devidamente celebradas, criando com isso a força para os próximos passos. Este item é especialmente importante para sucessos nas equipes.
  • É preciso exercitar-se para as mudanças: a forma com que reagimos às mudanças se liga diretamente a nossa “musculação emocional”. Existem muitos exercícios que nos mostram o quanto somos apegados ao que existe, o quanto cristalizamos para nós mesmos as “trilhas mentais” (respostas automáticas) e o quanto podemos fazer a este respeito. Com pequenos passos nos preparamos para caminhadas maiores.
  • Existem recursos para apoiar as mudanças: um equívoco comum é querer enfrentar as mudanças sozinho, “a sangue frio”, principalmente quando as mudanças são grandes, em “overdose”. Existem consultores, terapeutas, workshops, palestras e leituras que nos ajudam a transformar as crises em oportunidades. 


Gustavo G. Boog é diretor da Boog & Associados, terapeuta organizacional e autor de diversos livros sobre gerência e desenvolvimento pessoal – info@boog.com.br - www.boog.com.br

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Resiliente: o ser humano elástico

Resiliência, segundo o dicionário Aurélio, é "a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de tal deformação elástica". Muito bem, mas o que são os seres humanos "resilientes"? Como são essas pessoas e qual é a importância desse talento no diferencial competitivo de um profissional?

Para mim, é algo parecido com a capacidade que temos de voltar aos batimentos cardíacos normais depois de um esforço físico concentrado. Significa, por outro lado, termos a consciência de que, no exercício das nossas atividades, sempre viveremos situações "elásticas", ou seja, de alto esforço armazenado e empregado em dados momentos vitais.

Como elásticos, o talento resiliente nos dá excelente capacidade de irmos aos extremos da ruptura e de retornarmos ao nosso eixo quando é suspensa a "tensão causadora". Em outras palavras, não ficamos eternamente deformados, e, melhor ainda, não rompemos facilmente. Esticamos, mudamos, nos deformamos, porém, retornamos ao nosso ser essencial...

Para um profissional, em qualquer área de atuação onde o imprevisto, as falhas locais e as alterações comportamentais humanas podem provocar o êxito ou o fracasso de um acontecimento, a resiliência é um atributo fundamental. Ao mesmo tempo, um profissional que precisa atuar ligado fortemente ao seu entorno deve operar com intensa empatia nas cargas humanas para não perder a "temperatura" ou se ausentar da atmosfera existente. E, por outro lado, deve manter sempre o domínio racional do seu papel para a tomada competente de decisões. Estica no calor das emoções, porém evita tomar decisões "deformadas".

Em qualquer processo de liderança, o talento resiliente é essencial para pensarmos e repensarmos os rumos dos projetos, caminhando em linha com os acontecimentos, ou melhor, "esticando-se" para eles.

Na minha particular experiência de vida, onde fui submetido a uma fortíssima deformação física, por uma queimadura na face quando criança, exercitei o significado da resiliência na "própria pele". Se a deformação causada tomasse a forma final da minha vida, eu tomaria decisões em estado alterado e teria um resultado completamente doentio. Ao ir ao fundo desse "esticamento" e retornar para a minha essência, consegui aprender com ela, incorporar reflexões e dominar procedimentos a partir do meu legítimo eu, a verdade interior, ou um conjunto dessas verdades.

No trabalho, a resiliência foi da mesma forma sagrada, nas situações mais tensas e conflituosas. Como executivo e dirigente de empresas pude constatar que a resiliência empresta um talento diferencial e competitivo. Compreender opostos, negociar pontos de vista distintos, tratar objeções, obstáculos. Operar em situações ambientais desfavoráveis, como novos países, culturas, costumes, valores, negócios em ascensão ou em decadência, concorrentes, utilizar a matéria prima disponível para alterar resultados e criar soluções. Isso tudo poderia estar compreendido dentro desse talento "resiliente".

Somos elásticos, deformamos, alteramos, porém preservamos sempre a capacidade de retorno ao estado original. A resiliência é uma força decisiva do princípio evolutivo do ser humano e é fator fundamental da nossa sobrevivência sob condições fora da normalidade. O Universo é normal? O universo conhecido é resiliente, na ordem ou no caos. O ser humano elástico é o mais preparado para competir e ser feliz no mundo contemporâneo.

José Luiz Tejon é diretor da Oesp Mídia, autor de O vôo do Cisne (Editora Gente), mestre em Educação, Artes e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Fonte: Fonte: www.shinyashiki.com.br

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Livre acesso.

Hotéis não podem proibir a entrada de garotas de programa se não há qualquer obstáculo para que outras pessoas freqüentem seu bar, sob pena de caracterizar discriminação.

Hotéis não podem proibir a entrada de garotas de programa se não há qualquer obstáculo para que outras pessoas freqüentem seu bar. “A restrição tão-somente da classe das prostitutas consistiria em verdadeira discriminação, vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro, pautado que é nos ditames da igualdade e na promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (artigo 5º, caput, e 3º, IV, da CF)”.

A decisão é do juiz Sandoval Gomes de Oliveira, da 5ª Vara Cível de Brasília, e foi mantida por unanimidade pela 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

O Edifício Bonaparte Hotel Residence entrou com ação pedindo o fechamento do Bonaparte Bar e Café, que funciona em suas dependências. Também pediu indenização por perdas e danos — em razão da reclamação dos hóspedes em relação ao barulho e presença de prostitutas no local.

Segundo o processo, o hotel alugou o bar que, a partir de 2000, passou a ser ponto de encontro de garotas de programa com a finalidade de atrair e aumentar a clientela. Para o Hotel Bonaparte, a presença das prostitutas no local incomoda os hóspedes, já que o som ambiente foi substituído por música acima do nível permitido. Diz que as garotas de programas atraem problemas de marginalidade, o que tem ocasionado registros de reclamação por parte dos moradores e hóspedes.

De acordo com o processo, os fatos ocasionaram a desvalorização dos flats no mercado e afetaram negativamente a imagem do condomínio no mercado hoteleiro nacional.

Os locatários do bar contestaram as alegações. Afirmaram que estão cumprindo a convenção e o regulamento interno do condomínio, que permitem a utilização do bar pelos hóspedes e pelo público externo. Relataram também que o próprio hotel admite o acesso de quem não está hospedado.

O juiz Sandoval Gomes de Oliveira afirmou a presença de garotas de programa no bar e arredores do hotel não é de responsabilidade do bar, já que a própria norma do estabelecimento permite a circulação do público externo.

Segundo o juiz, não há nenhum indício de aliciamento ou recrutamento de garotas de programa por parte dos réus. O magistrado ressaltou que o próprio setor em que se situa o condomínio é, tradicionalmente, ponto de mercado sexual.

Processo 2003.01.10206313- Fonte: Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2005- www.conjur.com.br

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Parmalat

tem de indenizar empregado

chamado de chipanzé

O uso apelidos pejorativos no local de trabalho sujeita o empregador ao pagamento de indenização .

A indústria de alimentos Parmalat Brasil S.A. foi condenada a indenizar um empregado que foi alvo de racismo no trabalho. A decisão é do ministro João Oreste Dalazen, da 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que confirmou decisão das instâncias ordinárias da Justiça e rejeitou o recurso da empresa. Também serão encaminhadas as informações sobre a decisão ao Ministério Público do Rio Grande do Sul. As informações são do TST.

Eletricista da fábrica de laticínios instalada em Carazinho, Rio Grande do Sul, era chamado pelos chefes de “chipan”, “chipanzé” , “monque” e outras expressões de baixo calão. Além de indenização por dano moral, correspondente ao último salário (cerca de R$ 1 mil) multiplicado pelos meses trabalhados na fábrica, o empregado assegurou, já na primeira instância, a rescisão indireta do contrato de trabalho. Admitido em dezembro de 1996, ele trabalhou na Parmalat durante cinco anos

“No cenário em que se denota a preocupação mundial em erradicar práticas discriminatórias, não sobra espaço para tolerar a exposição vexatória a que foi submetido o empregado em decorrência de sua raça”, disse o relator, ministro João Oreste Dalazen. As expressões e os apelidos racistas e de conteúdo depreciativo usadas pelo chefe imediato para se dirigir a empregado negro constituem “ato injurioso, ofensivo da dignidade da pessoa”, reforçou.

O Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul da 4ª Região rejeitou a justificativa da empresa de que o empregado aceitara o tratamento que lhe era dispensado no trabalho. O depoimento de testemunhas, segundo o TRT, deixou evidente o visível constrangimento do eletricista que chegou a confidenciar aos colegas “que não reagia, pois pensava em sua família”.

No recurso ao TST, a Parmalat exime-se da responsabilidade pela prática de discriminação racial e insiste que, quando a direção tomou conhecimento do que ocorria, tomou providências reunindo os funcionários com o objetivo de mudar o comportamento dispensado ao colega de trabalho.

O relator rejeitou as alegações da empresa: “a atividade fiscalizadora, decorrente do poder diretivo do empregador, caracteriza-se como um poder-dever, de modo que a mera omissão configura o seu inadimplemento”. “Ao empregador incumbe zelar pela respeitabilidade, civilidade e decoro no ambiente de trabalho, como obrigações conexas do contrato de emprego”, afirmou.

O TST rejeitou o recurso pr unanimidade, baseando-se no “ordenamento jurídico brasileiro e normas internacionais que proíbem ao empregador e a qualquer pessoa a adoção de qualquer prática que implique preconceito ou discriminação em virtude de raça”. O relator citou a Constituição que proíbe qualquer forma de discriminação de raça e também convenções internacionais ratificadas pelo Brasil e a Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre princípios e direito fundamentais no trabalho, na qual os estados-membros se comprometem a eliminar a discriminação no trabalho.

A empresa não obteve êxito também no pedido de redução da indenização, que segundo ela, deveria corresponder a maior remuneração recebida pelo trabalhador multiplicada pelos últimos dois anos de serviços prestados, período em que, reconhece, teria ocorrido a discriminação contra o empregado. Segundo o relator, a empresa não apontou violação a dispositivo de lei federal ou da Constituição ao pedir a reforma da decisão de segundo grau e a limitação da indenização aos dois últimos anos de prestação de serviço.

RR 1011/2001- Fonte: Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2005 - www.conjur.com.br

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Guerra psicológica.

O assédio moral é tão

antigo quanto o próprio trabalho.

Artigo sobre assédio moral, que corresponde a situações vexatórias e humilhantes sofridas pelo empregado na relação de emprego. Existe caudalosa jurisprudência que condena os empregadores a indenizar os empregados quando violada à dignidade do trabalhador.

Também denominado psicoterror e coação moral, o assédio moral é tão antigo quanto o trabalho. Desde que o ser humano sentiu necessidade de vender sua mão-de-obra, passou a conviver com ironias, ofensas, mau humor dos chefes. Essa guerra psicológica no local de trabalho agrega dois fenômenos: o abuso de poder e a manipulação perversa de fatos e informações.

Caracteriza-se por humilhações constantes, exposição do trabalhador ao ridículo, supervisão excessiva, críticas cegas, empobrecimento de tarefas, sonegação de informações, repetidas perseguições. Deteriora, sensivelmente, o meio ambiente do trabalho, com diminuição de produtividade e incremento de acidentes.

O psicoterror causa danos emocionais e doenças psicossomáticas, como alterações do sono, distúrbios alimentares, diminuição da libido, aumento da pressão arterial, desânimo, insegurança, entre outros, podendo acarretar quadros de pânico e de depressão. Em casos extremos, pode levar à morte ou ao suicídio.

Estima-se que no Brasil pelo menos 40% dos trabalhadores sofreram violência moral. Muitos são os exemplos de assédio moral nas relações de trabalho. São comuns as instruções confusas e imprecisas, a exigência de trabalhos urgentes sem necessidade, as críticas em público, a transferência de setor com o intuito de humilhar, a privação de trabalho, a depreciação das tarefas feitas, a marcação de tempo e de vezes para ir ao banheiro, a exigência de desempenho acima da qualificação, a submissão a tarefas inferiores à função desempenhada, a exigência de trabalhos complexos em tempo insuficiente, o desrespeito ou a imposição de crenças religiosas, filosóficas ou políticas.

Esse quadro é totalmente contrário ao direito. O ordenamento jurídico brasileiro funda-se na dignidade da pessoa humana e nos valores sociais do trabalho, que são fundamentos da República Federativa do Brasil. Constitui-se objetivo fundamental do país a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Acima de tudo, tem o empregador a obrigação de respeitar a personalidade moral do empregado na usa dignidade absoluta de pessoa humana. A tutela da dignidade moral do trabalhador se manifesta em face dos atos relativos aos poderes de organização e de controle da empresa. Com isso proíbem-se ingerências na liberdade de consciência e de vontade, na intimidade, nos direitos fundamentais do empregado no trabalho.

O contrato do trabalho comporta, com absoluta primazia, a obrigação de respeitar a pessoa humana na sua inteireza. As regras de proteção incidem no conteúdo do contrato de trabalho e dele fazem parte, determinando uma série de direitos e obrigações para ambas as partes.

A ofensa a tais preceitos autoriza a rescisão contratual pelo empregado ou pelo empregador, além de causar danos morais indenizáveis. A tutela do trabalhador se entrelaça com sua essência e dignidade humana. Jamais a subordinação jurídica pode ser interpretada como menosprezo do empregado ou consentimento para impor-lhe humilhações e constrangimentos.

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Funcionária apelidada

de "gordinha" pelo chefe

será indenizada.

Decisão do E. Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Neste sentido há alguns anos, o TRT de Minas Gerais indenizou uma ex-empregada loira que era chamada por seus colegas de “loira burra”

Os juízes da 2ª turma do TRT-SP, condenaram a Control Tower Assessoria Empresarial S/C Ltda. a indenizar uma ex-empregada, chamada de "gordinha" pelo diretor da empresa. O entendimento dos juízes é de que o nome do trabalhador está incorporado ao seu patrimônio moral, não podendo ser chamado pelo superior hierárquico de apelido pejorativo.

A ex-assistente administrativa entrou com processo na 29ª vara do Trabalho de São Paulo, pedindo, entre outras verbas, indenização por danos morais, já que o apelido dado por seu chefe era ofensivo à sua honra.

Testemunha na ação afirmou que viu a reclamante ser "maltratada" pelo diretor que, "em tom grosseiro", disse que ela "deveria usar as escadas por estar gorda". A testemunha também presenciou a assistente chorando em virtude da atitude do chefe e que a ex-empregada era freqüentemente chamada pelo superior de "gordinha".

A vara condenou a empresa a indenizar a ex-empregada. Inconformada com a sentença, a empresa recorreu ao TRT-SP, sustentando que a atitude de seu diretor não configura dano moral.

Segundo o juiz Sérgio Pinto Martins, relator do Recurso Ordinário no tribunal, "evidentemente que a autora não gostou do adjetivo que lhe era atribuído, porém não podia reclamar na vigência do contrato de trabalho, sob pena de ser dispensada".

Para o relator, "todas as pessoas têm nome, que fica incorporado ao seu patrimônio moral. Tendo nome a autora, não poderia ser chamada de ‘gordinha’".

"Se a reclamante foi objeto de brincadeira, a brincadeira foi de mau gosto e violou sua intimidade" observou o relator, que indagou se o diretor da empresa "gostaria que lhe atribuíssem o adjetivo "gordinho" ou qualquer outro com sentido pejorativo? Com certeza, não", concluiu o juiz Pinto Martins.

Por unanimidade, a 2ª turma condenou a empresa a pagar indenização equivalente a 5 salários da ex-empregada, cerca de R$ 8 mil.

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Apresentação de pré-datado

antes do combinado gera danos

O cheque “ bom para”. A figura do chamado cheque pré-datado ou pós-datado, pelo rigor exacerbado da lei, não existiria, mas o Direito não pode desamparar àqueles que buscam a solução de seus conflitos junto ao Poder Judiciário.

Um cheque pode ser passado com data posterior de compensação? De acordo com a chamada Lei do Cheque (7.357/85), a definição técnica desse título é de “ordem de pagamento à vista”. Entretanto, a sociedade em constante mutação criou diferenciação, a qual, pelo rigor da lei, não poderia conter a denominação de cheque na acepção jurídica do termo.

A referida lei, anterior à Constituição de 1988, foi por esta recepcionada e permanece vigente até hoje. Insta acrescentar a inegável diminuição da emissão de cheques nos últimos tempos em razão do avanço na utilização dos cartões eletrônicos.

Vale, ainda, expor o disposto no artigo 887 do Código Civil, onde conceitua título de crédito como documento necessário ao exercício de direito literal e autônomo nele contido, somente produzindo efeito quando preenchidos os requisitos da lei.

A partir desses conceitos surgiram confusões relacionadas ao cheque, dentre elas a existente entre título de crédito e título executivo extrajudicial, institutos jurídicos distintos. No primeiro caso há a figura definida pelo artigo 887 do Código Civil e, no segundo, a do título executivo extrajudicial, este criado por questão de política legislativa (artigo 585, Código de Processo Civil). Portanto, nem todo título executivo extrajudicial é título de crédito, mas a afirmação contrária é válida.

A figura do chamado cheque pré-datado ou pós-datado, pelo rigor exacerbado da lei, não existiria, mas o Direito não pode desamparar àqueles que buscam a solução de seus conflitos junto ao Poder Judiciário.

A omissão na solução de conflitos suscitados pelas partes não é possível. Da mesma forma o Código Civil e o Código de Processo Civil impõem que, omissa a lei, o magistrado se socorrerá da analogia, dos usos e costumes para solucionar o problema, não podendo deixar de apreciar a questão sub judice.

Os cheques pós-datados começaram a ser questionados na justiça, em virtude da ausência de previsão legal. Tais títulos devem ser respeitados, pois, por meio do costume são utilizados em grande escala pelo comércio.

Cediço que as leis são rígidas, pois, caso contrário, haveria instabilidade social, mas não podem permanecer imutáveis ante a evolução da realidade social. Essa peculiaridade se operou com a Lei do Cheque.

Diante disso, o cômputo da data base do início da contagem do prazo para apresentação dos cheques começou a ter interpretações diferentes e equivocadas.

Em reiteradas decisões, inclusive precedentes do Superior Tribunal de Justiça, muitos juízes de primeiro grau e algumas Câmaras de Tribunais estaduais, permaneceram prestigiando a interpretação restritiva e não extensiva da Lei do Cheque, o que é equivocado.

A expressão “Bom Para”, inserida no cheque, visa exprimir a estipulação de comum acordo entre as partes (emitente e credor) para cumprimento da obrigação em data diferente da sua efetiva emissão para apresentação e deve ser respeitada. A data a posteriori há de prevalecer, sob pena de o credor ao descumpri-la estar sujeito a ressarcir o emitente pelos danos a ele causados.

O tema é relevante, pois tem repercussão imediata nos meios de cobrança judicial. O cheque, se prescrito, possibilita ao credor se valer da Ação Monitória, na qual se busca a formação de título executivo judicial para, posteriormente, tentar a recuperação do crédito, via expropriação de bens.

Por outro lado, a ausência da ocorrência da prescrição poderá de imediato, sem a necessidade de protesto, possibilitar o ajuizamento da Ação de Execução contra o emitente do título e obter a satisfação do crédito de modo menos tormentoso.

Outro ponto fundamental está no fato de a apresentação do cheque pós-datado ocorrer antes da data pactuada entre as partes envolvidas. Nessa hipótese haverá o dever de indenizar o emitente por danos morais e/ou materiais, desde que comprovados esses últimos.

Deve ser ressaltado o momento de início da contagem do prazo prescricional, onde não há que se falar na data de sua primeira apresentação. Com relação à matéria, a 12ª Câmara do extinto Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo, em sede de recurso de Apelação nº 882.608-4, deu provimento por maioria de votos, nos seguintes termos: “EMBARGOS À EXECUÇÃO – Cheques pré-datados – Descaracterização – Impossibilidade do lapso prescricional ser contado nos moldes estabelecidos pela Lei nº 7.357/85, à vista do entendimento de que a apresentação antes da data avençada sujeita o favorecido ao pagamento de indenização ao emitente – Início a contar da apresentação – Recurso provido.”

Ora, note-se que mesmo evidente a impossibilidade de existência de dois pesos e duas medidas, há pensamentos dissonantes, como no caso acima, onde um dos integrantes da Câmara julgadora foi contrário ao entendimento dos demais membros da Corte.

Patente no caso de cheques pós-datados o dever de ser respeitada a data pactuada entre as partes para que se tenha início o prazo de apresentação do título, 30 dias para mesma praça de pagamento e 60 dias com praças distintas. Assim, o cômputo será a partir do término do prazo para apresentação, sendo a base a data posterior inserida — “Bom Para” — e não a de sua efetiva emissão.

Assim, ultrapassados 30 ou 60 dias da apresentação, inicia-se a contagem dos seis meses para o título se caracterizar como prescrito. Portanto, seria absurdo prestigiar o inadimplemento partindo-se de premissa equivocada, ou seja, considerando válido o cheque pós-datado, mas mantendo o cômputo para início da contagem do prazo prescricional como sendo o da data de sua efetiva emissão.

Situações como a acima mencionada podem ser resolvidas de modo mais célere, diminuindo o acúmulo de recursos aos tribunais, com a Súmula vinculante, recentemente aprovada por Emenda Constitucional. Trata-se de instrumento cujo efeito pode ser benéfico, mas de se observar com cautela, pois poderá conter entendimento equivocado, gerando problemas por vezes intransponíveis.

Desse modo, o mais prudente é, não somente levar em consideração a aplicação da lei de modo sistemático, mas também confrontar o caso concreto com a realidade da sociedade, com o intuito de a decisão judicial não se tornar inócua, afastando-se de seu fim maior, qual seja, a busca pela Paz Social.

Antonio Carlos de Oliveira Freitas: pós-graduando em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e advogado integrante do escritório Luchesi Advogados- Fonte: Revista Consultor Jurídico- www.conjur.com.br

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Atraso na entrega de

imóvel gera indenização ao

proprietário

A 3ª turma do STJ manteve decisão que condenou a empresa Carvalho Hosken S/A Engenharia e Construções a extinguir o contrato realizado entre ela e o consumidor Carlos Alberto da Silva e sua esposa, bem como a devolver as parcelas já pagas e a indenizá-los por lucros cessantes pelo valor locativo do imóvel.

No caso, Silva impetrou uma ação contra a empresa pelo atraso na entrega da obra de imóvel adquirido por ele. No pedido, pretendeu a resolução de escritura de promessa de compra e venda, com a conseqüente devolução das parcelas pagas, devidamente atualizadas e acrescidas de juros, bem como indenização por lucros cessantes pelo valor locativo do imóvel a contar do término do prazo de entrega da obra até o ajuizamento da ação.

Em primeiro grau, a culpa da empresa pelo atraso na entrega da obra foi reconhecida, sendo julgados procedentes os pedidos de extinção do contrato e de devolução das parcelas pagas, mas julgou improcedente o pedido de indenização por lucros cessantes. Na apelação, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deu parcial provimento ao pedido de Silva para incluir na condenação a indenização.

Inconformada, a empresa recorreu ao STJ alegando violação do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor, diante da condenação à restituição da integralidade das parcelas pagas. Além disso, sustentou que a correção monetária das parcelas pagas não poderia ser feita pelo Índice Setorial da Construção Civil (INCC), mas sim pela UFIR, e também porque os juros moratórios deveriam incidir somente a partir da citação e não do 16º dia da notificação da empresa por Silva.

Ao analisar a questão quanto à aplicação do artigo 924 do Código Civil (prevê que, se cumprida parte da obrigação, o juiz poderá reduzir proporcionalmente a pena estipulada para o caso de mora e inadimplemento) na hipótese de extinção de contrato de compra e venda de imóvel por culpa da empresa, a ministra Nancy Andrighi, relatora do processo, ressaltou que o caso não permite a aplicação.

"No caso, não houve reciprocidade da culpa, a resolução do contrato foi decretada por inadimplência da construtora por descumprimento de prazo na entrega da obra. Assim, ante o descumprimento da entrega, os ônus daí advindos são exclusivamente da construtora. Até porque as partes envolvidas retornam ao estágio anterior à concretização do negócio", afirmou a relatora.

Quanto à adoção do INCC, a ministra Nancy Andrighi destacou que esse foi o índice ajustado no contrato firmado entre as partes. "A resolução jurídica da lide foi equacionada pelo acórdão recorrido diretamente a partir dos fatos e provas colhidas nos autos, razão pela qual a alegação de violação a artigos esbarra no teor das Súmulas 5 e 7 desta Corte", explicitou.

A ministra considerou correta a indenização por lucros cessantes nos termos do artigo 335 do Código de Processo Civil.

"Com a inexecução do contrato pela recorrente, além do dano emergente, figurado nos valores das parcelas pagas, é mais do que óbvio terem os recorridos sofrido lucros cessantes a título de alugueres que poderia o imóvel ter rendido se tivesse sido entregue na data contratada, pois esta seria a situação econômica em que se encontrariam se a prestação da recorrente tivesse sido tempestivamente cumprida", concluiu a ministra Nancy Andrighi.

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Cartão de crédito.

Juiz limita a 12% ao ano juros

cobrados pela Itaucard.

A administradora de cartões de crédito Itaucard foi condenada a limitar a cobrança de juros do cartão Visa a 12% ao ano. A decisão é do juiz Giovanni Conti, da 15ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre. Cabe recurso.

O juiz declarou nulas cláusulas do contrato padrão de cartão de crédito que estabelecem juros remuneratórios acima de 12% ao ano, capitalização mensal de juros, cobrança de comissão de permanência, juros de mora em 1% ao mês e fixação de correção monetária por outro índice que não seja o IGP-M.

A decisão, contudo, deve cair se chegar ao Superior Tribunal de Justiça. Em diversas ocasiões a Corte já decidiu que empresas administradoras de cartão de crédito são instituições integrantes do sistema financeiro e, assim, podem cobrar juros de mais de 12% ao ano.

Segundo o juiz Giovanni Conti, “o sistema consumerista não pode concordar com a negociação privada, com cláusulas eivadas de nulidade absolutas”. O juiz esclareceu que os princípios que estruturam as relações jurídicas não podem prejudicar o mais fraco da relação de consumo e aceitar todos os termos da proposta.

A decisão determina que os valores pagos indevidamente pelos consumidores nos últimos cinco anos deverão ser restituídos. A Itaucard terá prazo de 60 dias, a contar do trânsito em julgado da liquidação da sentença, para devolver a quantia excedente.

A Ação Civil Pública foi proposta pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, da Vida e dos Direitos Civis contra a Itaucard Administradora de Cartões de Crédito e Imobiliária. A informação é do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

Processo 10502088854

Fonte: Revista Consultor Jurídico- www.conjur.com.br

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Operadora responde por danos de

clonagem de celular.

A Telemig Celular foi condenada a pagar indenização de R$ 5 mil, por danos morais, a um consumidor que teve seu nome incluído no cadastro de restrição ao crédito depois de uma dívida gerada pela clonagem de seu telefone celular. A decisão é da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Cabe recurso.

O relator, desembargador Afrânio Vilela, considerou que a operadora de telefonia celular foi negligente. “Com as facilidades advindas da tecnologia avançada, sempre existem os ônus a serem suportados, como no caso das clonagens de linhas telefônicas, as quais, apresentam-se costumeiras, exigindo das prestadoras de serviço que se resguardem de possíveis ocorrências, ou assumam o risco do negócio, não podendo o consumidor ser lesado por práticas ilícitas”, observou.

Em casos de clonagem de celular, o consumidor pode romper o contrato, sem pagamento de nenhuma multa, já que a culpa foi da empresa que não soube prestar um serviço, esclareceu Afrânio Vilela.

Processo 0516635-0- Fonte: Revista Consultor Jurídico- www.conjur.com.br

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Justiça manda Farmácia

Popular dar remédio de graça.

Promessa de campanha. Uma das principais bandeiras político-eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Farmácia Popular é instalada em parceria entre o Ministério da Saúde e as respectivas administrações municipais. A Farmácia Popular de Aparecida do Norte (SP) está obrigada a distribuir gratuitamente os medicamentos que antes vendia .

A Farmácia Popular de Aparecida do Norte (SP) está obrigada a distribuir gratuitamente os medicamentos que antes vendia. A decisão é uma liminar concedida pelo juiz Paulo Alberto Jorge, da Justiça Federal em Guaratinguetá (SP), em Ação Civil Pública proposta pelo procurador da República Adjame Alexandre Gonçalves Oliveira. A decisão vale apenas para a farmácia desta cidade.

Segundo o procurador, a Prefeitura da cidade foi notificada nesta sexta-feira (26/8) e já começou a cumprir a decisão judicial. Uma das principais bandeiras político-eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Farmácia Popular é instalada em parceria entre o Ministério da Saúde e as respectivas administrações municipais. “Preferi entrar com a ação apenas dentro desta comarca para evitar uma discussão de jurisprudência. Outros procuradores já me pediram cópia da ação e da liminar para fazer pedidos semelhantes em suas regiões”, explicou Oliveira.

Para ele, a venda dos remédios fere o princípio constitucional da universalidade do atendimento público à saúde. “Muitos doentes que não podem pagar os preços praticados restarão sem assistência e o Estado continuará a locupletar-se do dinheiro dos doentes que, em situação de desamparo, procuram a unidade da Farmácia Popular”, escreveu.

O procurador afirma ainda que, pela lei, todo o atendimento público à saúde tem de ser pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cidade de São Paulo, por exemplo, passou um tempo sem receber verbas federais da saúde por não ter aderido ao SUS. Na época dos prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PSL), a saúde era administrada por um sistema de cooperativas, conhecido como Plano de Atendimento à Saúde (PAS).

Segundo Oliveira, a criação da Farmácia Popular é um sistema público paralelo de saúde. “Existem gastos próprios de custeio e propaganda, fora do SUS”, explicou. Os remédios distribuídos pela Farmácia Popular são fabricados pela Fundação Oswaldo Cruz, uma fundação pública vinculada ao Ministério da Saúde.

Leonardo Fuhrmann : repórter da revista Consutor Jurídico- www.conjur.com.br

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