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Instinto Vencedor
A endorfina é a grande motivadora biológica para se manter vencedor.
Por Içami Tiba
Por que algumas pessoas saem vencedoras perante seus obstáculos? Se quisermos ver e analisar o que acontece aos vencedores, basta focalizarmos nos esportes, principalmente as lutas corpo-a-corpo.
Observe, caro leitor, uma luta de box entre dois lutadores muito fortes e qualificados. Quando chegam empatados no último round, já deram o máximo de si, não estão mais nem se agüentando em pé, agarram-se para autoproteção para continuarem de pé até um deles poder acertar um golpe no queixo do outro.
Quando o golpeador sente a possibilidade de vencer, parece que ele renasce, torna-se vigoroso, energizado, seus golpes em saraivadas ficam mais certeiros e, em poucos segundos, acaba com o adversário.
Ele, que nem se agüentava em pé, agora dá voltas pulando no ringue e subindo nos cantos para erguer os dois braços, mostrar a sua aguerrida pujança e já provoca o próximo adversário... E o público vibra com ele e homenageia o seu sucesso.
O que aconteceu dentro dele? O que o vencedor tirou do seu lado instintivo e do seu cérebro animal? Calma, não é que ele seja animal! Nosso cérebro é formado por três construções: o primeiro é o básico, bem primitivo, sobre o qual os animais construíram um outro e, por último, foi construído o cérebro mais evoluído, que é o humano.
Quando o cérebro humano já não funciona mais, entra em ação o do animal. É um recurso para se manter a vida. É o que aconteceu com nossos jurássicos ancestrais humanos. Vencer os animais era um princípio para a sobrevivência. Ou eles comiam as feras ou elas os devoravam. Quando o combate era entre um homem e uma fera, muitos homens devem ter sido devorados. Então os homens resolveram unir-se e assim transformaram perigosas feras em alimentos. Eles desenvolveram armas e estratégias e se banquetearam comendo gigantescas iguarias em vez de ficarem comendo somente coelhinhos e preás inofensivos...
Estimule sua endorfina vencedora
Hoje, o cidadão não precisa mais matar as feras, mas precisa trabalhar para ter dinheiro para a sobrevivência. O ganho de dinheiro geralmente não nos dá aquela sensação de vitória, isto é, nem se usa mais tanto o cérebro animal. Mas os humanos mantiveram seus instintos por meio de lutas, competições, esportes radicais, entre outros.
Quem já jogou bingo esperando um número para completar a ''tchinqüina'' entra em estado de possibilidade de ganhar o grande prêmio e o cérebro animal já começa a funcionar, produzindo uma sensação de palpitação e ansiedade, misto de alegria e coceira no sangue, à espera do número mágico... Esse é viciante, pois não custa esforço físico.
Quando o boxeador pressentiu a vitória, imediatamente seu cérebro inundou-o de endorfina que provocou a liberação da adrenalina e testosterona, provocando o aumento dos batimentos cardíacos, a elevação da pressão arterial, uma oxigenação maior do sangue que melhora o funcionamento do cérebro para focalizar o ponto fraco do adversário, os músculos recuperam as forças, o cansaço e as dores desaparecem. Quando enfim vem a vitória com o nocaute, completa a descarga de endorfina em que é impossível parar quieto. Ele agora precisa pular, gritar, comemorar, como o Tarzan ao matar um leão soltando o ''grito das selvas''. Sente-se Deus e invencível, a ponto de já desafiar e ridicularizar o próximo boxeador.
Você, prezado leitor civilizado, já identificou por onde anda a sua endorfina vencedora? Ela estimula você a percorrer outra vez o caminho da vitória. A endorfina é a grande motivadora biológica para se manter vencedor.
Fonte: WWW.tiba.com.br- Revista Viva São Paulo- Data: Setembro/2007 |
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Melhore seu Sono
A insônia é freqüentemente um sintoma do gerenciamento ineficaz do estresse
Por Reg Connolly
A insônia causa infelicidade e preocupação e, quando for severa e contínua, esvazia a vitalidade e a concentração. Contudo ela não é doença – é um padrão comportamental que pode ser facilmente mudado, se você perseverar em alguns passos práticos.
Podemos citar algumas causas da insônia:
Causa 1 – gerenciamento ineficaz do estresse
A insônia é freqüentemente um sintoma do gerenciamento ineficaz do estresse. Quanto mais estressado você fica, a sua mente fica mais ativa e fica mudando continuamente de uma coisa para outra, mais difícil será desligar para ir dormir, permanecer adormecido ou dormir profunda e tranqüilamente.
Causa 2 – Postergar as coisas
A insônia pode ser causada pela procrastinação excessiva ou exacerbada. Nós procrastinamos, muitas vezes, por causa da sucessão contínua de negócios inacabados que correm pela nossa mente quando tentamos ir dormir, ou porque deixamos as coisas ficarem numa tal confusão que não sabemos onde começar. Isso produz uma massa de problemas não resolvidos no fundo da mente.
Nós bem que podemos ser capazes de manter essas questões fora da nossa mente no alvoroço do dia a dia – mas elas continuam a nos afetar emocionalmente, na obscuridade, produzindo níveis cada vez mais elevados de estresse emocional. Então, justo na hora que começamos a relaxar completamente e nos embalar para dormir, nos descobrimos, de repente, completamente alertas e acordados – e a miserável insônia começando mais uma vez (casualmente, essa também é uma razão comum para acordamos muito cedo.)
Causa 3 – Preparação ineficiente para o sono
Mesmo não estando particularmente estressado, nós podemos também desenvolver acidentalmente o hábito da insônia depois de uma ou duas ocasiões em que tivemos dificuldade de pegar no sono. Isso pode ter sido causado pela ingestão de cafeína à noite, por ter tido uma noite muito interessante, pela antecipação de algo prazeroso, preocupado por ter de levantar muito cedo no dia seguinte para um evento especial, e assim por diante. Se um ou dois destes surtos normais de insônia resultarem na expectativa de insônia, você pode desenvolver facilmente o hábito de esperar não dormir bem o que se torna uma profecia auto-realizável.
Causa 4 – Atormentar-se com a insônia
A maioria dos adultos tem sono interrompido; acordar-se brevemente uma vez durante a noite é normal. Mas se começamos a nos atormentar de que podemos ter insônia, isso cria um estado mental de alerta e torna difícil voltar a pegar no sono de novo. Muitos exemplos de insônia são causados por esse tormento com a insônia.
Causa 5 – Empenhar-se muito para pegar no sono
O sono vem naturalmente e sem esforço quando nos desligamos mental e fisicamente. Esta é a razão pela qual ele é tratado mais como um processo passivo do que como relaxamento. Quando você re-adquire o hábito de permitir que o sono ocorra passivamente, é provável que o sono ocorra mais facilmente porque você não está se esforçando mental ou fisicamente.
Causa 6 – Expectativas não realistas
Quando nos tornamos mais velhos, nós precisamos de mais descanso e menos sono. A quantidade de sono que você precisa depende de uma variedade de fatores que incluem a sua saúde física, a quantidade de atividade mental e física a que você se dedica, as expectativas de quanto sono você precisa, e assim por diante. Entretanto, é improvável que nos seus 30 anos ou mais, você ainda
precise das oito ou nove horas de sono que precisava quando adolescente. E você pode conseguir facilmente este descanso extra através de sessões regulares de relaxamento.
Maneiras físicas de combater a insônia
1. Use exercícios de respiração para acalmar a sua mente e o corpo.
2. Reduza a tensão física. Muitos de nós obtemos um equilíbrio incorreto entre a mente e o físico. Nos dedicamos a muitas atividades mentais e a poucos exercícios físicos. Planeje fazer diariamente alguns exercícios físicos energéticos, mesmo que você ache que está muito cansado para isso. Você irá dormir melhor e, em breve, irá superar a sensação de estar cansado para fazer exercícios.
Reduza a tensão mental
1. Quando usar um dos exercícios de respiração, dê apenas uma questão para a sua mente se dedicar, porque isso tem um efeito calmante.
2. Lide com o seu diálogo interno. Assim que você estiver pronto para dormir, dê a si mesmo permissão para desligar: "Agora eu vou desligar – tudo pode esperar até amanhã." Ocupe-se o menos possível com o seu diálogo interno.
Muitas pessoas descobrem que imaginar mentalmente ou visualizar coisas agradáveis é muito mais calmante do que pensar sobre as mesmas questões usando o diálogo interno. Você pode querer gastar um pouco do seu tempo para adquirir esse hábito.
3. Controle a sua imaginação mental. Treine a sua mente para cuidar de apenas uma questão de cada vez – visualize somente uma questão e, suavemente, dissolva ou enfraqueça os outros. Descubra como mudar a sua imaginação para torná-la mais calma. Por exemplo, usando cores pastéis, desfocando as imagens e movimentos em câmara lenta são geralmente mais calmantes. Ou descubra que cores você acha que são mais calmantes e use-as para tingir a sua imaginação mental na preparação do sono.
Maneiras mentais de combater a insônia
1. Seu corpo gosta de rotina, portanto concentre seus esforços em ir para cama na mesma hora todas as noites. Comece a desacelerar cerca de uma hora antes de ir para cama.
2. Evite cafeína, especialmente a partir do final da tarde, pois a cafeína tem um efeito estimulante por mais de 6 horas.
3. Evite usar álcool para dormir – ele produz um sono intranqüilo, superficial.
4. Determine que cama é um lugar só para dormir (ou fazer amor) – portanto evite comidas, assistir televisão, telefonar, tricotar, ter discussões sérias, etc.
5. Mantenha o relógio longe dos olhos! Muitas pessoas criam uma mini-neurose devido ao fato de ficarem acordadas na cama e verificando o relógio de tempos em tempos para calcular quanto sono está perdendo.
6. Nunca fique acordado na cama por mais de 30 minutos. Tenha uma lista de tarefas chatas e/ou desagradáveis ao lado da cama. Se necessário levante e faça alguma dessas tarefas. A idéia é quebrar a associação ou relação ancorada entre estar na cama e ter insônia.
7. Evite se recompensar ao se levantar no meio da noite com comida, bebida, cigarros, etc.
8. Para conseguir um sono contínuo, você pode, inicialmente, precisar de se privar do sono temporariamente. Levante um pouco mais cedo todos os dias – até que esteja dormindo como você queria. Então gradualmente estenda o tempo em que você fica na cama.
(Por exemplo, você pode começar a se levantar 15 minutos mais cedo durante três dias – apesar de continuar a ir para cama na mesma hora – até que, eventualmente, o seu corpo-mente "lhe permite" dormir mais ligeiro à noite. Geralmente esse processo leva algumas semanas para produzir resultados.)
9. Evite cochilos durante o dia. As necessidades para descansar variam, portanto se você não precisa de muito sono porque não usar o tempo de maneira construtiva – estudo, hobby, trabalho voluntário, etc.
10. Use as suas habilidades de relaxamento – antes de dormir ou ao acordar.
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Construindo a Auto-estima
A auto-estima e auto-imagem provêm da resposta a duas perguntas: "Que tipo de pessoa eu sou?" e, "Que evidência tenho disso?
Por Don A. Blackerby
A seguir, transcrevo alguns exemplos de afirmações que tenho ouvido em meu consultório e em minhas observações da vida.
Um pai me disse, na frente de seu filho, que desejava que eu tratasse: "Ele não está fazendo seus trabalhos escolares, e suas notas estão baixas! Ele é simplesmente preguiçoso e tem uma má atitude! Ele não se endireita, não vai conseguir coisa alguma!".
De um treinador, para um jogador de futebol, de 5 anos de idade: "David, seu pateta!! Eu lhe disse para bater com seu pé esquerdo. Você está usando o pé direito! Você não pode fazer nada certo?"
De um pai, para uma criança: "Nós recebemos uma outra notificação da escola hoje, informando que você não está fazendo suas tarefas! Por que você não é como sua irmã? Ela sempre faz tudo certo! Ela é uma filha perfeita!"
Pai, para a filha da 5a. série, após receber o boletim dela, com 5 A e 1 B: "Você tirou outro B!! Você não vai conseguir um bom emprego se não apertar o cinto! Estou muito decepcionado com você. Você provavelmente vai acabar na assistência social, ou eu terei que sustentá-la por toda a sua vida."
Pai para um filho, após ouvi-lo contar a outro estudante como se saíra bem em um teste: "Eu ouvi você se gabando para o Tim sobre a nota que tirou no teste de Matemática. Não quero que fique cantando louvores a si próprio e dizendo a todo mundo o quanto você é bom. Você tem obrigação de sair-se bem em matemática. Eu sou professor de matemática e ensinei-lhe tudo! Isso não significa que você é bom!"
Não acredito que essas pessoas conheçam os efeitos devastadores que esses comentários causam sobre a auto-estima de uma criança (ou de um adulto). Tenho certeza de que os pais, os treinadores, ou os professores têm intenção positiva quando fazem isso. Provavelmente estão tentando ajudar a criança a ser melhor, mas o efeito dessas atitudes não é o que eles desejam. No decorrer dos anos em que tenho trabalhado com estudantes e famílias, notei diversas maneiras como a auto-estima pode ser destruída. Por exemplo:
Maneiras de Destruir a Auto-estima.
Enfatizar, ou até mesmo deturpar, os atributos ou comportamentos negativos. Chamar a criança de desajeitada quando derrama algo, ou fazer comentários negativos sobre sua aparência ou notas escolares. Considere com cuidado e pode ter certeza de que elas se sentem muito mal a respeito disso.
- Não prestar nenhuma atenção aos comportamentos e atributos positivos. Se ela trouxer para casa um boletim com dois A´s e dois C´s, censurá-la sobre os C´s e não dizer nada sobre os A´s.
- Transformar os erros em fracassos pessoais de sua parte. Os erros podem ser corrigidos facilmente; os fracassos atingem diretamente a identidade e a auto-estima. Se ela tirar uma nota baixa ou não se sair bem num recital, o comentário "Se você não melhorar, você nunca conseguirá nada" pode ferir profundamente, por um longo tempo. Assim, uma nota baixa significa que a criança é preguiçosa, ou não fazer a cama significa que ela é irresponsável.
- Apontar as qualidades positivas de outra pessoa e mostrar que a criança não as tem. "Por que você não pode ser um estudante grau "A" como sua irmã?"
- Não permitir que faça qualquer coisa ou assuma a responsabilidade e/ou o crédito por seu progresso positivo ou por suas conquistas. Acusá-la de vaidade quando tenta fazê-lo, ou censurá-la por falar sobre elas.
Como Construir a Auto-estima:
Considerando que muitos dos estudantes modernos jamais foram ensinados COMO aprender e COMO fazer as inúmeras tarefas acadêmicas exigidas pela escola, sabemos que, às vezes, eles não fazem as tarefas muito bem, e suas notas sofrem. E o mesmo acontece com sua auto-imagem e auto-estima. Eles tendem a tomar isso muito pessoalmente e presumem que há algo de errado consigo mesmos, porque não conseguem cumprir suas tarefas. Assim, mesmo depois de ensiná-los como aprender, ainda é necessário encontrar maneiras de reconstruir sua auto-estima. Este artigo trata das maneiras que desenvolvi para fazer exatamente isso. As técnicas e processos não precisam ser exclusivos para aos estudantes; aplicam-se aos indivíduos de todas as idades e todos os níveis, em todos os ambientes.
Antes de mais nada, algumas definições – meu dicionário define auto-estima como – "a crença em si próprio; auto-respeito." Ele define auto-imagem como "a concepção do indivíduo sobre si mesmo e sua própria identidade, capacidades, dignidade, etc." O dicionário também define auto-conceito como auto-imagem. Portanto, a distinção é muito delicada. Eu normalmente uso auto-estima como a soma, em nível de identidade/crença, de todas as auto-imagens que o indivíduo tem sobre vários aspectos de si próprio.
Em minha opinião, nossa auto-estima e auto-imagem provêm da resposta a duas perguntas: "Que tipo de pessoa eu sou?" e, "Que evidência tenho disso? " A evidência é o que sentimos no mundo ao nosso redor. É o que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos e degustamos sobre nós mesmos. Então, atribuímos significado à evidência sob a forma de atributos, qualidades, ou características. A soma disso tudo forma nossa auto-imagem. O significado que atribuímos a essa soma é a nossa auto-estima. Indivíduos diferentes referem diferentes atributos à mesma evidência. Portanto, tem tudo a ver com a percepção.
A maneira mais simples de afetar positivamente a auto-estima é notar quando um indivíduo faz alguma coisa muito bem. Então, procuramos um atributo do qual o comportamento seja um exemplo. Quando aparece um, dizemos ao indivíduo: "Esse comportamento prova-me que você é um indivíduo do tipo (dizer o atributo)." Assim, por exemplo, suponhamos que seu filho estudou realmente muito para um teste e o realizou com 100% de sucesso. O atributo poderia ser escolhido dentre muitos – aplicado, brilhante, esperto, bom estudante, etc. Vamos usar aplicado. A frase poderia ser: "Esse 100% no teste mostra-me que você é um jovem aplicado. Mantenha esse bom trabalho!"
A estrutura do processo e da linguagem é a seguinte: 1) você está deliberadamente conectando o atributo de sua escolha a uma evidência que o indivíduo não pode contestar, e 2) você está ligando sua própria credibilidade à coerência. Se você continuar a elaborar sobre a coerência e falar sobre a importância do atributo, isso ajudará a construir a auto-estima ainda mais. Tenha cuidado, contudo, para não exagerar e ser muito efusivo, pois isso poderia gerar a descrença do indivíduo. Obviamente, se você não tiver qualquer credibilidade perante o indivíduo, isso não funcionará.
Uma das maneiras criativas que os pais podem usar é pensar no tipo de filho ou filha que eles querem ter. Pense nos atributos que você quer que eles incorporem. Então, note quando eles fazem algo ao qual esses atributos podem ser ligados e faça a declaração. Os comportamentos podem ser mais ou menos importantes. Também, podem ser comportamentos nos quais eles NÃO se envolvam. Por exemplo: "Eu notei, Cris, que você não usa drogas, embora elas estejam disponíveis para você. Isso mostra-me que você está crescendo com muita responsabilidade pelo seu próprio comportamento e saúde, e que você não está simplesmente acompanhando a turma. Eu tenho muito orgulho da maneira como você toma essas decisões responsáveis."
Não espere comportamentos melhores antes de usar esse processo. Ele tem poder devido à sua precisão. De fato, às vezes, os comportamentos menos importantes têm mais efeito porque o indivíduo não os havia considerado. Quando você faz a conexão, está alertando para algo sobre o qual ele não havia pensado; e isso sempre tem um efeito-surpresa que enriquece a reação emocional. Isso vale especialmente para os indivíduos que não são estrelas – os estudantes nota 10 ou os que fazem tudo certo. Em relação aos alunos que possuem incapacidade de aprender ou outras deficiências, isso pode ter um efeito poderoso, porque eles raramente recebem um feedback positivo. Por exemplo, uma vez ouvi o seguinte relato de uma professora: "Certa vez, eu tive um aluno com a Síndrome de Down, e decidi usar esse processo com ele. Após pensar sobre ele por algum tempo, ficou claro para mim que ele sempre entrava em minha sala de aula com um largo sorriso, vinha até mim e me dava um grande abraço. Na vez seguinte que ele fez isso, eu lhe disse: "Você sabe, Doug, eu notei que você sempre entra em aula com um belo sorriso e me dá um abraço. Isso me diz que você é uma pessoa muito feliz e amorosa, e eu realmente aprecio isso em você. Você é muito especial para mim." A professora contou que Doug inflou o peito e nunca deixou de sorrir para o resto da classe. E, todas as vezes que ela a viu depois, ele sorria e lhe dava um abraço, sabendo que ele era especial para ela.
Se você tem problema em notar quando eles fazem algo que lhe permita fazer uma afirmação desse tipo, crie algo para eles fazerem; e quando eles o fizerem com sucesso, faça a afirmação. Por exemplo, em minha primeira entrevista com um estudante eu uso essa técnica. Durante minha avaliação, peço-lhes que escrevam palavras de trás para frente (da direita para a esquerda). Geralmente, nunca tentaram fazer isso antes, e é algo novo para eles. Quando conseguem, eu faço o seguinte comentário: "Isso me diz que não há nada errado com o seu cérebro. Eu posso transformar você em um estudante-estrela, ensinando-lhe a fazer coisas com a sua mente. Posso ajudá-lo a ser o tipo de estudante que você sempre desejou ser."
Outra coisa interessante sobre esse processo é o seu efeito duradouro. Você não precisa se preocupar em fazer o processo repetidamente. Ele tende a ir direto ao coração e à alma da pessoa e aí permanecer por um longo tempo. A razão disso é que você está criando uma "experiência referencial pessoalmente atrativa" para eles. As propriedades de uma experiência referencial pessoalmente atrativa são:
Propriedades de uma Experiência Referencial Pessoalmente Atrativa
- Está relacionada com o conceito de si próprio.
- É dada no sistema representacional apropriado.
- É dada por uma referência externa com credibilidade.
- É intensa.
- É uma surpresa ou algo completamente diferente da maneira como eles pensavam sobre o assunto anteriormente – às vezes, chamado de mudança de paradigma.
Está relacionada com o conceito de si próprio.
Obviamente, esse é o ponto. Você está deliberadamente fazendo essa ligação quando diz, "Esses 100% do teste me informam que você é um jovem aplicado". Analisando isso através dos níveis lógicos, você está comunicando pelo menos ao nível de Identidade e pode, na elaboração, elevá-lo para o nível Espiritual/Sistema Superior. Isso transformaria o processo em algo ainda mais atrativo. Um exemplo de elaboração seria:
"Sua mãe, seus avós e até mesmo os professores de sua escola já me haviam comentado que você é muito aplicado. Parece que eles apreciam isso a seu respeito, e dizem que esse é um traço que irá ajudá-lo no futuro."
É dada no sistema representacional apropriado.
Quando você está liga o atributo a uma experiência sensorial completa que eles acabaram de ter, eles a representam em todos os sistemas representacionais. Eles não podem negar que isso não ocorreu, pois você está lhes dando um feedback instantâneo e específico.
É dada por uma referência externa com credibilidade.
Você é a referência externa e tem credibilidade. Se no momento você achar que não tem credibilidade, espere até tê-la, e o momento certo. É uma oportunidade muito poderosa para perdê-la. Um exemplo seria quando a pessoa está agitada e zangada com alguma coisa. Espere até que ela se acalme.
É intensa.
A intensidade ou resposta emocional é o que torna o processo atrativo o suficiente para durar. Você pode construir a intensidade de qualquer uma ou das quatro diferentes maneiras:
- Freqüência – se eles não fizerem outros 100% num teste, por exemplo, a experiência original perde sua intensidade.
- Repetição – quanto mais repetem alguma coisa, tanto melhor ela penetrará na memória a longo prazo.
- Duração – quanto mais longo for o momento ou a elaboração, tanto maior a intensidade. Se for um comentário passageiro, não terá muita chance de durar. Essa é a razão porque a elaboração é tão importante.
- Força – quanto mais robusta a resposta emocional, tanto mais intensa será. É assim que funciona a fobia, que é um exemplo de uma experiência aprendida em uma única vez.
É uma surpresa ou algo completamente diferente da maneira como eles pensavam sobre o assunto anteriormente – às vezes, chamada de mudança de paradigma.
Esta é a maneira mais fácil de construir a intensidade. Quanto mais surpreendente for, tanto mais chocará e tanto mais será atrativa. Você vai ouvir a clássica resposta: "Uau! – eu nunca pensei nisso DESSA maneira".
Conforme dissemos anteriormente, a maneira mais fácil de construir a auto-estima é aproveitar quando o indivíduo faz algo de bom e positivo. Mas, o que fazer se alguém se comporta de maneira negativa ou se já tem um atributo negativo ligado a um comportamento? Existe uma maneira de desligar o negativo e ligar um atributo positivo? A resposta para as duas perguntas é: sim.

O diagrama acima fornece uma forma mais visual para demonstrar o que estamos fazendo. Quando o comportamento é bom, nós simplesmente ligamos o atributo positivo ao bom comportamento, usando a afirmação. Se, no entanto, o comportamento não for bom, encontramos a intenção positiva por detrás do comportamento e ligamos o atributo positivo à intenção positiva. Assim, por exemplo, quando meu filho ainda estava no segundo grau, nós fizemos um acordo de que ele voltaria no horário estabelecido, nas noites em que saía com seus amigos. Ou, se não pudesse ser pontual, ele nos chamaria e informaria a razão, indicando o novo horário (assim, não nos preocuparíamos com ele). Ele foi muito confiável e responsável no cumprimento dessa promessa. Uma sexta-feira à noite, contudo, ele se atrasou muito e não nos telefonou. Sua mãe estava acordada, andando pela casa (eu estava dormindo). Ele chegou depois das duas ou três horas do Sábado de manhã. Na manhã seguinte, quando ele se levantou, eu perguntei a respeito e se nós deveríamos refazer o acordo. Sua resposta foi: "Não, pai, vou contar-lhe porque não pude ligar. Um de meus amigos tinha um revólver e estava falando em suicidar-se, mas quis falar comigo. Eu sabia que você não gostaria que eu o abandonasse, portanto fiquei com ele até conseguir levá-lo para casa." Minha resposta foi: "Obrigado, agora entendo e aplaudo sua escolha. Suas intenções de permanecer com nosso acordo e de ajudar seu amigo me dizem que você é de fato o jovem altamente responsável, que eu sempre achei que fosse. E agora sei que você pode ser um amigo bom e confiável, também. Seus companheiros são felizes por terem um amigo como você".
Antes de continuar com a estratégia acima, é importante que você averigúe se o mau comportamento foi um erro da parte da pessoa, baseada naquilo que ela pensava estar acontecendo, ou uma ocorrência extraordinária ou inesperada. Se for este o caso, encontre a intenção positiva por detrás do que ela pensava que estava acontecendo, e faça a afirmação ligando o atributo positivo à intenção positiva. Se foi um erro, diga algo como "Todos nós cometemos erros e podemos aprender deles, portanto não vamos continuar repetindo os mesmos. Como você poderá comportar-se de maneira diferente no futuro?" Depois, encontre a intenção positiva existente por detrás do novo comportamento e a disposição da pessoa para aprender a partir de seus erros e, em seus comentários de acompanhamento, ligue os atributos positivos.
Se o mau comportamento continuar e for repetitivo (como, por exemplo, não fazer as tarefas ou bater na irmã menor, etc.), diga algo como: "Esse comportamento não representa o tipo de pessoa que eu acho que você é. Eu acho que você é o tipo de pessoa que (diga diversos atributos positivos). Estou errado?" Quando você obtiver a resposta, diga, "Bem, agora que nós concordamos sobre o tipo de pessoa que você é, que comportamentos esse tipo de pessoa teria, na mesma situação? " Quando ela apresentar alguns comportamentos melhores, você pode ligar os novos comportamentos a atributos ainda mais positivos. Se você fizer a ponte ao futuro com os novos comportamentos e fizer com que experimente como seria comportar-se assim no futuro, vai ajudar muito a mudar os velhos comportamentos. Essa situação realmente exige ALTA credibilidade de sua parte. A pessoa começa a se preocupar com aquilo que você pensa e sente a respeito dela.
Muitas vezes, eu recebo estudantes com atributos negativos já ligados a certos comportamentos. Por exemplo, às vezes os pais rotulam seus filhos de preguiçosos ou que têm atitudes ruins ou tolas, porque estão indo mal na escola. A maneira de desligar os atributos negativos e ligar atributos positivos é a seguinte: pense num exemplo contrário ao atributo negativo que você pode gerar, e depois ligue esse exemplo a um atributo positivo. Por exemplo, vamos supor que o pai acabou de dizer que seu filho não foi muito brilhante, foi até tolo. Quando faço uma criança escrever uma palavra de trás para frente, e ela o faz com sucesso, eu digo: "Isso prova-me que não há nada errado com sua mente, e você certamente não é boba. Escrever essa palavra de trás para a frente mostra-me que eu posso ensinar você como aprender, para que você seja tão esperto e bem sucedido na escola quanto você quiser. No passado você não foi capaz de ter sucesso porque nossas escolas falharam em ensinar-lhe COMO aprender. Você fez o melhor que pode, mas algumas das estratégias de aprendizado que você tentou não foram eficientes nem eficazes. Agora eu vou ensinar você COMO aprender."
Resumo
"Que tipo de pessoa sou eu?" Devido ao fato de que nós, seres humanos, temos essa pergunta predominante no fundo de nossas mentes o tempo todo, somos vulneráveis a qualquer comentário ao nosso redor. Se tivermos uma auto-estima forte, podemos filtrar esses comentários, avaliá-los, e descartá-los como inválidos. No entanto, quando uma pessoa é jovem e ainda maleável, ela pode fazer isso facilmente. Se nós, os pais, professores e outros adultos ao redor deles, intencionalmente queremos moldar a auto-estima para o bem do jovem, usando essas técnicas, podemos ir muito longe na missão de tornar este mundo um lugar melhor. Positivamente, estaremos afetando as vidas dos jovens ao nosso redor. Que objetivo magnífico e que visão para nós!
Don A Blackerby, Ph.D. é o fundador de HABILIDADES DE SUCESSO, em Parker, CO- Fonte: WWW.golfinho.com.br
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Ter clareza do alvo é que definirá em que medida você está alcançando o sucesso
A Arte de celebrar vitórias. Observe e aprenda.
Por Dulce Magalhães
Todo o processo de sucesso começa com a identificação de potenciais e oportunidades que só poderão ser percebidos se houver um observador atento e bom aprendiz.
A capacidade de observar é também a habilidade de promover mudanças. Não dá para colocar a atenção em nada sem produzir uma transformação.
E se formos capazes de aprender com nossa observação, estaremos criando as condições ideais para novas e mais interessantes oportunidades.
Comece observando a si mesmo e perceba o que você precisa mudar para desenvolver melhores resultados, seja no trabalho, na família, em seus relacionamentos, em seus hábitos ou em seus planos. Observar é mudar. Lembre-se disso.
FAÇA SUA ESCOLHA
Para ter sucesso é preciso escolher o que se almeja, porque, do contrário, você pode alcançar muitos resultados. Mas sem saber o que, de fato, deseja, não será possível mensurar se suas conquistas compõem ou não seu sucesso.
Imagine que todos os dias você é uma seta lançada. Pode ser o melhor arqueiro, o melhor equipamento, mas sem saber qual é o alvo a seta é lançada em vão.
Ter clareza do alvo é que definirá em que medida você está alcançando o sucesso. Além disso, a clareza de propósitos possibilitará que todo o seu organismo, começando pelo cérebro, seja capaz de se orientar para aquele objetivo. Sua escolha faz com que seu sistema opere a favor.
Então, vamos lá, responda à pergunta orientadora: “O que eu quero alcançar?”
PREPARE-SE
Depois de feita a escolha, o passo seguinte é tão natural que não pode ser desrespeitado: Prepare-se para o que deseja. Desenvolva as habilidades necessárias, aprenda novos conteúdos e descubra capacidades, organize sua rede de contatos, peça ajuda e forme um grupo de apoio que pode lhe dar suporte na busca do objetivo. A preparação é a condição básica para obter os resultados.
ESTABELEÇA FOCO
Como você já deve ter experimentado, toda vez que colocamos um objetivo na mira, as oportunidades também vão se multiplicando e, às vezes, nos distraímos com outros propósitos e esquecemos o propósito original.
Estabeleça seu foco e use-o como farol que ilumina sua jornada, para que você não perca o rumo e não chegue ao destino a que se propõe. O foco define toda a sorte que você encontrará pelo caminho, pois é ele que lhe permite ver as oportunidades e criar as soluções.
TENHA FLEXIBILIDADE
Objetivo não é o mesmo que expectativa. Objetivo é o que desejamos e expectativa é a forma que desejamos que nosso objetivo aconteça. Queremos que seja do jeito que pensamos e quando as coisas não acontecem desta forma, e não acontecerão, então desanimamos e podemos até desistir da meta.
Não se deixe iludir com suas expectativas. Saiba claramente quais são seus objetivos e mantenha-se fle¬xível para mudar todas as vezes que for necessário, de forma a se manter no rumo.
Imprevistos vão acontecer. Alguns resultados não virão nem no tempo, nem da forma que imaginamos, mas isso não significa que não conseguiremos. Significa apenas que não conseguiremos, se continuarmos agindo daquela maneira. Seja flexível e mude o método, a velocidade, crie a circunstância, dê um novo gás ao propósito e, se for preciso, peça ajuda. Seja flexível, mas não desista.
MANTENHA O FOCO
Além de estabelecer o foco e de ser flexível, você precisará manter o foco. Aí está o maior desafio, pois haverá tentações para revisar o propósito. Se está muito difícil, muito complexo, muito distante, fora das expectativas, temos a tendência a diminuir o sonho, a desejar menos, a nos contentarmos com algo que não era bem aquilo que queríamos.
Mantenha o foco e mude o método, tantas vezes quantas forem necessárias para você chegar ao propósito almejado. Se você é capaz de sonhar, você é capaz de alcançar. Ninguém sonha algo que está fora de alcance, mesmo que nosso sonho pareça desproporcional e longínquo. Só sonhamos o que nossa mente e nosso coração já podem aceitar como possibilidade para nós.
Mantenha o foco e você será re¬com¬pen¬sado(a) com a conquista do que deseja.
REVISE E CORRIJA
Manter o foco não quer dizer que você não estará aberto(a) a revisões e correções de rumo. Olhando um mapa, você poderá ver muitos caminhos para chegar ao mesmo lugar e perceberá que alguns caminhos são mais fáceis e outros exigirão muitas voltas e vão apresentar dificuldades.
Revise seu mapa, escolha novos caminhos, corrija a estratégia e a metodologia, mas sem perder de vista o destino.
DESAPEGUE-SE
Um sucesso é apenas um sucesso, não define quem você é nem limita suas fronteiras. Estabeleça seu propósito, conquiste-o e desapegue-se dos resultados, para poder seguir leve para novos desafios e aventuras.
Estar desapegado é a melhor forma de aproveitar os resultados, por saber que serão temporários e apenas uma ponte para novas vivências. Assim como nenhum fracasso é eterno, nenhum sucesso é perene. Todo dia é uma nova oportunidade. Ainda bem!
CELEBRE AS CONQUISTAS
Desapego não quer dizer alienação. Seja feliz com suas conquistas, desenvolva a capacidade de alegrar-se diante da menor das conquistas e será ainda mais feliz com as grandes. Celebre e compartilhe sua alegria com as pessoas que contribuem com sua jornada. Isso alimentará um círculo virtuoso de bem-estar e bem-aventurança, que não tem a ver com aquilo que você alcança, mas com a forma com que você lida com tudo o que conquista.
CURTA A CAMINHADA
Não importa o tamanho da jornada, ela sempre terá um fim. Contudo, não é no destino que estará a totalidade de nossa conquista, mas no caminho. Aproveite cada passo da caminhada, ampliando seu olhar para perceber mais e aprender muito, de forma a, quando chegar ao resultado, poder ir além, sonhar ainda mais alto, mirar ainda mais longe e estar cada vez mais perto de quem você realmente é. Esse será seu maior e mais perene sucesso!
“Ter clareza do alvo é que definirá em que medida você está alcançando o sucesso”
Dulce Magalhães é Educadora, Pesquisadora, Escritora e Palestrante. Ph.D. em Filosofia com foco em Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA)
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Usando o feedback
Os líderes precisam dar feedback aos seus colaboradores
Por Sonia Jordão
"Você só conseguirá crescer se conhecer suas limitações" (Peter Senge).
Poucas pessoas sabem como realmente são por dentro, como é seu temperamento, quais são seus valores. Bem poucas fazem as perguntas: será que eu trabalho bem com as pessoas ou sou um solitário? Quais são os meus valores? Qual é o meu objetivo? Onde é o meu lugar? Qual é a minha contribuição para a sociedade?
Os líderes precisam dar feedback aos seus colaboradores. As pessoas precisam ter seu desempenho reconhecido para se sentirem motivadas a se aperfeiçoar e se preparar para novos desafios. Procure fazer o reconhecimento em público e, quando for possível, que seja recompensado. A recompensa não precisa ser em dinheiro, pode vir na forma de prêmios, cartões, placas, nomes no mural ou no jornal interno, ou ainda em reuniões comemorativas.
Há muitos anos procurando me conhecer para saber como poderia ser uma pessoa melhor me fiz algumas perguntas: Quais são minhas características pessoais? De que eu gosto? De que eu não gosto? Em que eu acredito? Foi preciso refletir muito para chegar às respostas, mas valeu a pena.
Foi muito interessante, também, perceber que uma
característica pessoal em determinada situação pode ser uma virtude e, em outra situação, um defeito. Com isto tenho trabalhado todas as minhas características para crescer como profissional e melhorar como pessoa.
Grandes realizadores se fizeram essas e outras perguntas. Souberam dizer não, em algumas situações, e quais eram os seus objetivos e ainda onde deveriam se situar. E agora, temos que aprender a fazer a mesma coisa, o que não é difícil.
Peter Drucker disse que: “Cada vez que se realiza algo importante, deve-se escrever o que se espera que aconteça. Quais são os resultados dessa decisão? As decisões mais importantes nas organizações são as pessoais. Não conhecemos nossa capacidade, nem aquilo de que necessitamos para melhorá-las. Temos de aprender onde nos situar e quais são nossas aptidões para extrair o maior benefício disso”.
Se você for um líder de equipe, procure feedback dos membros da equipe. Pergunte se eles sentem que você está fazendo o bastante, demais ou muito pouco. Solicitar da equipe um feedback cada vez mais sofisticado sobre seus comportamentos serve a dois propósitos: oferece um excelente modelo para os membros de sua equipe sobre como ser receptivo ao feedback e, se você fizer isso da maneira certa, faz com que receba o feedback mais preciso possível. Os membros da equipe poderão lhe dizer, por exemplo: “eu gostaria que você fizesse mais isto”, ou “o que queria era que você fizesse menos aquilo”, ou ainda “eu queria que você continuasse a fazer desta forma”.
Se você não tomar a iniciativa, pode acabar com apenas meio emprego. Num mundo em mudanças, sua função é quase iniciativa pura: planejando melhorias, pesquisando tendências, trabalhando junto a fornecedores para antecipar problemas e assim por diante.
Procure ir em frente. No fim das contas, quem você pensa que a organização vai querer manter: as pessoas que só fazem aquilo que lhes é dito para fazer ou as pessoas que fazem mais do que se espera? O novo papel exige uma mudança de mentalidade. Lembre-se: não espere que alguém lhe diga o que fazer. A liderança é conquistada, não oferecida. Adote uma orientação de longo prazo. Você precisa pensar em termos de tarefas que podem ser realizadas em semanas ou meses. Avalie regularmente o quanto você se sente desafiado pelo seu trabalho. Pense na história da selva africana: “Todos os dias quando a gazela acorda, ela sabe que precisará ser mais veloz que o leão, senão será morta.
Todos os dias, quando o leão acorda, ele sabe que precisará correr mais do que a gazela mais lenta, ou vai morrer de fome. Como pode ver, não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando seu dia começar, é bom você estar correndo”.
Extraído do livro A Arte de Liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado.
Sonia Jordão: Palestrante, consultora e facilitadora de cursos. Especialista em liderança com vasta experiência na área empresarial e acadêmica. Autora dos livros: A Arte de Liderar e E agora, Venceslau?. E-mail: tecer@soniajordao.com.br- Site: www.soniajordao.com.br
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O profissional do futuro - Num mundo globalizado
Todos os trabalhadores, independentemente de trabalharem nas linhas de produção ou nos escritórios, precisam se ver como um empresário.
Por Sonia Jordão
Em todo o mundo, a magnitude e a velocidade das mudanças têm causado, nos últimos tempos, um impacto dramático nas pessoas e em seus locais de trabalho. O ritmo das mudanças é muito rápido. E o futuro nos acena com uma aceleração ainda maior em termos de inovação, tecnologia e globalização.
Quando há um período de profundas modificações, o conhecimento se expande e aumenta em valor e poder. Uma das maiores mudanças é a transformação de uma economia baseada em indústrias para uma economia baseada em informações. Atualmente, a quantidade de conhecimento disponível é imensa. Objetivando crescimento intelectual e profissional, torna-se necessário saber selecionar o que devemos aprender e como investir nosso tempo.
Precisamos nos esforçar para melhorar nossa flexibilidade, velocidade e qualidade do trabalho realizado e ainda valorizar o que permanece como uma das medidas mais importantes: a produtividade. Isso porque as organizações sabem que os clientes não apenas exigem produtos e serviços rápidos e com qualidade impecável, mas também querem que eles não sejam caros.
Tudo mudou, muda e deverá mudar com uma rapidez cada vez maior. Por isso, nas organizações e até mesmo em nossa casa existem mudanças na maneira como nos relacionamos e na forma como buscamos uma vida mais longa, mais saudável e mais feliz.
Todos os trabalhadores, independentemente de trabalharem nas linhas de produção ou nos escritórios, precisam se ver como um empresário, um vendedor especializado de serviços com uma marca especial e que seja conhecida por todos: VOCÊ. Portanto, se você não fizer seu marketing pessoal, conseqüentemente, não obterá sucesso.
A cada dia, os profissionais precisam conhecer a si mesmos para saber quais características possuem, visando fortalecerem suas qualidades e trabalharem os seus defeitos na área profissional. Atualmente, as organizações procuram profissionais que tenham, entre outras coisas, integridade, entusiasmo, saúde, iniciativa, responsabilidade, bom humor, competência, capacidade de planejar, que sejam organizados e, ainda, que consigam ter um bom relacionamento interpessoal dentro do ambiente de trabalho.
Uma boa maneira de conseguir se diferenciar nesse novo contexto do mercado de trabalho é usar ao máximo a sua criatividade. Isso nada mais é do que buscar fazer de forma diferente aquilo que todos fazem da mesma forma. Para conseguir atingir os resultados esperados, pense numa nova maneira, mais prática, mais barata, mais rápida ou melhor de fazer as suas atividades. Assim, você conseguirá achar novas soluções para os problemas do dia-a-dia.
Tendo todo um novo mundo de informações disponíveis e conhecendo bem as regras do jogo, você poderá se destacar e inovar. Concentre-se em observar essas pequenas diferenças entre os profissionais e lembre-se sempre que o jogo pode mudar a qualquer momento. Apenas o bom profissional, ou seja, aquele que entende e conhece tudo o que acontece ao seu redor, será capaz de se adaptar perfeitamente às constantes mudanças.
Procure sempre se lembrar que os líderes não gostam de dois tipos de colaboradores: os que não fazem o que eles pedem e os que só fazem o que eles pedem. Busque fazer sempre mais e melhor. A melhoria contínua deve ser o maior desafio do ser humano.
Sonia Jordão é palestrante, consultora e facilitadora de cursos. Especialista em liderança com vasta experiência na área empresarial e acadêmica. Autora dos livros: A Arte de Liderar e E agora, Venceslau?. E-mail: tecer@soniajordao.com.br -Site: www.soniajordao.com.br
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Os Ladrões de Tempo
No mundo corporativo, há uma legião de ladrões de tempo. Saiba como evitá-los.
Por Tom Coelho
“O tempo perdido não se encontra nunca mais.”
(Benjamin Franklin)
No mundo corporativo, há uma legião de ladrões de tempo, os chamados desperdiçadores. Eles agem sorrateiramente, reduzindo sua eficácia, comprometendo suas metas, causando-lhe até mesmo stress. Veja a seguir os principais fatores mapeados e se estão presentes em sua vida.
1. Interrupções: Significa que você tem valor, amigos ou detém informações de interesse dos outros. As interrupções acontecem por telefone, e-mail ou visitam você pessoalmente. Para reduzi-las:
- aprenda a dizer NÃO e seja firme;
- atenda às pessoas em pé;
- mantenha a porta da sala fechada;
- continue escrevendo enquanto atende alguém;
- filtre telefonemas e e-mails;
- evite ser receptivo a visitantes inesperados;
- retire ou desloque cadeiras da sala dificultando a acomodação de terceiros;
- use as palavras mágicas: desculpe-me, por favor e por gentileza.
2. Comunicação Deficiente: ocorre quando responsabilidades e autoridade não estão definidas com clareza na empresa ou quando há subordinados em excesso. A posologia consiste em:
- defina com clareza metas e objetivos;
- determine responsabilidades e atribuições;
- utilize linguagem simples, concisa e sem ambigüidades;
- na dúvida, pergunte: procure fazer certo na primeira vez;
- forneça informações seguras para permitir tomada de decisão consistente e ação imediata;
- lembre-se de que a regra de ouro chama-se delegar.
3. Reuniões: muitas são desnecessárias e agendadas sem critério. Duram muito tempo, tornam-se evasivas e não geram resultados. Para torná-las produtivas:
- agende as reuniões com antecedência;
- convoque apenas as pessoas diretamente envolvidas com o tema;
- defina a pauta e comunique a todos com antecedência;
- determine horário de início e término;
- mantenha a pauta e busque a objetividade;
- não permita interrupções externas e mantenha celulares desligados;
- promova debates, tire conclusões, tome decisões e determine como agir;
- faça ata ou memorando com resumo da reunião constando a assinatura dos participantes;
- faça reuniões curtas em pé.
4. Telefone: imprescindível na vida moderna, constitui-se no maior vilão das interrupções e, por conseguinte, numa das fontes mais significativas de desperdício de tempo. Algumas dicas:
- reserve horários para fazer e receber ligações;
- relacione os telefonemas a serem feitos em ordem de prioridade;
- prepare-se para cada uma das ligações, munindo-se previamente de informações;
- identifique-se no início da ligação – as pessoas não são obrigadas a reconhecer sua voz;
- deixe recados claros e concisos;
- concentre-se em ouvir a pessoa com quem estiver falando, evitando desviar a atenção;
- nunca prometa retornar uma ligação se estiver despreparado para tal ou não desejar fazê-lo;
- nada de desculpas ou mentiras: use da honestidade dizendo que não pode atender naquele momento;
- encerre suas conversas com cortesia, porém com objetividade.
5. Celular: na mesma proporção em que agiliza as comunicações, também atua como agente de interrupções, invadindo inclusive sua privacidade. Sugestões para otimizar seu uso:
- desligue o aparelho quando estiver em reunião ou realizando tarefa que exija concentração;
- mantenha-o em vibracall para atender urgências;
- utilize o olho mágico para selecionar as ligações que merecem ser atendidas;
- recolha mensagens na caixa postal duas vezes por dia e retorne as ligações em horários pré-determinados;
- grave uma mensagem personalizada no correio de voz;
- considere a possibilidade de habilitar um segundo aparelho apenas para emergências, mas divulgue o número com seletividade;
- evite atendê-lo quando estiver em casa.
6. E-mail: substitui o telefone com objetividade. Entretanto, quando utilizado sem critério, torna-se fonte de interrupções, mal-entendidos e até disputas judiciais. Formas de gerenciá-lo:
- instale um serviço anti-spam;
- baixe suas mensagens no máximo quatro vezes por dia em horários pré-definidos;
- responda de imediato as mensagens recebidas e determine um tempo para fazê-lo;
- utilize o subject (assunto) para classificar as mensagens;
- organize pastas diversas para arquivamento;
- crie regras de mensagens;
- tenha uma assinatura eletrônica;
- utilize um corretor ortográfico.
7. Internet e Intranet: são instrumentos importantes para acelerar a comunicação e busca de informações. Mas vale lembrar que, às vezes, pode ser mais eficiente caminhar até a estação de trabalho de seu colega. Além disso:
- avalie de maneira criteriosa o uso da intranet e de comunicadores como ICQ e Messenger;
- tal qual o telefone e e-mail, seja seletivo e coerente no envio e recebimento de mensagens;
- atenção com os sites navegados em virtude do risco de vírus e spys (programas espiões);
- solicite suporte ao responsável pela manutenção da rede caso note alguma irregularidade;
- deixe de assinar e-zines e não autorize a divulgação de dados seus ou da empresa.
Decerto há outros fatores de desperdício de tempo que poderíamos relacionar. Mas atentando para estes sete aspectos, é certo que sua produtividade pessoal aumentará.
E esteja sempre a postos para a ocorrência de imprevistos. Eles são imponderáveis, por isso, deixe espaço em sua agenda para contratempos. Planeje seu dia e sua vida tendo em mente: “e se...”.
exto de 27/02/2007
Tom Coelho!, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. - site www.tomcoelho.com.br
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Dever de vigiar. Vítima de agressão policial tem direito a indenização
Estado é responsável por vigiar as ações daqueles que o representam, como os policiais civis. O entendimento é do juiz Émerson Luis Pereira Cajango, da comarca de Mirassol D'Oeste (MT), que condenou o estado de Mato Grosso a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais a uma mulher vítima de agressão policial enquanto estava presa. Cabe recurso.
“Estamos diante da chamada Responsabilidade Objetiva ou Extracontratual, onde o Estado será responsabilizado pela ‘culpa in vigilando’, isto é, pelo não cumprimento do dever que ele tinha em 'vigiar' aqueles que o representa, agindo em seu nome”, afirmou o juiz. Segundo ele, esse tipo de agressão é realizado “às escuras”, sem testemunhas.
Émerson Cajango se baseou no relato da vítima e nos depoimentos das testemunhas que a visitaram enquanto foi mantida presa. Para o juiz, a palavra da vítima tem grande relevância, “mormente, quando as circunstâncias e os fatos apresentados nos autos levam-nos a crer que suas alegações são verdadeiras”.
Apesar de a vítima ter feito o exame de corpo delito, que constatou as lesões, sete dias após a sua prisão, o juiz considerou que o quadro probatório leva a crer que agressões foram realizadas durante a prisão. “Percebe-se que a autora restou presa, e quando lá estava, sofreu agressões físicas, o que é inaceitável em nosso ordenamento jurídico, gerando inegáveis constrangimentos”, afirmou o juiz, fundamentando a sentença quanto ao dano moral.
Segundo os autos, a vítima estava na BR 174 à espera de uma carona para seguir viagem até a cidade de Cáceres (MT), na companhia de outra pessoa, quando foram abordados por policiais civis. A vítima alegou que sem nenhum motivo justificado, os dois foram presos sob a acusação de formação de quadrilha.
Além da prisão ilegal, a mulher afirmou que foi agredida fisicamente pelos policiais. A vítima alega ainda que foi obrigada, por meios escusos de coação e selvageria, a assinar um termo de interrogatório, na forma e versão policial.
Na defesa, o estado argumentou que só há prova da existência de lesões corporais, mas isso não comprova que elas foram praticadas pelos agentes policiais, funcionários do Estado.
Processo 185/2003 – 12.733- Revista Consultor Jurídico, 2 de fevereiro de 2008
Fonte; WWW.conjur.com.br
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Prisão espetacular. Preso injustamente pela PF consegue indenização
Quanto vale a moral de alguém preso injustamente? A Justiça Federal de São Paulo arbitrou em R$ 500 mil o valor da indenização por danos morais que a União terá de pagar para o empresário Hugo Sterman Filho, preso indevidamente pela Polícia Federal na Operação Anaconda.
O empresário foi confundido pela Polícia Federal com Hugo Carlette — o verdadeiro suspeito. O Ministério Público passou o erro adiante, em denúncia encaminhada ao Judiciário, e Sterman acabou ficando preso por 11 dias. Em troca, garantiu na primeira instância da Justiça Federal de São Paulo meio milhão de reais como reparação. Cabe recurso.
A reportagem publicada, nesta segunda-feira (2/7), pelo jornal Folha de S. Paulo mostra que na ânsia de usar as algemas, a Polícia Federal comete erros graves e o equívoco de sua atuação é sentido no próprio bolso. Segundo a Folha, das cinco operações deflagradas pela PF que resultaram em grande barulho — Anaconda, Vampiro, Curupira, Sanguessuga e Furacão — duas delas resultaram na prisão indevida de dois homens.
Outro caso de prisão ilegal foi o do engenheiro Antônio Carlos Hummel, diretor de Florestas do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), preso em 2005, durante a Operação Curupira, com mais 110 pessoas acusadas de integrar um esquema de desmatamento e extração de madeira.
Levado algemado de Brasília para a prisão em Cuiabá (MT), onde ficou por cinco dias, Hummel foi solto porque nem a PF nem o Ministério Público Federal apresentaram provas do suposto envolvimento dele. O engenheiro também está processando seus acusadores.
Como Hummel também foi alvo da Operação Mapinguari, e nesta nenhuma irregularidade no decreto de prisão foi encontrada, a Justiça Federal de Mato Grosso acatou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o engenheiro e 48 acusados de extração ilegal de madeira no Parque Nacional do Xingu.
Ainda na Operação Curupira, um escritório de advocacia de Mato Grosso sofreu uma operação de busca e apreensão no lugar de uma banca vizinha, que era investigada. Em outro episódio, a Polícia Federal indiciou um homem, de quem tinha apenas o prenome, mas cuja empresa tinha um nome similar ao de outra que era efetivamente investigada. O empresário, que não quis ser identificado na reportagem da Folha, não foi preso, mas denunciado pelo Ministério Público. Ele entrou com uma ação para excluir o nome dele do cadastro criminal.
“Há uma infinidade de casos de erros na investigação. E o clima social de apoio à repressão e a repercussão positiva da mídia levam a Polícia Federal a executar operações ao arrepio da lei. Essa é a preocupação dos advogados. Não somos contra a investigação. A gente aplaude o combate à corrupção, mas ele tem de ser feito legalmente”, disse o advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.
Revista Consultor Jurídico, 2 de julho de 2007- Fonte; WWW.conjur.com.br
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Preço do amor. Punir abandono afetivo não aproxima pais e filhos
por Leonardo Castro e Isabel Elaine
“Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos (artigo 22, da lei 8.069/90). A educação abrange não somente a escolaridade, mas também a convivência familiar, o afeto, amor, carinho, ir ao parque, jogar futebol, brincar, passear, visitar, estabelecer paradigmas, criar condições para que a presença do pai ajude no desenvolvimento da criança”1, Mário Romano Maggioni.
Sob essas palavras, o nobre magistrado de Capão da Canoa, Rio Grande do Sul, reconheceu o direito a indenização à filha abandonada afetivamente pelo pai. O processo, em fase de execução, traz em seu teor o preço do abandono: 200 salários mínimos.
A história2, é de uma jovem, fruto de um relacionamento sem sucesso, que desde os seus primeiros anos se relacionou com o genitor apenas em audiências. Apesar do comprometimento, inclusive em juízo, de estar presente durante a criação da filha, o pai jamais demonstrou qualquer afetividade pela criança, pouco se importando com a sua existência, dando-se por satisfeito com a condenação à obrigação material. Infelizmente, casos como esse têm deixado a esfera da exceção. Filhos já não são mais âncoras de responsabilidade, capazes de transformar até a vida dos mais desregrados. Ao contrário, nunca houve tamanha isenção de obrigações. A família há muito não ostenta as vestes sagradas de outrora.
Casos análogos
Por onde surgiu, o tema gerou polêmica. Diferentemente de outras matérias complexas e sem precedentes que vêm surgindo nos Tribunais, em casos de abandono exclusivamente afetivo não tem havido “pisar em ovos” durante os julgamentos. As correntes são sempre defendidas com unhas e dentes, já havendo registros de debates grandiosos entre os membros de certas Cortes (nesse sentido, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul desponta na vanguarda).
O abandono afetivo não é novidade no meio jurídico. A sua existência é constantemente analisada em hipóteses de destituição familiar, a mais grave pena civil a ser imputada a famílias flagrantemente desestruturadas. Nesses casos extremos, sem qualquer possibilidade de conciliação que resguarde os direitos da criança, temos a ausência de afeto como parte de um conjunto de males causadores de verdadeira tortura ao filho abandonado. Falta não só carinho, como condições de sobrevivência. Desse modo, é incontestável a existência do dano.
Contudo, aqui discuto a indenização pelo abandono unicamente afetivo. O pai, cumpridor dos deveres materiais, acintosamente se desobriga da criação do filho. Todavia, o menosprezo vindo daquele que jamais deveria eximir-se do afeto causa angústia à criança. Se há dano e culpa3, há o dever de reparar. Entretanto, é imprudente essa absorção plena do conflito familiar de natureza afetiva ao campo da responsabilidade civil, sob o risco de invasão dos limites do Direito de Família. Então surge o questionamento inevitável:
Compete ao Judiciário equilibrar através da quantificação pecuniária a relação entre pais e filhos e, concomitantemente, punir os faltosos aos deveres afetivos presumivelmente inerentes à paternidade?
Da compreensão jurisprudencial e doutrinária extraímos duas respostas antagônicas. Temos o dever de afeto como suposta parcela da educação prevista em Lei, em oposição à chamada “monetarização do amor”, fundamentada na cautela. O temor surge a partir do prelúdio de uma enxurrada de ações indenizatórias munidas de interesses mercenários, não havendo como exigir do julgador a faculdade sobrenatural do discernimento entre a real angústia do abandono e a ganância inescrupulosa.
Encruzilhada jurídica
Atualmente, estamos entre a ruína e a glória na responsabilidade civil. Temos triunfado na proteção aos direitos fundamentais que, até então, eram considerados de menor importância. Há pouco tempo, ficávamos surpresos com as indenizações concedidas no exterior. Reparação por dano à imagem? Só para grandes celebridades. Era imperiosa a reformulação do instituto. Por sorte, não faltou quem militasse a favor dessa metamorfose.
Em um exercício mental rápido, é fácil comprovar a transformação. Relembre: há uma década (1997), quantas pessoas próximas a você receberam indenização por dano moral? O advento do novo Código Civil foi a resposta parcial às aflições. Maravilhada com o novo cenário jurídico, extremamente protetor, a vítima passou a exigir o respeito que lhe era devido há tanto tempo. Entrementes, até onde essa comporta pode ser aberta?
Sobre o questionamento, explica o desembargador Luiz Felipe Brasil Santos:
“A matéria é polêmica e alcançar-se uma solução não prescinde do enfrentamento de um dos problemas mais instigantes da responsabilidade civil, qual seja, determinar quais danos extrapatrimoniais, dentre aqueles que ocorrem ordinariamente, são passíveis de reparação pecuniária. Isso porque a noção do que seja dano se altera com a dinâmica social, sendo ampliado a cada dia o conjunto dos eventos cuja repercussão é tirada daquilo que se considera inerente à existência humana e transferida ao autor do fato. Assim situações anteriormente tidas como "fatos da vida", hoje são tratadas como danos que merecem a atenção do Poder Judiciário, a exemplo do dano à imagem e à intimidade da pessoa”.
Há quem defenda que, na dúvida, é melhor indenizar, sob o risco de injusto ainda maior. Nesse caso, o dever de reparar deixa a classe extraordinária da valorização aos danos reais e relevantes e passa a ser um reles prêmio de consolação. Infelizmente.
Amar e educar
Artigo 22 da Lei 8.069/90, in verbis: “Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais” (grifo não original).
Educar é formar inteligência. Dar condições para que a criança viva em meio a um ambiente produtivo. Dessa obrigação o pai não pode eximir-se, devendo indenizar caso o faça, pois fere a tutela ao tríplice dever previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Cabe aos pais a vigilância e a manutenção do espaço onde a educação se desenvolve. Para que isso seja feito, não há necessidade de afeto. Amor e dever não se misturam. Se o amor e o aprendizado se fundissem, o Ministério Público seria parte legítima para requerer a indenização, pois haveria lesão concreta ao princípio legal previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
“Não cabe ao Judiciário condenar alguém ao pagamento de indenização por desamor”4.
Outra tese defendida diz respeito ao dever de companhia. Ao meu ver, a tese não merece êxito. O Código Civil, em seu artigo 15895, prevê a companhia de forma facultativa, sempre observados os interesses da criança. É um retrocesso a consideração da companhia indispensável do pai, pois remete-nos ao retorno do extinto pátrio poder. Uma criança pode viver de forma saudável, em família6, sob a guarda de apenas um dos pais, sem qualquer prejuízo ao seu desenvolvimento.
Por fim, há a defesa do fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III, CF). O seu reconhecimento no campo da responsabilidade civil é uma grande conquista para os defensores do instituto. A dignidade humana, tida como capricho há pouco tempo, ganhou espaço na tutela aos direitos morais. A ampliação de sua aplicabilidade foi necessária à proteção do frágil fundamento. No entanto, o seu emprego deve ser feito de forma cautelosa. Muitos males ferem a dignidade humana, até mesmo o mero dissabor, mas nem todos são merecedores de indenização. Sobre o assunto, Anderson Schreiber, em seu livro “Novos Paradigmas da Responsabilidade Civil”, ressalta:
“A princípio, portanto, nem o recurso à cláusula geral da tutela da dignidade humana nem as suas especificações conceituais mais comuns têm se mostrado aptas a servir direta e definitivamente de critério para a seleção dos interesses merecedores de tutela. Longe de reduzir ou limitar a tutela da personalidade, tal conclusão pretende apenas demonstrar o exclusivo recurso nominal ao valor constitucional não legitima e não desautoriza pedidos de ressarcimento de danos não patrimoniais. A alusão descomprometida à dignidade humana periga resultar, ao contrário, na banalização justamente daquilo que mais se pretende proteger, de forma semelhante ao que começa a ocorrer no direito brasileiro com a boa-fé objetiva”.
Da impropriedade do critério do potencial perigo
“A ausência, o descaso e a rejeição do pai em relação ao filho recém nascido, ou em desenvolvimento, violam a sua honra e a sua imagem. Basta atentar para os jovens drogados e ver-se-á que grande parte deles derivam de pais que não lhes dedicam amor e carinho; assim também em relação aos criminosos” 7.
É insensato vincular a propensão à vida criminosa ao abandono afetivo paterno. Ao fazê-lo, o ilustre magistrado, não intencionalmente, estereotipou a figura do criminoso, dando possível margem ao preconceito. Não que tenha dito algo inverídico, de forma alguma. É notório que a população carcerária dominante é parda, pobre e originária de famílias destruídas. Também não é segredo que essa desigualdade é fruto de problemas sociais graves, e não apenas familiares.
Destarte, é leviano dizer que uma criança foi lesada por possuir um perfil semelhante ao da maioria dos criminosos. Se esse raciocínio prosperasse em nossa sociedade, teríamos uma legião de discriminados pelo potencial perigo que ofertam.
Não podemos considerar o abandono afetivo como causador da triste realidade que catapulta a criminalidade à ascensão. É equivocado reduzir ao âmbito familiar um problema de origem social. A trajetória comum aos criminosos é formada por uma série de eventos infaustos. São nascidos em famílias completamente desestruturadas, expostos à miséria desde cedo, sem acesso ao lazer e à educação, vítimas do racismo social e do descaso governamental.
No entanto, não há como imputar uma possível natureza perigosa ao detentor de aspectos comuns aos criminosos, sob o risco de discriminá-lo. O crime nasce da má-índole, da falta de caráter. A tendência criminosa não é qualidade da pobreza, da raça ou da situação familiar.
Portanto, não há o que discutir acerca do assunto. Diante da delicadeza do tema, não podemos indenizar alguém por possuir característica habitual ao mundo do crime.
Amor dissimulado
“No caso de abandono ou do descumprimento injustificado do dever de sustento, guarda e educação dos filhos, porém, a legislação prevê como punição a perda do poder familiar, antigo pátrio-poder, tanto no Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 24, quanto no Código Civil, artigo 1638, inciso II. Assim, o ordenamento jurídico, com a determinação da perda do poder familiar, a mais grave pena civil a ser imputada a um pai, já se encarrega da função punitiva e, principalmente, dissuasória, mostrando eficientemente aos indivíduos que o Direito e a sociedade não se compadecem com a conduta do abandono, com o que cai por terra a justificativa mais pungente dos que defendem a indenização pelo abandono moral. Por outro lado, é preciso levar em conta que, muitas vezes, aquele que fica com a guarda isolada da criança transfere a ela os sentimentos de ódio e vingança nutridos contra o ex-companheiro, sem olvidar ainda a questão de que a indenização pode não atender exatamente o sofrimento do menor, mas também a ambição financeira daquele que foi preterido no relacionamento amoroso”. Ministro Fernan Gonçalves (REsp. 757.411/MG).
Procuro imaginar o futuro do Direito de Família, caso a indenização por abandono afetivo prospere. Atualmente, temos a destituição familiar como punição civil mais grave aos pais relapsos. Aplica-se a medida àquelas situações em que o genitor possui sérios desajustes em sua conduta social, associados ao abandono não só afetivo. Em tais hipóteses, é inequívoca a existência do dano causado à criança. Então, cabe ao julgador protegê-la, decretando a completa incapacidade daqueles pais de manter alguém sob os seus cuidados.
Ao cumular a destituição com a indenização, podemos criar um problema mais grave. Muitos pais, não por amor, mas por temer a Justiça, passarão a exigir o direito de participar ativamente da vida do filho. Ainda que seja um mau pai, fará questão da convivência, e a mãe, zelosa, será obrigada a partilhar a guarda com alguém que claramente não possui qualquer afeto pela criança. A condição de amor compulsório poderá ser ainda pior que a ausência. Teremos, então, a figura do abandono do pai presente, visto que não é preciso estar distante fisicamente para demonstrar a falta de interesse afetivo.
Caso seja constatado que a presença do pai é nociva, a mãe poderá exigir judicialmente5 o seu afastamento, que será forçosamente impedido de exercer a guarda do filho, abandonando-o por força de sentença. Então, nesses casos, será impossível exigir qualquer indenização pelo desprezo paterno. Logo, a presença potencialmente prejudicial será a principal tese de defesa dos pais ausentes, sujeitos à única condenação possível: a destituição da guarda, já aplicada a situações da mesma espécie, imputando ao requerente a complicada comprovação do abandono. Desse ponto de vista, em processos de indenização, haverá de um lado um filho reclamando por carinho, e do outro, um pai que alega e declara publicamente o desamor para isentar-se da obrigação, cabendo ao magistrado a redução das angústias à pecúnia.
“Penso que o Direito de Família tem princípios próprios que não podem receber influências de outros princípios que são atinentes exclusivamente ou — no mínimo — mais fortemente — a outras ramificações do Direito”. Ministro César Asfor Rocha (REsp 757.411/MG).
“(...) embora dolorosa nas relações entre pais e filhos, marido e mulher, nas relações de família em geral — resolve-se no campo do Direito de Família, exclusivamente”. Ministro Aldia Passarinho Júnior (REsp. 757.411/MG).
Destarte, a indenização por abandono afetivo, no meu entender, não alcança a sua função social e tampouco demonstra qualquer finalidade positiva em sua aplicação.
O afeto não é decorrente do vínculo genético. Se não houver uma tentativa de aproximação de ambos os lados, a relação entre pai e filho estará predestinada ao fracasso. A relação afetuosa deverá ser fruto de aproximação espontânea, cultivada reciprocamente, e não de força judicial. Exceto em casos extremos, onde haja comprovado nexo causal entre certo dano específico e o abandono, não vejo razão para o reconhecimento do dever de reparação. Após a lide, uma barreira intransponível os afastará ainda mais, sepultando qualquer tentativa futura de reconciliação.
Se a solução para o problema fosse o dinheiro, a própria pensão alimentícia atenderia o objeto da reparação, o que não ocorre. Quanto ao efeito dissuasório e punitivo, corremos o risco de mal ainda maior, como foi dito anteriormente.
A indenização deve ser encarada como medida extrema, onde certo dano de natureza grave é sanado através da pecúnia. O alargamento exacerbado poderá levar à desvalorização da ciência jurídica ao simples mercantilismo.
Nas relações familiares, cabe ao Judiciário apenas a defesa aos direitos fundamentais do menor. A sua intromissão em questões relacionadas ao sentimento é abusiva, perigosa e põe em risco relações que não são de sua alçada. O amor é resultado de algo alheio ao nosso entendimento, e não da coação.
“Se tanto o pai quanto a filha tiverem a grandeza de perdoarem as faltas que um e outro possam ter cometido, se cada um conseguir superar as suas dificuldades pessoais e minimizar ou sublimar as mágoas porventura existentes, certamente terão ganhos afetivos e serão mais felizes. Mas o certo é que esse conflito, que ainda persiste, não poderá ser resolvido com qualquer indenização, pelo contrário...”. Desembargador Sérgio Fernando Vasconcellos Chaves.
O dinheiro não é a resposta para tudo.
Revista Consultor Jurídico, 6 de dezembro de 2007
Fonte: WWW.conjur.com.br
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