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Tudo o que sobe, desce
Foi durante uma aula do colegial que a ficha caiu. O professor de física estava explicando as leis de Newton e, quando chegou à terceira lei, provocou em mim uma reflexão que me acompanha até hoje - e que cada vez menos tem a ver com a física. A terceira lei de Newton, também conhecida como Lei da Ação e Reação diz: “Se um corpo A aplica uma força sobre um corpo B, esse corpo aplicará simultaneamente uma força de igual intensidade e direção, mas no sentido contrário, sobre o corpo A”.
Ora, se a ciência afirma e prova que, do ponto de vista físico, nenhuma ação fica sem uma reação, uma resposta, o mesmo pode acontecer em outras situações, especialmente aquelas provocadas deliberadamente pelo ser humano. Você já deve ter escutado frases do tipo: “tudo o que sobe desce”, “o que vai vem”, “aqui se faz, aqui se paga”, “assim como plantares, assim colherás”. São alguns exemplos da sabedoria popular que expressam essa lei da ação e reação, porém direcionados à vida cotidiana das pessoas.
Mas o ser humano ainda tem uma imensa dificuldade de perceber sua conexão com o mundo, de estabelecer uma relação entre as causas e os efeitos. Chega até a achar que não existe uma relação tão íntima entre ambos. Acredite: a dita lei pode ser percebida influenciando as relações humanas, a política, a ecologia, as religiões, enfim, é uma lei que ajuda a explicar a vida.
Diálogo contínuo
A maneira como percebemos o mundo deriva dessa relação de causa e efeito. O psicanalista austríaco e pesquisador da psicologia infantil René Spitz, falecido em 1979, descobriu que o fator fundamental para a pessoa construir uma imagem de si mesma e de sua interação com o mundo é o conjunto de relações que ela estabelece, especialmente na dupla mãe-bebê. É isso que acontece quando os bebês aprendem a avaliar a relação entre o que fazem e os episódios que se seguem, protagonizados por sua mãe. Quando ele chora, ela acode. Se ele ri, ela o enche de beijinhos.
Spitz denomina essa relação de diálogo e diz: “O diálogo é o ciclo da seqüência ação-reação dentro das relações mãe-bebê. E é esse ciclo que permite ao bebê transformar, pouco a pouco, os estímulos sem significados em sinais significativos”. Então, para o bebê, o mundo e ele mesmo começam a fazer sentido. Os pais são os agentes que provocam, com seus atos, a resposta dos filhos. Mas o inverso também é verdade: os filhos causam reações dos pais. E o resto da vida será uma repetição desse diálogo. Portanto, quanto maior for a percepção de que o diálogo é responsável por nossa relação com o mundo, maior o nível de maturidade.
Ação individual é social
Assim como acontece com o indivíduo desde a tenra idade, a sociedade também amadurece. O sociólogo alemão Max Weber diz que a ação social em si já é uma reação a uma ação prévia, e que a ordem social não é uma realidade exterior ao indivíduo, mas deriva dele e com ele se relaciona. Cada ação humana, por pequena que seja, provoca uma reação que atinge o autor da ação, mas atinge também a outros. Uma ação individual nunca estará livre de ser uma ação social. Tudo o que você joga para cima cai. E não apenas na sua cabeça.
De acordo com o sociólogo, as inúmeras ações humanas que acontecem a todo instante provocam reações em igual número. E essa trama vai interferindo, mudando, melhorando ou piorando o que poderíamos chamar de tecido social - ou, simplesmente, sociedade. Assim como o bebê, a humanidade precisa se dar conta do significado de seus atos para construir sua própria identidade e evoluir.
Lei do karma
Essa relação entre causa e efeito é, há milhares de anos, aceita e considerada uma realidade inquestionável por várias filosofias orientais. Conhecida como “lei do karma”, ela diz que o que somos hoje deve-se aos pensamentos que resultaram nos atos de ontem. E que são nossos atuais pensamentos que constroem nossas ações hoje e amanhã. Por isso, karma em sânscrito significa literalmente ação: são as atitudes que tomamos, que têm um efeito em nós e em todo o Universo.
No Ocidente a maioria das pessoas entende o karma como uma espécie de fatalidade, uma força do destino que surge do nosso passado. Corretamente entendido, o karma não é uma desculpa para a aceitação das coisas tais como estão, mas um incentivo para aproveitar o presente da forma mais criativa e positiva possível, em que toda experiência pode se converter em crescimento e maior consciência das ações.
Vimos que a psicologia, a física e até a filosofia oriental se debruçam com atenção sobre o assunto. Mas não precisamos de teorias para perceber que estamos constantemente fazendo trocas. Basta observar sua própria vida e o mundo à sua volta. Veja um exemplo retirado do mundo da arte: dois consagrados pintores modernos, Pablo Picasso e Henri Matisse, evoluíram sua arte através de uma “conversa” entre suas obras, em um típico processo de ação e reação. Tudo começou quando, em 1905, Matisse pintou um quadro a que chamou Le Bonheur de Vivre. Picasso sentiu-se afetado e estimulado pela obra e respondeu com outra, a Demoiselles d’Avignon, que é tida como sua primeira pintura cubista. A tréplica de Matisse veio com a radical L’Atelier Rouge, dando continuidade às provocações artísticas, em que cada quadro buscava criar uma nova linguagem, como que aguardando a resposta.
Consta que essa relação entre os dois gênios continuou até a década de 40 e foi responsável por uma evolução espetacular da arte de ambos. Além de agradar ao público, eles tinham uma ação particular que provocava uma reação correspondente, em um diálogo contínuo, provocador, singular e belo.
Episódios equivalentes ocorrem em todas as áreas. Lembro-me de uma entrevista em um canal de esportes, da qual participavam as campeãs de basquete Hortência e Paula. As duas deixaram claro que, quando jogavam, em times opostos ou juntas na Seleção Brasileira, dependiam uma da outra, mas não apenas dos passes, e sim da própria performance individual de cada uma. Uma cesta espetacular da Hortência “provocava” Paula a outra cesta espetacular, e vice-versa, em um crescendo que parecia não ter fim, como no caso dos artistas. Aliás, algumas cestas foram verdadeiras pinturas.
A escolha é sua
Se você ofende alguém com uma palavra dura (a ação), está, ao mesmo tempo, transformando-se em alvo de ressentimento (a reação). Um palavrão, portanto, pode fazer mais mal a quem o proferiu do que àquele a quem foi dirigido, por ajudar a criar de modo explícito um clima de animosidade ou até de ódio. Por falar nisso, o próprio ódio também é assim, causa mais malefício a quem o produz do que a quem deveria recebê-lo.
E o pior é que há grande chance de que, na reação, seja mantida a essência, mas se aumente a intensidade. Um episódio curioso, ocorrido em Curitiba na década de 60, entrou para a história e até virou filme, com o nome A Guerra do Pente. Em uma praça de comércio popular, um freguês comprou um pente e foi, por algum motivo, mal atendido. Essa foi a ação. Agora veja a reação: o freguês queixou-se do mau atendimento em altos brados, o que provocou solidariedade de outros clientes, que começaram a ofender o comerciante e estenderam as ofensas aos comerciantes vizinhos. No final, toda a praça foi depredada pela população, em uma verdadeira guerra que não deixou uma loja ou banca de camelô inteira, exigindo a intervenção da polícia e dos bombeiros. Ódio gera ódio, só que maior.
Já o amor... Ah, o amor. Esse também, para nossa felicidade, é especialista em provocar reações proporcionais. Foi na mesma Curitiba que uma médica pediatra, de nome Zilda Arns, ao perceber que as doenças das crianças que chegavam ao seu ambulatório tinham menos relação com a medicina e mais com a fome ou os maus-tratos, iniciou uma campanha social, pequena, individual, para arrecadar fundos e melhorar a vida dos pequenos de uma comunidade. Essa ação pessoal, iniciada há 20 anos, transformou-se no melhor exemplo de reação social, com o nome Campanha da Solidariedade, e atende hoje, em todo o Brasil, milhões de crianças pobres com suplementos alimentares e orientações às mães. Amor também gera amor. É uma questão de escolha.
Na hora de decidir ou na hora de agir, na maioria das vezes é difícil saber o que é certo ou errado - se é que existem categorias tão absolutas. Mas uma coisa é fato: certa ou errada, a ação desencadeará uma reação. Basta arcar com a conseqüência. É a lei.
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Texto publicado na revista Vida Simples. Fonte: Eugenio Mussak |
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UMA COISA DE CADA VEZ
Certa vez, muito intrigado, um discípulo abordou seu velho mestre:
– Como o senhor, de idade tão avançada, parece ainda mais novo do que nós? Como pode estar sempre tão bem disposto e alegre?
A resposta veio em seguida, mas naquele tom calmo, comum aos sábios, ondulante e com todas as pausas:
– Quando eu como, eu como. Quando eu durmo, eu durmo.
Este pequena história, de nobre mas desconhecida origem oriental, nos dá pistas para investigar um tema que muito nos interessa nos dias de hoje: a dificuldade que temos ao tentar fazer uma coisa de cada vez.
O homem é um ser explorador por natureza. Graças a essa característica espalhou-se pelo planeta, povoando todos os continentes. No entanto, a mais importante das explorações do homem deveria a ser a exploração de si mesmo, de seu mundo interior, intrapsíquico, espiritual. O “conhece-te a ti mesmo” socrático encontra apoio na psicologia moderna, que deseja um homem autoconsciente, equilibrado, senhor de seus pensamentos e de seu destino.
A exploração interna, entretanto, tem estado em crise. Informações, tarefas, cobranças, desejos, ofertas, temos tudo em excesso. Não dá tempo para que olhemos para dentro, porque temos muito aí fora para olhar.
Além disso, a vida moderna às vezes faz exigências paradoxais. Aquelas que, quando você atende a uma, não pode atender à outra. Manda você estar ligado a todos os assuntos ao mesmo tempo, “antenado”, “plugado”, “conectado”, só para usar alguns dos neologismos pertinentes, mas também manda você ser calmo, sereno e criativo. E dá pra ser tudo isso simultâneamente?
Lembro-me de um amigo praticante de yoga que foi convocado para servir o exército. Ele me disse:
– Está sendo uma boa experiência. A única coisa que não entendo é quando o sargento manda a gente encolher a barriga e encher o peito de ar. Como fazer isso, se para respirar fundo eu preciso baixar o diafragma, e então não dá para encolher a barriga?
O mundo atualmente também é assim. Manda você respirar fundo e encolher a barriga. O principal de todos os conselhos “modernos” que costumamos receber, e às vezes dar, é que devemos ser “multimídias” – fazer várias coisas, ter diversas habilidades, usar muitos canais de comunicação, mudar de atividade continuamente.
Os seres multimídia queixam-se, entretanto, de algumas dificuldades:
• é necessário ser especialista e generalista ao mesmo tempo;
• lidar com o volume de informações que, se por um lado são o oxigênio da maioria das profissões, são intoxicantes em função de seu excesso;
• fazer várias coisas ao mesmo tempo com a mesma qualidade obtida em tarefas de dedicação exclusiva;
• multiplicar o tempo, que parece cada vez mais raro, e que escorre entre nossos dedos.
O homem moderno tem de parar e pensar. Perceber que rupturas não são modernas, mas novas propostas, sim. O moderno sente o presente, olha para o futuro e utiliza o passado como ensinamento. O moderno não despreza o que a humanidade pensou, escreveu e produziu nos últimos seis milênios, e sim adapta esse legado à atualidade.
De repente você se descobre em um mundo com muita atividade, muita informação, muita exigência e pouco tempo. É uma combinação explosiva, cujo resultado pode ser representado por produtividade baixa e estresse alto. A não ser – felizmente sempre há um “a não ser” – que você se organize, e não apenas em termos de agenda, mas em termos de qualidade mental. A primeira lição: o cérebro trabalha melhor quanto mais focado estiver. Concentração é sinônimo de qualidade.
Como a luz da lanterna
A esse respeito tanto podemos consultar fisiologistas como filósofos. Os primeiros diriam que a competição de estímulos neurais promove a dispersão da recepção e o enfraquecimento de cada estímulo individualmente, provocando diminuição da capacidade receptiva. Quando isso acontece no nível da consciência, há um sensível prejuízo de percepção”.
Já um filosofo oriental, como o hindu Paramahansa Yogananda, diria (como já disse): “Uma das principais causas de fracasso no mundo é a falta de concentração. A atenção é como a luz de uma lanterna: quando seus raios são espalhados em uma área vasta, sua habilidade de focalizar um único objeto se torna fraca, mas se focalizado em uma coisa de cada vez, se torna poderosa. Grandes homens são os de concentração: eles investem todo poder mental em uma coisa de cada vez”.
Com certeza você encontrou semelhança entre os dois pensamentos anteriores, e certamente não acredita que seja apenas coincidência que um cientista ocidental e um filósofo oriental tenham chegado à mesma conclusão.
O homem do início do século XXI pensa mais aceleradamente que o do início do século XX. O volume de informações com as quais temos que lidar em nossa rotina diária está chegando perto do limite biológico do ser humano. Até parece ser uma boa coisa, pois o progresso gera informações ao mesmo tempo em que informações geram progresso, mas tem o seu preço.
Os especialistas falam em uma nova síndrome, a SPA, ou Síndrome do Pensamento Acelerado. Ela foi descrita pelo psiquiatra paulista Augusto Jorge Cury, autor de onze livros, entre eles Inteligência Multifocal e Você é Insubstituível – este último citado hoje entre os dez mais vendidos por várias semanas. Alguns sintomas: hiperaceleração do pensament, déficit de concentração, déficit de memória, desgaste de energia no córtex cerebral, irritabilidade, flutuação emocional, bloqueio da criatividade, insatisfaçãoexistencial.
Só que o cérebro tem mais juízo do que nós. Na vigência de situações estressantes, ele tem a capacidade de fazer alguns bloqueios com a finalidade de economizar energia, o que é um recurso biológico bastante utilizado em toda a natureza.
E os primeiros bloqueios são os da memória, da concentração e da criatividade. Por isso é tão difícil atender à demanda do mundo moderno, que deseja que sejamos multi-informados e criativos ao mesmo tempo. A criatividade depende de serenidade, enquanto a informação excessiva e múltipla aumenta o estresse e bloqueia a criatividade. Impasse!
O mundo das idéias
A memória é, em síntese, um suporte para a criatividade, e não um mero depósito de informações. A memória é um conjunto de vários fenômenos, entre eles o fenômeno do autofluxo, que é quando o cérebro lê milhares de arquivos a partir dos quais produz dezenas de milhares de pensamentos diários, criando o chamado “mundo das idéias”, a que Platão já se referia.
Tudo isso é bom, porque assim o homem rompe sua solidão existencial, já que é o senhor de seus próprios pensamentos. Só que o excesso de inputs e a falta de foco em cada informação individualmente estão provocando fissuras nesse sistema, gerando alguns perigos emocionais. O exercício da memória, em vez de promover entretenimento individual, está gerando terror emocional. Sinal vermelho!
Diz o autor de Inteligência Multifocal: “A inteligência humana é multifocal porque os processos que determinam sua construção são multifocais, como a leitura da memória, a construção das cadeias de pensamentos, as variáveis de interpretação e os fenômenos intrapsíquicos e socioeducacionais. Esses processos co-interferem para construir o espetáculo indescritível da inteligência multifocal do homem”.
O pensamento é construído multifocalmente, mas isso está longe de querer significar que podemos nos focar em várias fontes de informação simultâneas, sejam elas externas, do mundo, ou internas, de nosso arquivo mental. Ao contrário. Ao focalizarmos um aspecto do mundo interior ou do meio circundante de cada vez, facilitamos a construção do pensamento e liberamos a criatividade. Informações, interlocuções, projetos; podem e devem ser múltiplos, mas não superpostos.
Comendo todas as frutas
No filme Lendas da Vida, dirigido por Robert Redford, um jovem herói da primeira guerra, Rannulph Januh (Matt Damon), aceita participar de um campeonato de golfe com dois grandes profissionais da época. Contrata como caddy (o auxiliar que carrega os tacos e ajuda a decidir qual a melhor opção para cada jogada) um desconhecido chamado Bagger Venci (Will Smith).
Em uma das cenas mais emocionantes, o caddy insiste que o problema de Januh, que está perdendo a partida, é a falta de concentração, o que prejudica seu balanço. Após a preleção, o jogador encaminha-se para o local da tacada, observa o campo, com todas as árvores e pessoas que compõem a assistência. No instante seguinte, como por mágica, as árvores e as pessoas desaparecem, e ele vê apenas o campo, e lá no fim a bandeira que sinaliza o buraco da vez. O resultado é espetacular, pois a jogada é perfeita e ele começa a virar o jogo.
Seja assim, caro leitor. Faça todos os buracos, um por vez. Não abra mão de nada no mundo; de nenhuma das frutas à disposição na árvore da vida, bem à nossa frente. Mas nunca tente apanhá-las nem saboreá-las todas ao mesmo tempo. Uma de cada vez, ou o engasgo será inevitável.
O físico nos informa que a mesma energia aplicada a dois trabalhos vai provocar sua dispersão. O bioquímico diz que um receptor da membrana de uma célula não receberá dois estímulos químicos ao mesmo tempo. O psicólogo sinaliza para o fato de que dois esforços mentais simultâneos provocarão ansiedade e estresse. E o poeta, o que diz o poeta? Lembro-me de Ascenso Ferreira, em “Filosofia”:
Hora de comer – comer!
Hora de dormir – dormir!
Hora de vadiar – vadiar!
Hora de trabalhar?
– Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
Texto publicado da revista Superinteressante, Editora Abril. Visite: www.superinteressante.com.br
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A pressa é inimiga da perfeição
Quando fazemos as coisas com calma, colocamos mais atenção ao momento presente e erramos menos.
“O tempo não pára”, diz Cazuza em uma poesia musicada que se transformou em uma espécie de hino à urgência de viver. A mensagem era: vamos fazer tudo o que for possível, mesmo que isso sirva apenas para constatarmos que o futuro repete o passado, em uma dança conhecida e cada vez mais frenética. Pense bem: não é o que fazemos todos? Eu, você, nossos amigos, vizinhos, colegas? Vivemos no mundo da velocidade, que é a face mais evidente da sociedade atual. Parece que o tempo sempre está escorrendo entre os dedos. A idéia predominante é de que o tempo não pára e que, como conseqüência, nós também não podemos parar. Chegamos a pensar que o ideal seria que nos antecipássemos ao tempo, sendo mais velozes que ele, como fez o deus grego Zeus, que se tornou o mais poderoso após destronar seu pai, Chronos, o deus do tempo.
A velocidade é, então, o novo paradigma, o padrão de comportamento adotado por quem deseja ter sucesso, estar integrado, fazer parte do sistema, ser aceito pela sociedade, concorrer no mercado. Errado, tudo isso? Eu não teria coragem de afirmar que sim, pois os períodos da história têm suas marcas peculiares, mas... por favor, um pouco de calma, respire fundo: nada melhor do que um pouco de lucidez para não ser simplesmente sugado pelo sistema. Que tal entender bem o que se passa antes de entrar nesse jogo e simplesmente ser consumido, velozmente, sem mesmo se dar conta de que podemos agir no mundo de maneira diferente?
Ninguém precisa ser mero protagonista desse tempo louco, a não ser que queira por opção. Então vejamos: para começo de conversa, ser veloz não é a mesma coisa que ter pressa, fazer as coisas rapidamente não é o mesmo que terminar no menor tempo e sair na frente não garante chegar primeiro. Há uma certa dose de relatividade nessa história toda.
Focos de resistência
Sim, nem tudo está perdido, há gente pensando e agindo. Cansado de comer sanduíche encostado no balcão, alguém muito lúcido propôs, no final dos anos 80, um movimento em sentido contrário. Foi fundado na Itália, levado para a França e depois para o resto da Europa, o movimento conhecido pelo nome de Slow Food, que significa literalmente “comida lenta”, em um evidente contraponto ao “fast food”, a comida rápida, o novo jeito de se alimentar do homem urbano, que tende a se transformar em estilo de vida. Quem não tem um amigo do tipo fast food, sempre apressado, como que possuído por uma entidade sempre atrasada?
Hoje, a Slow Food International Association (www.slowfood.com) espalha suas idéias pelo mundo, oferecendo, a quem queira, uma opção de vida diferente. O movimento, que usa como símbolo da calma um caracol, prega que as pessoas devem voltar a comer e beber devagar, dando-se tempo para saborear os alimentos, transformando a refeição em um momento de encontro e comunhão com a paz e com o prazer. Acompanhar o preparo do alimento, interagir com a família, com amigos, sem pressa e com muita qualidade e satisfação, essa é a idéia. Trata-se do contraponto ao espírito do fast food e o que ele representa como estilo de vida moderno. E por que tudo isso? Não seria apenas uma atitude saudosista e anacrônica, condenada a desaparecer como tantos modismos? Ao que tudo indica, não. A idéia de respeitar o tempo de comer, valorizando a arte da culinária, o convívio familiar e melhorar a saúde, está ampliando sua ação para muito além da borda da mesa de jantar. Tem tudo para virar filosofia de vida, pois comer não é mais do que uma das múltiplas atividades a que o homem se submete em sua rotina diária, entre tantas outras.
O Slow Food está se ampliando e servindo de base para um movimento maior, inicialmente chamado Slow Europe. Sua idéia é questionar a pressa do mundo, a angústia das pessoas, a loucura generalizada na sociedade imposta pela globalização, pela competitividade crescente e pela velocidade da informação proporcionada pela Internet.
Aliança com o tempo: O engenheiro americano Frederick Taylor, no início do século 20, criou as bases da administração moderna, e fez isso procurando otimizar o trabalho dos operários em uma fábrica. Para isso, estabeleceu uma relação matemática entre a produção que eles conseguiam e o volume de recursos que utilizavam nessa produção. E Taylor considerou o tempo como o mais importante entre todos os recursos. A partir de então se estabeleceu a cultura do século que se iniciava: fazer mais, em menos tempo.
E também começou a confusão. Sim, porque fazer em menos tempo não significa fazer mais rápido, e sim fazer com mais qualidade. Essa era a visão do engenheiro. A má interpretação de sua idéia acabou por criar um caos comportamental que se refletiu em pessoas apressadas, neuróticas e infelizes. “Pense antes de fazer, planeje seu trabalho, organize-se, e só então faça”, dizia ele.
Mas o que fazemos nós? Corremos como baratas tontas diante da necessidade de fazer mais com menos, em lugar de planejar, preparar, aprimorar a técnica, e só então fazer, rápido, mas sem pressa, saboreando cada momento como único que de fato é. Não se pode lutar contra o tempo. Ele é poderoso e sempre ganha a batalha. A idéia não é de luta, mas de aliança. Zeus não matou Chronos. Tratou de conquistá-lo, e então aliou-se a ele.
Entretanto, a valorização da pressa ainda existe. O bom profissional é o que atende rápido? Ou seria o que atinge rápido o resultado? São coisas diferentes. Por exemplo: você prefere o médico que atende em dez minutos, ou aquele que utiliza 45 minutos em sua consulta? Certamente aquele que dá mais tempo ao paciente, que o escuta com calma, valoriza a relação, esclarece dúvidas, examina devagar. Outra pergunta sobre o mesmo tema: você prefere o médico que consegue a cura em dois dias ou o que precisa de duas semanas para atingir o desejado? O dos dois dias, claro. Pois bem, esse pode ser justamente o mesmo que utilizou 45 minutos na consulta. Viu como o tempo é relativo?
A versão européia da revista americana de negócios Business Week publicou recentemente uma pesquisa que mostra que os franceses trabalham menos horas, mas são mais produtivos que seus colegas americanos e ingleses. Essa atitude sem pressa não diminui a produtividade e ainda aumenta a qualidade. Evita o risco, a insatisfação e a necessidade de refazer o trabalho.
Um jeito sábio de ser: Ter uma atitude sem pressa significa colocar mais atenção no que se faz, dedicando tempo para os valores que a rapidez do mundo moderno está relegando a um plano secundário: a família, os amigos, o lazer, a cultura, o tempo livre para simplesmente viver. É uma volta à valorização da casa, do bairro, da cidade, dos ambientes conhecidos, presentes, palpáveis, em oposição ao mundo globalizado, distante, anônimo, abstrato, frio.
O acesso aos valores essenciais à felicidade do ser humano, como a convivência, a fé, a esperança, a serenidade, os prazeres do cotidiano, torna-se mais fácil através de uma atitude sem pressa. O resultado é um indivíduo menos estressado e neurótico, mais leve, mais feliz e, por isso mesmo, mais produtivo.
A sabedoria popular cunhou outros ditados além do que intitula este texto, para falar da importância de se reduzir a velocidade: “devagar se vai ao longe”, e “o apressado come cru” são alguns deles. Quer um bom resultado, com segurança e ainda por cima rápido? Então faça devagar, não se afobe, pense antes de agir, faça uma coisa de cada vez. Lembre-se de que “velocidade” é diferente de “pressa”. Ser veloz é adequar-se às condições. O veloz chega antes, o apressado às vezes fica pelo caminho. O carro não pode ir mais rápido do que as condições da estrada permitem. A boca não pode falar com a velocidade do pensamento. O teclado do computador ou as teclas da antiga máquina de escrever não podem ser acionadas todas juntas. Calma!
A velocidade é precisa, a pressa é bastante imprudente. Quando o poeta Fernando Pessoa disse “navegar é preciso, viver não é preciso”, ele se referia à precisão, ao detalhe, ao cálculo, ao planejamento, necessários à navegação e não ao verbo precisar, sinônimo de necessitar.
É claro que precisamos viajar, trabalhar, fazer as coisas, e rápido, mas, por favor, sem pressa.
Você sente que está com o deus Chronos em seus calcanhares? O tempo realmente parece escorrer pelas mãos? De fato, Chronos é o deus do tempo medido, do relógio, do cronômetro (daí o nome), do calendário, das ações repetitivas. Mas é bom saber que também existe o deus Kairós, que governa o tempo vivido, aproveitado, saboreado, sentido, bem utilizado. Que tal parar de adorar Chronos e adotar Kairós como o deus supremo do seu panteão?
O imperador romano Octavius Augustus, que viveu no início da era cristã, ao observar as trapalhadas de seus oficiais que, por medo ou vontade de agradar, saíam correndo para atender suas ordens, incorporou o hábito de recomendar sempre: “Festina lente”. Sábio conselho. Significa: apressa-te devagar. Em outras palavras, para fazer rápido, faça com cuidado. Portanto, festina lente!
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O TAO DO TRABALHO
Não conheço ninguém que jamais tenha pensado em simplificar sua vida. Especialmente no trabalho, onde há um grande número de situações consideradas difíceis, todos nós costumamos experimentar momentos em que tudo parece confuso demais, complicado em excesso, estressante além da conta. O curioso é que esse sentimento não depende do nível real de complexidade do trabalho: depende apenas da relação emocional que estabelecemos com ele.
Se entendermos complexidade como o contrário da simplicidade, encontraremos pessoas que se dedicam a trabalhos complexos, e também pessoas que tornam seu trabalho complexo. Há uma sensível diferença entre os dois, pois aqueles que se dedicam a trabalhos complexos podem torná-los simples, enquanto os que complicam podem, na prática, estar realizando uma tarefa simples.
A tendência natural do Homem é a de sofisticar para simplificar. O único problema é que às vezes ele se perde no meio dessa prática, e complica em vez de sofisticar, e acaba se afastando da simplificação.
Como a História é contada através das conquistas, encontramos, por exemplo, no Desfiladeiro de Olduvai, na Tanzânia, evidências de que o Australopithecus sofisticou a fabricação de ferramentas para facilitar sua vida. As primeiras criadas conscientemente foram pedaços de pedra, lascadas de forma a aguçar as pontas. Pronto, estava inaugurada a era da sofisticação a serviço da simplificação. A tecnologia começou há dois milhões de anos.
Depois disso o homem inventou a vasilha para facilitar a coleta de água, a roda para deslocar objetos, e não parou mais. A carroça, o automóvel, o avião, o telefone, a TV. Todos facilitadores. Imagine o computador. Existe alguma coisa mais complexa? E ao mesmo tempo mais facilitadora? Nossa vida se tornou mais simples porque alguém domou a complexidade da microeletrônica.
Simplificar ou complicar, portanto, é uma questão de postura e de ponto de vista.
Razão e Emoção
Entre os inúmeros personagens da tragédia grega, encontramos os deuses Apolo e Dionísio. O primeiro regido pela serenidade, pelo intelecto e pela harmonia. O segundo pela paixão, pela inspiração e pelo êxtase. Qual dos dois seria o dominante, na busca da verdade? Pode a lógica suplantar a inspiração, ou a razão considerar-se mais importante que a emoção? Pode a emoção viver solta e independente da razão?
O espírito apolíneo e o espírito dionisíaco pertencem à natureza humana. Quando não aceitamos uma de nossas metades promovemos abalos psíquicos, com conseqüências que podem variar entre leves sintomas de ansiedade e o desastre total da desagregação da personalidade.
E enquanto tentamos harmonizar esses mitos em nós mesmos, vamos convivendo com o paradoxo. Simplicidade e complexidade, faces da mesma moeda.
Todos experimentamos períodos de alta complexidade e até confusão, que nos aproximam da exasperação, pois achamos que não há saída. Como saída sempre há, acabamos colocando ordem no caos e passamos a experimentar uma nova fase, de merecida calmaria. Fase essa que se mostrará ser apenas um período de trégua que damos a nós mesmos, e que se seguirá de um novo tempo de conturbação. Em maior ou menor escala, uma situação de alternância que está presente na vida de todas as pessoas.
No trabalho isso é muito claro. Quando tentamos ser simples, corremos o risco de não conseguir acompanhar os resultados produzidos pela complexidade do mundo moderno. Às vezes tentamos agir complexamente e então perdemos a simplicidade, necessária ao exercício da criatividade e da paz mental. Vivemos na dualidade simples/complexo, como uma sina que nos acompanha por ter, nosso ancestral, cometido algum pecado original.
Simples não é simplório
Você já deve ter se perguntado se a simplificação no trabalho pode ser confundida com incompetência. Afinal, o senso comum diz que as pessoas competentes são aquelas que produzem resultados, independentemente das condições que disponham para realizar suas tarefas. Em essência devemos ser o que esperamos de nós mesmos, mas como isso não é nada fácil, invariavelmente somos também o que os outros esperam de nós. Portanto, convém nos atermos ao que é de fato a simplicidade, caso contrário podemos errar a mão.
Uma coisa é entendê-la como ausência de complexidade. Outra é considerá-la a partir da organização possível da complexidade. Quando Henry Ford criou a linha de montagem, foi acusado de estar complicando tudo, pois afinal, estava indo contra o comportamento artesanal que existia desde que o homem passou a fabricar objetos. Hoje aceitamos que esse método simplificou e agilizou a produção, aumentando consideravelmente a competência da fábrica. Os processos industriais atualmente são mais humanos e usam mais tecnologia, mas ainda são baseados no velho modelo de Ford.
Se na busca da simplicidade apenas nos afastarmos da complexidade, estaremos, sim, nos aproximando da simploriedade. Tudo bem, mentes simplórias existem. Não são melhores ou piores, apenas singulares: pessoas incapazes de lidar com a sofisticação dos processos modernos de trabalho e de produção do que quer que seja. Se você está decidido a morar e trabalhar numa cidade, portanto, não parece razoável perseguir a simplicidade apenas fugindo da complexidade.
Não esqueça que a natureza do ser humano é complexa – biológica, física e psicologicamente. Esse caos, contudo, é só aparência. Existe aí uma busca a organização como um estado natural que, ao ser observado, mostra uma incrível simplicidade. Ou seja, a organização já está em nós, nos faz vivos, é essencial.
No trabalho ou em qualquer área de nossas vidas, criar um ambiente em que todas as variáveis são consideradas e que as contingências são respeitadas é sinal de inteligência. Pensar antes de agir economiza energia. Mental e física. O que diferencia os homens dos animais é o pensamento. E um dos aspectos que diferenciam os homens entre si é a qualidade desse pensamento.
O que dá para fazer
O que dá para fazer é organizar a vida. A agenda, às vezes tão menosprezada, tem se revelado a ferramenta mais importante e útil de quem busca simplificar sua rotina. Ela não aprisiona, liberta. É a vida no papel, consagrada pela escrita, pelo desenho. Se você resolver sua agenda com inteligência e sentimentos verdadeiros, resolverá também uma porção de coisas na sua vida. Veja o que diz o poeta:
Minha agenda, livro da minha vida,
Mais que um bloco de notas.
Confidente de sonhos e desejos,
Quase todos confessáveis..
Mais que simples sonhar,
Planos para realizar.
A lógica e a poesia,
Trocando figurinhas na esquina da vida.
Pare um pouco para pensar. Uma agenda organizada, com compromissos de encontros, reuniões, prazos de entrega, contas a pagar e a receber, pode ser o melhor aliado da eficiência. Crie seu estilo próprio de usar a agenda. Com ícones que definem, por exemplo, o grau de importância, de dificuldade, de urgência, etc.
Experimente fazer uma planilha (a eletrônica é melhor) com as tarefas comuns na primeira coluna, e os dias da semana nas demais. Gaste um tempinho no final do dia, para preencher o tempo que você utilizou para cada tarefa naquele dia. Você vai se surpreender com o número de horas mal utilizadas ao final de uma semana.
A agenda usada como ferramenta de apoio, extensão do pensamento, amplificadora da inteligência, permite que você tome algumas medidas de ordem prática para simplificar sua vida, como:
- Fazer primeiro o que é mais importante, porque o prejuízo provocado por uma possível procrastinação será reduzido.
- Colocar na frente as tarefas menos agradáveis impede a dissipação da energia mental, pois quando as deixamos para depois não conseguimos nos desligar delas.
- Se dedicarmos mais tempo a fazer o que é importante, mas não é urgente, quando for urgente já estará feito.
- Tarefas de execução desagradável dão resultados agradáveis, desde que realizadas com determinação, nos impregnando de uma sensação de alívio.
O fio da meada
Essas sugestões podem, sim, ajudar a simplificar nosso dia-a-dia. Há outras dicas úteis nesta e em muitas revistas e, sem esforço, é possível encontrar livros e livros sobre o tema. Na verdade, são tantos compêndios, tantas listas do o-que-fazer-para-simplificar-o-trabalho, que temos a impressão de que jamais daremos conta de tudo. E não daremos mesmo. Portanto, a menos que compreendamos, cada um, a própria simplicidade, tanto quanto a própria complexidade, corremos o risco de passar a vida trocando um hábito por outro, uma atitude por outra, num processo eterno de experimentação.
O fio da (nossa) meada está na primeira metade do século 17, quando o matemático e filósofo francês René Descartes criou a lógica cartesiana (nomenclatura que deriva de seu próprio nome) e ofereceu à humanidade uma maneira simples e lógica de organização: colocando duas grandezas em um par de coordenadas, teremos uma visão de sua relação e da conseqüência de suas coincidências. Descartes pôs ordem na casa e explicou que nos aproximamos da simplificação à medida que caminhamos pelo terreno da organização. O pensamento humano sofreu uma considerável mutação.
Do pensamento cartesiano nasceu a nova ciência, tendo influenciado a Newton, que consagrando o método científico fez todas aquelas notáveis descobertas sobre a mecânica terrestre e celeste. Surgiu daí a física moderna, que comandou o pensamento ocidental até o século 20, e depois a era dos cientistas-filósofos, entre eles Albert Einstein e Max Planck. Atribui-se a esses dois a criação do pensamento quântico-relativístico.
A física quântica, ou física atômica, modifica o pensamento da física clássica, cartesiana, newtoniana, pois mostra que no nível sub-atômico – ou seja, dentro do átomo – matéria e energia se confundem. É impossível conhecer, ao mesmo tempo, a localização e a velocidade de uma partícula. Elas não vão de um ponto a outro linearmente, temporalmente. Têm natureza de onda – desaparecem aqui para aparecer ali. O que então existe entre um ponto e outro? Nada.
O mais admirável, senão assombroso, é que as partículas subatômicas reagem à observação. Você não leu errado: as mais ínfimas manifestações da matéria, das quais nós e tudo que existe somos feitos, comportam-se de maneira diferente quando os cientistas se debruçam sobre elas.
Pronto. Todo o determinismo definido pela física clássica foi transformado em relativismo e probabilismo pela física moderna. Nada é definitivo. Tudo depende – mas tudo mesmo.
Descobrimos então que a simplicidade ou complexidade de nossa vida é relativa. Ela depende da referência que utilizarmos. Minha vida é simples ou complicada em relação ao quê? Em relação à vida que eu tinha antes, à vida de outra pessoa ou à minha capacidade de conviver com o que é complexo?
As respostas estão dentro de cada um de nós. Simplesmente observe-se.
O mérito da observação é a percepção.
O mérito da reflexão é conferir verdade à percepção.
O mérito de perseguir a verdade é construir conhecimento.
O mérito do conhecimento é conduzir as ações corretamente.
O mérito da ação correta é construir um mundo
bom,verdadeiro, belo e útil.
Texto da revista Superinteressante, Editora Abril.
Fonte: www.superinteressante.com.br
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Basta de Informação!
Feriados têm sido para mim verdadeiras férias para reflexão. Enquanto muitos trilham para as montanhas ou singram para o litoral, enfrentando o trânsito e as filas que parecem migrar das capitais, opto pelo retiro pessoal singularmente vivido em minha própria casa.
Oportunidade para reorganizar o que a velocidade do cotidiano deixou para trás, descubro pilhas de jornais e revistas não lidos.
Diz o adágio popular que não há nada mais velho do que jornal do dia anterior. Mas o fato é que me acostumei a jamais descartar uma página que seja sem antes ao menos folheá-la. É evidente que as notícias de caráter conjuntural, aquelas do dia-a-dia, já nascem velhas, posto que retratam eventos ocorridos. Mas vasculho jornais e revistas em busca de temas estruturais, aqueles sem prazo de validade, e que me trazem conhecimento, conteúdo, base para argumentação.
O problema é que eles se avolumaram. E ganharam status de estorvo. A necessidade auto-imposta de mirar cada uma daquelas centenas de páginas passou a me causar desconforto. De repente, vi-me acorrentado. As horas se passando, o sol se pondo, dia após dia, e eu não aproveitara o frescor da relva, o azul límpido do céu, a companhia de meus filhos. Sequer produzira um texto, criara uma idéia, concebera um projeto, relaxara à beira de uma piscina.
Padeço da doença do ecletismo. É complicado quando você aprecia de Economia a Psicologia, de Finanças a Recursos Humanos, de Matemática a Filosofia, de Astronomia a Biologia. Sob esta ótica, feliz é uma de minhas irmãs que sempre se contentou em ler a programação dos cinemas e usar os demais cadernos para forrar gaiola de passarinho...
O mundo produz anualmente o mesmo volume de informações que a humanidade levou 40 mil anos para acumular. Diariamente, quantos jornais podemos ler? Quantas revistas podemos consultar? Quantas e-zines podemos receber? Quantos canais de TV podemos assistir? Qual o custo de acessar informação nesta magnitude, muita dela em duplicidade? E qual sua aplicação prática?
Estamos próximos de uma situação limite. Um bombardeio frenético de informações diante do qual agimos como buracos-negros, absorvendo tudo, mas assimilando pouco. Uma overdose que gera conhecimento superficial e sabedoria reduzida.
Olhando para aquela pilha de revistas percebi que ela representa muito mais. Simboliza a famigerada caixa de entrada de tarefas de nosso cotidiano, especialmente no âmbito profissional, que nunca, jamais se esvaziará. Representa a tendência que temos à burocracia, a inclinação por aspectos operacionais. Fazer, fazer, fazer. Não há espaço para o pensar, o planejar e, até mesmo, o sentir.
Pode parecer supersticioso, cabalístico ou poético, mas numa manhã de um sete de setembro declarei minha independência. Abdiquei da intenção de adquirir TV via satélite só para ter acesso a canais e programas exclusivos. Cancelei o recurso de confirmação automática de recebimento de e-mails deixando para utilizá-lo apenas quando for realmente imprescindível. Descartei recortes, guias e tablóides, guardados há tempos, sob a expectativa de que seriam, um dia, úteis. E, fundamentalmente, dei de presente ao lixo os jornais e as revistas não lidos.
Neste embalo, revisei roupas e calçados, separando peças negligenciadas no fundo de gavetas e armários e que, agora, ganharão vida no corpo de quem precisa. Reorganizei meus livros encontrando obras preciosas adquiridas por impulso e até hoje não saboreadas. Classifiquei meus CD´s e revisitei com prazer canções que nem lembrava mais de que as tinha.
E, assim, senti-me mais leve. É como se eu passasse de tartaruga a águia. Da lentidão à agilidade. Do conformismo à vivacidade.
A missão, agora, é evitar a recaída. Continuar livre, sobrevoando ao alto, decidindo quando voltar à terra, ou seja, qual informação capturar – aquela que me alimentar.
Autor: Tom Coelho, formado em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, Contato: tomcoelho@tomcoelho.com.br. visite: www.tomcoelho.com.br.
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SUCESSO PROFISSIONAL E QUALIDADE DE VIDA: UMA PARCERIA POSSÍVEL!
Você é daquelas pessoas que acha que não consegue parar e descansar um pouco sem experimentar uma grande culpa, pensando que deveria trabalhar cada vez mais, pois o tempo não pára e os concorrentes também não? Já experimentou levar trabalho para casa no final de semana e fazer hora extra enquanto dorme, sem receber um centavo, quando sonha com as atividades profissionais e seus problemas característicos? Ou será que você já teve o “enorme prazer” de ser interrompido em seu almoço ou horário de ficar com a família por telefonemas inesperados que sempre lhe trazem notícias esperadas: volta ao trabalho, imediatamente! São situações que vivenciamos cada vez mais em nosso cotidiano. É o império do estresse, do trabalhar cada vez mais, com cada vez menos tempo para si ou para cuidar de sua qualidade de vida. E os números sobre o assunto são graves: Atualmente nós brasileiros trabalhamos uma média de 48 a 52 horas por semana e a projeção é que até 2010 este número aumente para 54 horas. Vale lembrar que exposições contínuas a determinadas situações estressantes como o visor de um computador, pode nos levar após cinco horas consecutivas a mais problemas como ansiedade, insônia e fadiga, segundo estudo japonês realizado com 25.000 profissionais. Resumindo: os fins começam a virar meios e os meios há muito tempo viraram fins!
Quando somos mais jovens e alguém nos pergunta o que queremos ser quando crescer, normalmente dizemos algo que nos permita acreditar que nos conduza a um patamar sócio-econômico que nos permita uma certa liberdade financeira para viajar, ficar com a família, ajudar aqueles que amamos, investir em nossos estudos e assim por diante. O problema é que sem perceber começamos a nos dedicar tão intensamente à luta pela sobrevivência que estamos nos acostumando somente a lutar e simplesmente, sobreviver. Parece até uma incoerência, mas muitas pessoas somente descansam, ficam com a família e colocam suas leituras em dia quando ficam doentes e, por tal, impossibilitadas durante algum tempo de trabalhar! Outro dia recebi a ligação de uma amiga desesperada porque sofreu uma estafa e o médico a proibiu de trabalhar por um mês, sob risco imediato de sofrer sérias conseqüências para sua saúde. O curioso nesta história é que há duas semanas tive a oportunidade de estar com ela e ter a ousadia carinhosa de lhe aconselhar, dizendo que abrisse mão de um dos três empregos que tinha até então, que a afastavam quase que totalmente do convívio doméstico e dos amigos. E, para não fugir à regra, ela me disse que precisava trabalhar e que não aconteceria nada, que estava me preocupando à toa. Assim que ela me contou o que ocorreu, recordei-me de nossa conversa e, apesar do momento delicado, pensei que ela estava nada mais nada menos que colhendo o fruto que semeou, vivenciando o efeito gerado pelas causas que sustentou.
É claro que compreendo que não é fácil trabalhar em um mundo tão repleto de desemprego e que precisamos dar uma resposta à altura à pressão que sofremos pelo mercado. No entanto, por um descuido, não podemos esquecer que não cuidar de si é um grande riso para as finanças, pois tratamentos para a saúde custam caro e, em muitos casos, se alguns profissionais ficarem doentes e não puderem trabalhar simplesmente não ganham nada, pois dependem apenas de seus esforços e não tem carteira assinada ou algo que o valha.
Cuidado! Você é seu maior ativo. Ter qualidade de vida não é luxo, mas condição básica para um crescimento profissional sustentado. É ter visão de futuro. É mais ou menos o que acontece com o carro. Precisamos dar-lhe manutenções periódicas e, se o motor estiver muito quente, necessitamos parar e esperar que esfrie sob pena de termos um prejuízo enorme e arriscarmos nossa vida. Reflita que sua força mental, de onde nasce a criatividade, ousadia, intuição, percepção, dentre outros, sofre interferência direta de seu organismo e este, por sua vez, sofre interferência direta do estado da saúde emocional. É a lembrança do provérbio latino “men sana in corpore” sano!
Vamos lá, reflita sobre quais intervenções imediatas precisa fazer para cuidar de si, seu bem mais precioso, e veja esse cuidado especial não como perda de tempo, mas como investimento, uma espécie de “manutenção preventiva”. Faca cega não corta a carne. Pneu careca não oferece segurança e crescimento profissional sem qualidade de vida é inverter os papéis da vida, trocando os fins pelos meios. Não espere perder pessoas importantes, sua saúde ou talvez até a própria vida para entender isso. Nunca ouvi falar de alguém que, no leito de morte, dissesse que se pudesse voltar no tempo teria feito mais horas extras...
Dessa forma, segue abaixo algumas sugestões para implantação imediata:
1 - FAÇA PIT STOPS
Aprenda a fazer “pit stops!”. São pequenas paradas no meio do dia para você evitar o acúmulo de estresse, tão comum entre as pessoas. É um simples instante que pode evitar que um eventual aumento de cansaço gere irritação e essa irritação evolua para um incômodo, que pode gerar uma discussão com outras pessoas por um aumento da sensibilidade e assim por diante. Simplesmente, pare! Vale ligar para alguém, fazer um alongamento ou tomar um cafezinho.
2 - MEDITE
Aprenda a cultivar o hábito saudável de fazer meditação: Antigamente meditar era visto como uma prática esotérica. Atualmente, após inúmeras pesquisas mostrando seu efeito benéfico em diversas áreas da vida, sabemos que a meditação é excelente para desenvolver a intuição, a criatividade e, principalmente: relaxar! Escolha um lugar silencioso, com uma música agradável – preferência com sons da natureza. Feche os olhos e deixe-se levar nos primeiros minutos por sua mente cansada, sem esforçar-se por deixar de pensar ou pensar em alguma coisa. Simplesmente entregue-se. No início pode parecer complicado, pois vem uma grande turbulência. Depois, tudo vai se acalmando, semelhante ao que acontece quando agitamos as águas de um rio que naturalmente, com o tempo, tendem a voltar à passividade anterior. A idéia é desligar-se ainda que, momentaneamente, da agitação mental que nos incomoda: contas a pagar; problemas com chefe; dificuldades amorosas; preocupação com filhos etc. Seja persistente. Se experimentar alguma dificuldade nas primeiras vezes, continue a tentar. Não cometa o erro de nadar, nadar e morrer na praia!
3 – VIAJE PARA REFLETIR
De tempos em tempos viaje sozinho para um lugar totalmente neutro e reflita sobre sua vida e suas prioridades. Pense no tempo que vem despendendo para construir ou manter um determinado padrão de vida e qual o custo para sua qualidade de vida. Peço que seja feita em ambiente neutro, pois nos tornamos mais imparciais quando nos distanciamos fisicamente dos lugares que temos o hábito de estar. Além do que, viajar é sempre uma ótima oportunidade para relaxar. É incrível como o resultado é mais profundo que quando é feito no seu “habitat”.
4 – INOVE: ESCREVA UMA CARTA PARA SI MESMO
Escreva uma carta para si mesmo dizendo como quer estar daqui a seis meses, por exemplo. Descreva as mudanças que deseja que ocorram ou mesmo o que deve ser mantido no ritmo atual de sua vida. Depois, peça a um amigo que guarde essa carta e envie a você após esse tempo. É incrível como a maioria das pessoas esquece e sempre se surpreende quando recebem a carta. É um exercício simples que tem grande poder simbólico: Uma carta “minha para mim mesmo”, mostrando que qualidade de vida e sucesso profissional é uma parceria possível! Quer tentar?
Desejo encerrar este artigo mencionando a poesia atribuída a Albert Einstein que diz que a vida é como uma parede: devolve tudo o que jogamos nela. Se jogamos uma bola azul ela volta azul. Se jogamos uma bola verde ela volta verde. Dessa forma, a vida não é boa nem má, não é justa nem injusta, apenas nos devolve o que jogamos nela. E aí, quais resultados deseja que essa parede lhe devolva?
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LUZ NAS TREVAS
Estamos na Era do Conhecimento, portanto, nada mais lógico do que toda a sociedade valorizar esta moeda de tão alto valor: o aprendizado. Entretanto, a supervalorização deste ativo tão importante pode trazer efeitos colaterais prejudiciais ao desenvolvimento pessoal e profissional de cada um. Mesmo que pareça estranho, isto pode acontecer!
O processo de aprendizado começa quando estamos conscientes de que não sabemos. Isto significa que precisamos assumir o oposto do conhecimento, que é o desconhecimento.
Geralmente há resistência em reconhecer, perante as outras pessoas, essa falta de conhecimento, pois a defesa do ego fala mais alto. Sem aceitar que não sabem, os indivíduos vivem nas trevas. Vivem a vida como sonâmbulos, sem ambições e sem o arejamento do aprendizado. Quando alguém está na escuridão, "não sabe que não sabe", vivendo, deste modo, de forma alienada.
No momento em que um feixe de luz dá sinais que um novo e grandioso mundo existe, passamos a perceber nossa falta de conhecimento. É a fase da tomada de consciência. Isto, porém, é pouco, caso não haja uma ação efetiva em busca do aprendizado.
O "saber que não se sabe" nos leva a uma decisão, pois este é um estágio transitório. As três diferentes situações que podem vir após a tomada de consciência são:
Apesar de conscientes, podemos ficar entorpecidos, confusos, sem ação e energia para ir de encontro ao conhecimento. Isto representa fazer a escolha pela paralisia. Geralmente, a falta de uma visão grandiosa, capaz de impulsionar a viagem em busca do aprendizado, é força ausente e, assim, passamos a viver com desânimo, pois mesmo sabendo da necessidade de aprimorar conhecimentos, nos sentimos incapazes de realizar. Este estado não cria movimento e gera angústia, não havendo evolução pessoal.
Um segundo caminho é o da pré-potência, e representa assumir o cinismo. Para defender o ego e a alta-estima (não confundir com auto-estima) mesmo sabendo que não sabe, passa-se a viver "a verdade de sabe-tudo", olhando com desdém aquele que aprende. A ausência de valores éticos como verdade, integridade, tolerância, humildade, entre outros, é o grande causador da vida em ilusão, uma mentira para si mesmo.
Uma terceira via é viver como um eterno aprendiz. Para isso, precisamos desenvolver o autoconhecimento com a clareza do "sei que não sei". Reconhecendo que tudo o que é vivo precisa constantemente se alimentar, para mantermos nossas batidas cardíacas de conhecimentos, devemos viver iluminados com a fome do aprender.
A Vida de Aprendiz representa fazer uma escolha: viver como protagonista em um mundo repleto de expectadores. É claro que para cada escolha existe um preço a ser pago:
- O preço das trevas é a impotência
- O preço da paralisia é a depressão
- O preço da "pré-potência" é o isolamento
- O preço da Vida de Aprendiz é a ansiedade, pois sempre existirão novas coisas para aprender.
Todos nós sabemos do nosso "saldo atual" e da nossa capacidade de "investimento", portanto, o preço a ser pago é uma questão de escolha de cada um!
Autor: Silvio Bugelli é consultor, conferencista e educador empresarial. Formado em Administração de Empresas com pós-graduação pela FGV, dirige a TCA Consultores e a Cempre, contato: silvio.bugelli@tcaconsultores.net
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Seja Diferente
Umas das grandes virtudes que diferem os profissionais hoje em dia, sendo uma das principais vantagens competitivas no Marketing Pessoal é: SER DIFERENTE e OUSADO. É como eu comento em minhas palestras: "O óbvio já é esperado”. Você só encanta quando supera as expectativas. Mas que esse SER DIFERENTE e OUSADO fique no campo da "Ambição e do orgulho positivos e construtivos".
E claro, seja diferente positivo, pois já reparou que no campo da dialética o "Diferente negativo" da mais “ibope” que o "Diferente positivo"? Noticias ruim correm rápido. As pessoas mesquinhas são ávidas por fofocas, parece que chama mais atenção. Mas no campo do progresso profissional é o contrário, o "Diferente positivo" da mais “ibope” que o "Diferente negativo".
Sempre que for fazer algo, pense: De que maneira eu posso fazer isso para que seja diferente da média esperada, que chame atenção, que agregue valor, que evidencie a minha criatividade e talento ?
A capacidade do profissional de se adaptar ao novo posicionamento da sua empresa em função das nuanças do mercado, correspondendo às novas exigências com criatividade e inovação, é muito mais importante do que o conhecimento e a experiência profissional em si.
Nunca desperdice o momento da verdade.
Que tipo de profissional você é? Passivo, Reativo ou PRÓ-ATIVO?
O sucesso está escondido num lugar muito especial, e só o acha quem procura com insistência e talento.
A frase : “Trate o próximo como você gostaria de ser tratado” está totalmente errada. Trate o próximo como ELE gostaria de ser tratado.
Aprenda o seguinte :
TUDO na vida pode ter um lado positivo e negativo. Por exemplo: Um nascimento de uma criança pode ter um lado negativo, assim como a morte de um ente querido pode ter um lado positivo. Depende da pré-disposição de espírito do observador para com a pessoa, o fato ou o objeto observado. Então, é fundamental que você enxergue os dois lados. A GRANDE DIFERENÇAé oQUE FAZERcom as duas observações.
A qualidade e a freqüência das idéias e insights dependem sempre de três coisas: MOTIVAÇÂO, CAPACIDADE DE RACIOCÍNIO E CONHECIMENTO. A eficiência do processo criativo depende do grau de participação de cada um desses três itens.
O Diferencial competitivo passa a ser uma Vantagem competitiva quando existe um suficiente valor agregado nas contingências envolvidas no processo. Quando isso acontece, a expectativa é suplantada e o encantamento está garantido. Portanto: SEJA UM VISIONÁRIO REVOLUCIONÁRIO. E SUCESSO !!
Autor: Alexandre S. Girão, MBA em Marketing-FGV. Adm. de Empresas, contato: asgirao@attglobal.net. Fonte: www.vencer.com.br
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Código de Defesa do Consumidor acabou por tornar as empresas mais transparentes
O CDC — Código de Defesa do Consumidor completou 15 anos de existência no mês passado. Da sua implantação em Setembro de 1990 até os dias atuais, o relacionamento consumidor/empresa passou por positivas mudanças. Os consumidores estão mais informados sobre os seus direitos e as empresas passaram a agir de forma mais transparente.
O Código de Defesa do Consumidor trouxe inúmeras conquistas, como a exigência do prazo de validade em produtos embalados (coisa que não ocorre no Exterior), entre outros avanços. Mas, infelizmente, não fez desaparecer totalmente o desrespeito à sociedade, pois várias empresas continuam abusando da boa-fé dos clientes. Eu poderia ficar horas e horas desfilando um caminhão de abusos que são cometidos diariamente contra os consumidores brasileiros. Mas gostaria de falar de alguns casos, muito recorrentes hoje em dia, para exemplificar a cara-de-pau de certos empresários.
Por exemplo, pouca gente sabe, mas é ilegal a cobrança pela emissão de boleto bancário. Sim, isso mesmo: não importa o nome usado, a cobrança de boleto ou despesa bancária de extrato é totalmente ilegal, de acordo com artigo 39, inciso V, e artigo 51, inciso IV, ambos do Código de Defesa do Consumidor. Mas mesmo assim essa prática é cada vez mais comum.
Muitas imobiliárias, empresas de TV a cabo, planos de saúde e outras empresas tentam repassar aos clientes as despesas referente à emissão dos boletos de cobrança. Essa prática é abusiva, ilegal e imoral, uma vez que os custos do credor (isto é, aquele que é correntista de um banco e vai receber o crédito) não podem ser transferidos ao consumidor. Tais despesas são de inteira responsabilidade da empresa credora. Logo, o consumidor não deve pagar tal taxa de cobrança de boleto. Quando for ao caixa do banco, deve pedir para que essa taxa seja excluída e pagar somente o valor principal.
Aliás, você, leitor, sabia que é obrigado constar o preço e a forma de pagamento nos produtos expostos em vitrines de lojas? Muita gente vai ao shopping center e às vezes se interessa em comprar uma produto, mas se sente constrangido a perguntar o preço e vai embora. Isso sem mencionar que tem loja que não coloca os preços nos artigos expostos para poder cobrar de acordo com a aparência da pessoa: se a cliente tem uma bolsa italiana e parece ser bem de vida, a vendedora enfia a faca e cobra um preço maior. Mas isso é totalmente ilegal!
O artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor, e o artigo 11, alínea c, da Lei Delegada 4, determinam que nos produtos expostos ao público têm que constar obrigatoriamente informações claras e ostensivas sobre o preço, a forma de pagamento, a garantia e a qualidade do bem ofertado. Do contrário, a loja pode ser multada pelo Procon. Também, no Estado de São Paulo vigora a Lei Estadual 10.499/00, que torna obrigatória a afixação do preço à vista e as taxas de juros embutidas na venda a prazo (se tiver). É o direito a informação que a lei garante a todos os consumidores na hora da compra.
Esses são apenas dois casos de abusos que são cometidos todos os dias contra os consumidores brasileiros. Mas é importante dizer com a mais absoluta certeza que, no próximo dia 11 de setembro, o Brasil tem muito a comemorar. O Código chega à adolescência cheio de conquistas, mas não fez desaparecer totalmente o desrespeito aos consumidores. Então, fique atento, lute por seus direitos e denuncie os abusos ao Procon.
Sérgio Tannuri : é autor do livro "Guia dos direitos da consumidora - Para usar todo dia". Advogado especialista em Direito do Consumidor e jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo.,
Fonte: Revista Consultor Jurídico, 6 de setembro de 2005
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Orkut e usuários podem ser condenados por ofensa à honra
O site de relacionamento social Orkut se transformou em um fenômeno de popularidade na internet brasileira, onde os usuários cadastrados através do seu perfil expõem a sua biografia, manifestam preferências, falam da família, publicam fotos, exibem seus amigos. Associam-se a comunidades virtuais interagindo com terceiros que possuem hábitos e interesses comuns, não se dando conta de que devassaram a sua privacidade, tornando-se seres humanos de vidro no mundo digital.
Para se ter uma idéia, atualmente já existem cerca de 1,5 mil usuários no Brasil, sendo mais do que 50% na faixa de 18 a 25 anos. O site pertence ao império formado pelo Google, que indiscutivelmente é a empresa que possui a melhor de ferramenta de busca de banco de dados do mundo eletrônico.
O grande impacto positivo do Orkut em relação ao perfil dos internautas brasileiros se deve ao crescimento vertiginoso e surpreendente do número de usuários que aderiram ao serviço pelo inegável poder da interatividade, inclusive através de fotos, sem que os limites geográficos funcionem como barreira que dificulte encontrar uma pessoa com interesses comuns mesmo que ela resida a quilômetros de distância.
É esta uma das grandes vantagens da internet: o incrível poder da interatividade a baixo custo! As comunidades se globalizam, sendo criadas desvinculadas dos aspectos geográficos e unindo-se apenas por interesses comuns, com a rapidez e agilidade da comunicação eletrônica, propiciando uma vantajosa troca de experiências e eventualmente até mesmo a realização de negócios.
Esta malha eletrônica social tem revelado algumas características peculiares dos seus usuários: são pessoas que gostam de interagir, viver em comunidade, que valorizam objetivos comunitários, compartilham arquivos, são exibicionistas e adoram bisbilhotar o perfil de terceiros.
Lado negro
Se por um lado vários negócios, amizades, relacionamentos e até casamentos têm surgido a partir destas redes sociais, por outro, elas têm sido cenário para a prática de vários abusos, pois o provedor do serviço não tem a menor possibilidade técnica de controlar a veracidade do conteúdo que é inserido, editado ou retirado diariamente nas inúmeras comunidades e perfis de usuários.
Embora o serviço possua uma política de uso e privacidade, na prática, o controle sobre o conteúdo divulgado é insuficiente ante a incidência de alguns ilícitos. Este perfil talvez possa se justificar também pelo fato da empresa ter sede nos Estados Unidos, onde a primeira emenda da Constituição assegura uma ampla liberdade de expressão, muito além dos limites admitidos pela legislação brasileira.
Contudo, isto não significa que o provedor do serviço, ou mesmo qualquer infrator que tenha domicílio no Brasil esteja isento de punição. Isto porque o nosso Código Penal considera como local do crime aquele onde se produziu o resultado. Vale dizer, não importa se o conteúdo da informação esteja armazenado nos Estados Unidos, o ilícito, mesmo que tenha origem no estrangeiro, mas que produza efeitos no território brasileiro, será julgado pela legislação nacional.
A cada dia vem aumentando os casos em que alguns abusos têm causado impacto extremamente negativo para algumas pessoas, mesmo aquelas que não sejam usuárias daquele “site”. É comum deparar-se com perfis falsos de celebridades ou não, que foram criados por anônimos, configurando-se clara hipótese de falsidade ideológica.
Este controle nem sempre é eficaz, pois o provedor não tem como controlar efetivamente a falsidade das informações. O prejuízo será maior nos casos em que o site permite o envio de recados por anônimos, que favorecem amplamente a prática de crimes contra a honra. Nestes casos, mesmo que não seja possível a
identificação do remetente, uma vez configurado o dano contra a honra de uma pessoa, o site poderá ser condenado a indenizar, por estar servindo como suporte para a prática do ilícito.
Tem sido crescente a prática de outros tipos penais como apologia às drogas, racismo e incitação ao nazismo. É inegável que o serviço transmite uma falsa impressão aos seus usuários de que o conteúdo armazenado é legalizado, por se tratar de uma zona sem lei, contando ainda com descontrole gerencial das informações por parte do proprietário da infra-estrutura da rede.
Os orkutianos devem ficar em alerta, pois o que pode se passar por uma diversão sem alcance do controle legal estará sujeita em vários casos à aplicação da lei brasileira.
Links com decisões sobre Orkut no Brasil
Belo Horizonte – Ofensa virtual - Juiz de MG manda internauta tirar página do Orkut
http://conjur.estadao.com.br/static/text/30355,1
Londrina - Médicos passam mensagens racistas em site
http://www.dpf.gov.br/DCS/clipping/2005/Maio/14-05-2005NAC.htm
São Paulo - Ministério Público investiga crimes raciais no Orkut
http://conjur.estadao.com.br/static/text/35213,1
Brasília - Governo tira da Internet falso orkut de Luiz Gushiken
http://conjur.estadao.com.br/static/text/33899,1
Rio de Janeiro - Estudante é preso por apologia às drogas no Orkut
http://www.estadao.com.br/cidades/noticias/2005/jul/08/152.htm
Alexandre Atheniense : é advogado em Belo Horizonte, presidente da Comissão de Tecnologia da Informação do Conselho Federal da OAB e presidente da Comissão de Informática da OAB/MG. fonte: Revista Consultor Jurídico, www.conjur.com.br
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Concessionária deve cumprir oferta feita em propaganda
Uma concessionária da Renault em Campinas, no interior de São Paulo, foi condenada pela Justiça a cumprir oferta feita em propaganda publicada em jornal local. O consumidor Felipe Rodrigues Martinez alegou que a empresa anunciou o carro Clio por um preço e, quando ele chegou na loja para comprar o veículo, foi informado de que o valor era bem mais alto.
A decisão, em caráter liminar, é da juíza Renata Manzini, da 5ª Vara Cível de Campinas. Ela entendeu que o anunciou foi feito de tal forma a induzir o consumidor ao erro, acreditando que o preço era bem menor do que o praticado na loja.
A História: Felipe Rodrigues Martinez conta que leu, no jornal Correio Popular, um anúncio sobre a venda de um Renault Clio 1.0 na concessionária Valec, cuja sede fica em Jundiaí. O preço anunciado, segundo ele, era de R$ 18,2 mil — R$ 13,9 mil à vista e 24 parcelas de R$ 176. Além disso, a propaganda dizia que, quem comprasse o veículo, teria direito a um bônus de R$ 1.500 em combustível.
Atraído pelo anúncio, o consumidor foi até a concessionária. Lá, conta que foi avisado por um vendedor que, além do preço mencionado, teria de pagar outra parcela de R$ 13,9 mil. O valor do veículo, de fato, era de R$ 32,2 mil. O bônus de combustível também não era de R$ 1.500, e sim de R$ 1.000. O anunciado só valia para carros com 16 válvulas, o que, segundo ele, não estava legível na propaganda. Felipe, então, entrou com uma Ação de Obrigação de Fazer, com pedido de liminar, contra concessionária.
Na ação, pediu que a Justiça mandasse a Valvec vender o veículo pelo preço anunciado, além de conceder pelo menos R$ 1.000 em combustível. Ele alegou que o Código do Consumidor protegia o cliente nesses casos de propaganda enganosa. O artigo 6º, inciso III, garante ao consumidor o direito à informação adequada e clara sobre os produtos e serviços. Já o inciso IV protege contra a propaganda enganosa.
Felipe citou ainda o artigo 30: “toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado”.
As ressalvas sobre o preço anunciado estavam presentes na propaganda, mas com letras muito pequenas, o que dificultava a leitura e levava ao erro, segundo Felipe.
A juíza Renata Manzini acolheu os argumentos do autor e determinou que a concessionária venda o automóvel no valor anunciado. “Há, nos autos, prova de que o anúncio foi feito de forma a induzir o consumidor, dando a entender que o preço final do veículo seria bem menor que o praticado”, escreveu
Procurada pela Consultor Jurídico, a Valec afirmou que preferia não se manifestar.
Fonte: artigo de Aline Pinheiro . Revista Consultor Jurídico
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Inédito: Batata frita servida com alerta de câncer
A Califórnia pode se tornar o primeiro estado americano a exigir que batatas fritas sejam servidas junto com uma advertência, alertando para o fato de conterem uma substância cancerígena. A substância é a acrilamida, presente em alimentos ricos em carboidratos submetidos a altas temperaturas, fritos ou assados.
Sabe-se que em altas doses a acrilamida é cancerígena, mas não existem provas consistentes de que os alimentos tenham concentrações da substância suficientes para trazer algum risco. A suspeita sobre a acrilamida surgiu há alguns anos e desde então a relação entre ela e o consumo de frituras e assados, como pães e biscoitos, vem sendo muito pesquisada. A batata frita recebeu atenção especial porque contém as maiores concentrações de acrilamida dentre os alimentos mais consumidos.
A proposta de rotular a batata frita é do procurador-geral da Califórnia, Bill Lockyer, que alega que ela é o alimento mais consumido em restaurantes e redes de lanchonetes dos Estados Unidos. A obrigatoriedade, segundo ele, deveria incluir todos os que vendem o alimento, das indústrias a redes como McDonald’s e Burguer King. A Justiça da Califórnia anunciará sua decisão até o fim do ano.
— Todos precisam ser forçados a advertir: este produto contém substância química conhecida no estado da Califórnia como cancerígena — disse o procurador.
A rotulagem encontra forte oposição da indústria e da Administração de Remédios e Alimentos dos EUA (FDA). Os empresários alegam que o uso da palavra câncer, além de péssimo para os negócios, pode não ser correto, pois muitos cientistas têm dúvidas se a acrilamida é perigosa.
O alerta sobre os perigos da acrilamida foi lançado em 2002 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que chegou a reunir pesquisadores num encontro de emergência. O chefe do programa de Segurança de Alimentos da Organização da OMS, Jorgen Schlund, classificou a descoberta como alarmante.
Estudo desenvolvido na Universidade de Estocolmo em parceria com a Administração Nacional de Alimentos da Suécia mostrou que a acrilamida se forma quando alimentos ricos em carboidratos são fritos ou assados, mas não quando são cozidos.
A OMS considera seguro consumir um micrograma de acrilamida por quilo. O estudo mostrou, no entanto, que um saco de batatas chips tem 500 vezes mais acrilamida do que o limite estabelecido. As batatas fritas ultrapassam a quantidade recomendada em mais de cem vezes. Na época, cientistas frisaram, porém, que novos estudos seriam necessários.
Nos Estados Unidos, país que enfrenta a mais grave epidemia de obesidade do mundo, as batatas fritas movimentam por ano cerca US$ 4 bilhões e as batatas chips cerca de US$ 3 bilhões.
— Não queremos banir as batatas fritas do mercado, mas é necessário avisar aos milhões de consumidores sobre os riscos que correm — declarou Lockyer. |

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Fonte: O Globo- artigo publicado na revista Consultor Jurídico |
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