6 conselhos de George Orwell para melhorar sua escrita

Marco Aurélio Loureiro

Escrever com qualidade pode destacar seus pensamentos, aumentar sua autoridade e ajudar você a alcançar seus objetivos e transmitir sua mensagem. E isso vale para postagens no Facebook, mensagens no Whatsapp, e-mails pessoais e profissionais, artigos em sites, apresentações em Power Points entre várias outras possibilidades.

O escritor britânico George Orwell, pai de obras monumentais como “1984” e “A revolução dos bichos” tinha algumas regras bem estabelecidos para construir seus textos, sendo um opositor ferrenho de textos difíceis de compreender, rasos e imprecisos.

Tenha em mente seis dicas valiosíssimas que Orwell ensinou em um ensaio na revista Horizon intitulado Politics and the English Language (A Política e a Língua Inglesa) e levará sua escrita para outro patamar. Conhecimento vindo direto de 1946 para tornar seus textos MARAVILHOSOS:

1. Nunca use uma metáfora, comparação ou outra frase feita que esteja acostumado a ver escrita

Sabe aquelas frases que estão na ponta da língua e que nem pensamos mais exatamente no que ela significa? Então, nunca mais use. Trocar seis por meia dúzia, olho por olhos, dente por dente, caiu na rede, calcanhar de Aquiles, tocar os sinos da mudança, estar na ordem do dia, trocar alhos por bugalhos, ficar de cabelo em pé, são exemplos de citações gastas que tem seu sentido e impacto esvaziado. Usá-las demonstra que o autor não se preocupou muito com o que está escrevendo e colocou a primeira coisa que veio na cabeça.

Expressões desgastadas não impactam o leitor. Você se surpreende toda vez que vê seu criado-mudo? Isso acontece porque tendemos a gastar menos energia de nossa mente pensando e analisando aquilo que nos é familiar. Imagine o quão seria terrível termos que nos preocuparmos em analisarmos em detalhes tudo que está ao nosso redor cada vez que nos deparamos com aquilo.

Apresente seu estilo próprio de escrita, desenvolva seus jargões, sua forma de se expressar e dê a sua identidade ao texto que desenvolve.

2. Nunca use uma palavras longa se pode usar uma curta que signifique o mesmo

Um recurso que as pessoas usam para tentar impressionar é palavras longas ou complicadas, buscando passar erudição e conhecimento profundo. Traga as palavras para próximo do leitor. Não que passaremos a escrever como falamos, o questão é haver um equilíbrio para não ‘enfeitar o pavão’ (brincadeira!). Por que escrever veículo automotor se você quer dizer carro? Ou tênue quando quer dizer fraco?

Isso me faz lembrar de uma entrevista com Galvão Bueno na qual ele contou que no início de sua carreira costumava usar palavras rebuscadas para tentar passar uma imagem de quem sabia o que estava falando e buscando imprimir uma imagem pessoal. Segundo ele, o que acontecia era o contrário, isso mostrava insegurança, o que ele só conseguiu perceber anos depois. Fazer o simples, ser direto e claro é a melhor estratégia, afinal ‘menos é mais’ (está bem, juro que paro).

O que é melhor, ludopédio ou futebol?

3. Quando possível eliminar uma palavra, sempre elimine

Se algo não precisa estar ali, tire. Simples assim. Se existe algum enfeite, ele apenas complicará a compreensão do leitor e fará com que seja mais difícil de entender o que você escreveu. Carlos Drummond de Andrade certa vez disse: “escrever é a arte de cortar palavras”. Coloque o seu pensamento em palavras, deixe as mãos soltas, sem julgamento. E depois vá tirando os excesso. Pensando sempre se existe alguma maneira de dizer exatamente a mesma coisa, só que com menos palavras, de uma forma mais certeira.

Aqui entra o conceito de elegância na escrita, assim como acontece na Matemática. A descrição de algo com poucos e precisos termos tem mais valor estético e funcional do que uma geringonça (?!?) cheia de palavras e símbolos.

Imagine que você peça para alguém descrever como é o cachorro dela. Naturalmente algumas poucas palavras são o suficiente para satisfazer sua curiosidade, se a pessoa fica inserindo palavras que tem pouco ou nada a acrescentar no seu entendimento, rapidamente você irá se cansar daquele papo.

Uma coisa é dizer: “ele é da raça X, tem o pelo curto, marrom e é brincalhão” ou é falar “ele é um cachorro da raça X, tem a estrutura de pelo curto, cor marrom e tem a personalidade brincalhona”. (Sabemos que é um cachorro, que o pelo forma uma estrutura e que ser brincalhão é uma expressão de personalidade. Reparou como são palavras desnecessárias?)

Lembre-se de que as pessoas preferem estar em contato com aquilo que exige a menor quantidade possível de energia. Se for um texto longo, complexo, ele irá tirar a motivação e o engajamento daquele leitor. O que não é nada bom para você e sua mensagem.

“O poder de síntese é a alma da inteligência” – William Shakespeare

4. Nunca use a voz passiva quando puder usar a ativa

Basicamente significa colocar as palavras na forma mais fácil de entender, como estruturamos o pensamento. Por exemplo:

“Eu seguirei você” é bem melhor do que “Você será seguido por mim”.

Como isso funciona? Vamos lembrar um pouco do nosso tempo de escolha: na Voz Ativa, colocamos as coisas na seguinte ordem: Quem faz a ação? (Sujeito da Ativa) / Verbo (o que ele fez?) / Objeto (Quem sofreu a ação?)

Os alemães                        destruíram                         a ponte                              (Voz Ativa)

Sujeito da Ativa                                                            Objeto Direto

A ponte                               foi destruída                      pelos alemães                  (Voz Passiva)

Sujeito da Passiva                                                         Agente da Passiva

Repare que no segundo caso, fica um pouco mais complicado entender, porque invertemos o curso do pensamento. Repare como falamos normalmente e a verificação será feita por você. (Ahá! Viu como ficou mais complicado de entender do que “você fará a verificação”? Esse é o caminho natural do nosso pensamento. Na Voz Ativa fica mais amigável e a pessoa entende com menos esforço mental)

5. Nunca use uma expressão estrangeira, uma palavra científica ou um termo de jargão se puder pensar em uma palavra equivalente em seu idioma cotidiano

Benchmarking, Compliance, Mindset, mutatis mutandis, quid pro quo, status quo, são algumas palavras e expressões (entre várias outras) que algumas pessoas usam para tentar impressionar ou confundir seus leitores.

Em um texto feito para ser compreendido, qual valor está em colocar os termos em outro idioma? Esse é mais um recurso que afasta o leitor do entendimento do que foi escrito. Pessoas que usam muitos termos estrangeiros podem passar a impressão de arrogância, distância ou vontade de enganar ou menosprezar a outra pessoa.

A regra é simples: o texto tem que estar no idioma de seu público-alvo. O português é uma língua tão rica, será que não existe alguma palavras em português que tenha o mesmo sentido?

Obs.: Sei que existem algumas palavras que existem apenas em seus idiomas de origem e qualquer tradução é apenas uma adaptação, como por exemplo Serendipity que é algo como o sentimento de felicidade por encontrar algo que não estava procurando. Mas esses são casos isolados e ainda assim, sempre é possível trocar a palavras por uma expressão mais amigável.

Outro cuidado que temos que ter é com relação a termos técnicos ou jargões profissionais, que podemos até utilizar em nosso cotidiano, mas será que a maioria das pessoas sabem o que é uma treliça ou uma desfibrilação?

Obs. 2: Sei também que existem certas práticas profissionais que exigem a utilização de termos técnicas e expressões em outros idiomas, naturalmente nesses casos, a utilização não é uma escolha do escritor, mas uma obrigação. Normalmente nessas situações, os leitores são restritos e igualmente fluentes nesses termos ou então fazer dessa forma cumpre requisitos formais e/ou legais. Use-os.

Não é desagradável chegar em uma conversa onde estão falando uma língua que você não conhece, ou sobre um assunto profissional absolutamente restrito (como a vida dos múons em uma roda de físicos)?

Abrir a linguagem e aproximá-la do leitor é uma forma de generosidade intelectual e vontade genuína de transmitir sua ideia.

Em que medida acreditamos que colocando os termos em outro idioma ou com palavras restritas a um grupo de profissionais, o valor de nossas ideias irá aumentar?

Se estou falando algo incrível, quero que quem está lendo entenda isso o mais facilmente possível. Se é uma bobagem, posso escrever em etrusco, que continuará uma bobagem.

6. Descumpra qualquer uma dessas regras antes de escrever algo que pareça estúpido

O importante não são as regras, mas o leitor. A qualidade do seu texto nunca pode ser prejudicada por esses ou outros conselhos. Use-os desde que não torne seu texto em algum tipo de aberração, que atende de alguma maneira essas orientações, mas que não cumpre seu objetivo: comunicar, ensinar, gerar inquietação, convidar para pensar.

“Não sou um bom escritor, mas sou um excelente reescritor” – James Michener

 

*Marco Aurélio Loureiro é desenvolvedor humano, coach, mentor, professor, matemático, terapeuta corporal ayurvédico e tântrico, autor e palestrante

Os alemães                        destruíram                         a ponte                              (Voz Ativa)

Sujeito da Ativa                                                            Objeto Direto

A ponte                               foi destruída                      pelos alemães                  (Voz Passiva)

Sujeito da Passiva                                                         Agente da Passiva

Repare que no segundo caso, fica um pouco mais complicado entender, porque invertemos o curso do pensamento. Repare como falamos normalmente e a verificação será feita por você. (Ahá! Viu como ficou mais complicado de entender do que “você fará a verificação”? Esse é o caminho natural do nosso pensamento. Na Voz Ativa fica mais amigável e a pessoa entende com menos esforço mental)

5. Nunca use uma expressão estrangeira, uma palavra científica ou um termo de jargão se puder pensar em uma palavra equivalente em seu idioma cotidiano

Benchmarking, Compliance, Mindset, mutatis mutandis, quid pro quo, status quo, são algumas palavras e expressões (entre várias outras) que algumas pessoas usam para tentar impressionar ou confundir seus leitores.

Em um texto feito para ser compreendido, qual valor está em colocar os termos em outro idioma? Esse é mais um recurso que afasta o leitor do entendimento do que foi escrito. Pessoas que usam muitos termos estrangeiros podem passar a impressão de arrogância, distância ou vontade de enganar ou menosprezar a outra pessoa.

A regra é simples: o texto tem que estar no idioma de seu público-alvo. O português é uma língua tão rica, será que não existe alguma palavras em português que tenha o mesmo sentido?

Obs.: Sei que existem algumas palavras que existem apenas em seus idiomas de origem e qualquer tradução é apenas uma adaptação, como por exemplo Serendipity que é algo como o sentimento de felicidade por encontrar algo que não estava procurando. Mas esses são casos isolados e ainda assim, sempre é possível trocar a palavras por uma expressão mais amigável.

Outro cuidado que temos que ter é com relação a termos técnicos ou jargões profissionais, que podemos até utilizar em nosso cotidiano, mas será que a maioria das pessoas sabem o que é uma treliça ou uma desfibrilação?

Obs. 2: Sei também que existem certas práticas profissionais que exigem a utilização de termos técnicas e expressões em outros idiomas, naturalmente nesses casos, a utilização não é uma escolha do escritor, mas uma obrigação. Normalmente nessas situações, os leitores são restritos e igualmente fluentes nesses termos ou então fazer dessa forma cumpre requisitos formais e/ou legais. Use-os.

Não é desagradável chegar em uma conversa onde estão falando uma língua que você não conhece, ou sobre um assunto profissional absolutamente restrito (como a vida dos múons em uma roda de físicos)?

Abrir a linguagem e aproximá-la do leitor é uma forma de generosidade intelectual e vontade genuína de transmitir sua ideia.

Em que medida acreditamos que colocando os termos em outro idioma ou com palavras restritas a um grupo de profissionais, o valor de nossas ideias irá aumentar?

Se estou falando algo incrível, quero que quem está lendo entenda isso o mais facilmente possível. Se é uma bobagem, posso escrever em etrusco, que continuará uma bobagem.

6. Descumpra qualquer uma dessas regras antes de escrever algo que pareça estúpido

O importante não são as regras, mas o leitor. A qualidade do seu texto nunca pode ser prejudicada por esses ou outros conselhos. Use-os desde que não torne seu texto em algum tipo de aberração, que atende de alguma maneira essas orientações, mas que não cumpre seu objetivo: comunicar, ensinar, gerar inquietação, convidar para pensar.

Dica bônus de ouro

Escreva como se estivesse se comunicando com uma criança de 5 anos. Construa sua ideia imaginando (ou fazendo de verdade) uma tentativa para que essa criança entenda o que você está pensando. Quando conseguir que ela pegue o seu ponto de vista, aí está um texto direto, fácil e impactante.

“Não sou um bom escritor, mas sou um excelente reescritor” – James Michener

(Mais um BÔNUS) Para relaxar, momento cultural: Como falamos sobre expressões em latim no item 5, aqui vão algumas expressões em latim com seus significados para você bancar o sabichão caso o assunto acabe quando se encontrar com seus amigos:

  • Auribus teneo lupum (Segurando o lobo pela orelha): usado para dizer que uma situação é insustentável na Roma Antiga.
  • Barba tenus sapientes (Tão sábio quanto sua barba): expressão que mostra o quanto os antigos romanos ligavam a barba de alguém e sua sabedoria.
  • Brutum fulmen (Raio sem sentido): usado pelos antigos romanos para dizer que algo não representava ameaça.
  • Caesar non supra grammaticos (O imperador não está acima da gramática): uma defesa pelo falar corretamente.
  • Carpe Noctem (Aproveite a noite): expressão para incentivar as pessoas a fazerem coisas boas à noite, depois de um dia produtivo.
  • Carthago delenda est (Cartago deve ser destruída): expressão usada durante as Guerras Púnicas, hoje usada para se referir a algo que precisa ser feito.
  • Cartigat ridendo mores (A moral se corrige sorrindo): lema que quero mostrar a utilizada da sátira na mudança social.
  • Corvus oculum corvi non eruit (Um corvo não arranca o olho de outro corvo): mostra o comportamento solidário entre pessoas do mesmo grupo.
  • Cui bono? (Quem se beneficia?): tentativa no âmbito legal para defender que aquele que ganha mais em uma situação criminosa, provavelmente é o culpado.
  • Ex nihilo nihil fit (Nada vem do nada): se quiser algo bom, trabalhe duro
  • Felix culpa (Culpa feliz): expressão de cunho religioso e usado quando o sermão era sobre Adão e Eva.
  • Hannibal ad portas (Hannibal está nos portões): mais uma expressão sobre a guerra entre Roma e Cartago, usada por pais que queriam assustar seus filhos e colocar ordem na casa.
  • Homo sum humani a me nihil alienum puto (eu sou um ser humano, então nada humano é estranho para mim): frase usada como forma de respeito a expressões culturais diferentes.
  • Ignotum per ignotius (O desconhecido pelo desconhecido): quando uma pessoa não entende alguma coisa, recebe uma explicação e fica ainda mais confusa.
  • Vox nihil (A voz de nada): usado para descrever algo sem sentido.
Fonte: Megacurioso

Sobre o Autor:

Presidente do Instituto Loureiro de Desenvolvimento Humano e da Novah Agência de Comunicação. Desenvolvedor humano, coach, mentor, professor, escritor, matemático, terapeuta corporal ayurvédico e tântrico, autor e palestrante. Pesquisador e um dos pioneiros da aplicação integrada de técnicas e conceitos de Pedagogia, Coaching, Mentoring e Ayurveda no desenvolvimento de pessoas. Atuou durante mais de 20 anos como professor e palestrante, tendo desenvolvido milhares de pessoas ao longo desse período. Cursou Engenharia Civil, Bacharelado em Estatística, Licenciatura de Matemática e Marketing com especializações nas áreas de Psicologia, Educação, Marketing e Astronomia, pelas instituições USP, FGV, FAAP, UNIP. Violonista clássico, geek e colecionador de livros e documentos raros.

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