Agir ou reagir

* por Tom Coelho

“Pouco conhecimento faz com que as criaturas se tornem orgulhosas. Muito conhecimento, que se tornem humildes.”

(Leonardo da Vinci)

 

Uma das características inerentes ao profissional de destaque é a busca incansável pelo autoconhecimento. Quanto mais você se conhece, mais pode potencializar suas forças e amenizar suas fraquezas.

Minha proposta neste momento é compartilhar com você um breve exercício. Trata-se do que chamamos locus de controle, ou centro de controle. Apresentarei apenas dez questões e sua missão será efetuar a leitura dos textos respondendo de forma absolutamente franca com qual das assertivas, A ou B, você concorda mais. Os resultados serão comentados na sequência e, tenha certeza, revelarão um aspecto fundamental de seu perfil atitudinal: como você se comporta perante o mundo externo.

A

B

A ou B?

 

01

Fazer muito dinheiro está ligado a escolher os caminhos certos. As promoções são obtidas com muito trabalho e persistência.  

 

02

Percebi que existe uma conexão direta entre quanto me esforço e o resultado que tenho.  

Muitas vezes, as reações dos clientes parecem confusas.

 

 

03

O número de separações indica que mais pessoas não estão se empenhando em fazer seus casamentos funcionarem.  

Casamento é, em grande parte, uma situação de risco.

 

 

04

É tolice pensar que alguém pode mudar, de fato, as atitudes básicas de outra pessoa.  

Quando estou certo, posso convencer outras pessoas.

 

 

05

 

Ser promovido é realmente uma questão de ter mais sorte do que outra pessoa.

Conquistar poder e autonomia depende da competência profissional.  

 

06

 

Se alguém sabe como lidar com pessoas, é fácil liderá-las.

Exerço pouca influência na maneira como outras pessoas se comportam.  

 

07

Os objetivos que conquisto são resultados de meus próprios esforços; sorte não tem nada a ver com isso. Às vezes, acho que tenho pouco a fazer diante da situação apresentada.  

 

08

 

Pessoas como eu podem mudar o resultado dos negócios se conseguirmos nos fazer ser ouvidos.

É um pensamento esperançoso acreditar que alguém pode influenciar o que acontece no mercado.  

 

09

Grande parcela do que me acontece é provavelmente uma questão de acaso.  

Sou senhor do meu destino.

 

 

10

Dar-se bem com pessoas é uma habilidade que deve ser exercitada. É muito difícil descobrir como agradar a certas pessoas.  

 

Para que possamos proceder à análise dos resultados, confronte suas respostas com a tabela abaixo, anotando “0” ou “1” de acordo com a opção feita. Evidentemente, o somatório dos pontos deverá ser um número entre 0 e 10.

 

Questão

Alternativa A

Alternativa B

 

Questão

Alternativa A

Alternativa B

01

0

1

06

1

0

02

1

0

07

1

0

03

1

0

08

1

0

04

0

1

09

0

1

05

0

1

10

1

0

 

De posse de sua pontuação final, veja no quadro a seguir como pode ser classificado seu centro de controle, se interno ou externo.

Pontuação

Classificação

Locus de Controle

8 – 10

Interno alto

Pessoas internas

(alta resiliência)

6 – 7

Interno moderado

5

Intermediário

3 – 4

Externo moderado

Pessoas externas

(baixa resiliência)

0 – 2

Externo alto

 

Interpretando o resultado

Esta atividade foi desenvolvida por companheiros da Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento Empreendedor. Tenho utilizado, eventualmente, este exercício em sala de aula e os resultados são sempre interessantes.

Pessoas com centro de controle externo, ou seja, aquelas com pontuação entre 0 e 4 pontos, são pessoas muito influenciadas pelo mundo exterior. Para elas, o destino depende do que acontece à sua volta.

Os negócios não andam bem porque as taxas de juros estão muito elevadas, a Economia está recessiva, as reformas ainda não foram votadas no Congresso e os conflitos no Oriente Médio estão tomando proporções preocupantes, colocando em risco a estabilidade política e econômica do mundo globalizado.

A empresa não anda bem porque a alta direção não toma as decisões acertadas, os concorrentes apresentam produtos e preços melhores, o mercado não está comprador, os colegas não trabalham em sinergia e os departamentos não se comunicam de maneira efetiva.

O profissional não se recoloca no mercado de trabalho porque o desemprego é crescente e não há oferta de vagas, suas qualificações não são reconhecidas pelos selecionadores, os cursos de atualização são muito dispendiosos, os currículos enviados não são lidos, e somente através da indicação de terceiros é possível obter uma oportunidade para demonstrar talento e capacidade.

No polo oposto, estão as pessoas com centro de controle interno. Quem atingiu de 6 a 10 pontos enquadra-se neste grupo. São pessoas que realmente enxergam-se como donas de seu próprio futuro. Os fracassos são sua responsabilidade, decorrentes de ações inadequadas que invariavelmente levaram ao aprendizado. O sucesso, por sua vez, é fruto de trabalho, ousadia, criatividade, perseverança, enfim, todo um conjunto de atitudes vencedoras.

A Economia brasileira apresenta-se instável, mas isso não tem importância. Se os juros aumentarem ou a carga tributária for elevada, paciência, pois vamos nos adequar. Se novos ataques terroristas assombrarem o mundo ou uma nova chaga ameaçar a saúde das pessoas no planeta, resignação, pois vamos nos adaptar. Afinal, são ações que atingirão a todos indistintamente e sua intensidade dependerá da forma como reagirmos a elas.

A empresa está passando por um momento difícil, então que viremos o jogo. Vamos observar as melhores práticas da concorrência e colocá-las em ação. Ouvir mais os consumidores, diferenciar nossos produtos, agregar valor por meio de benefícios reais e percebidos. Melhorar um pouco mais a cada dia. Imaginar e reinventar.

O profissional que busca recolocação procura delinear seus aspectos positivos. Relaciona o perfil de empresa e do cargo que almeja ocupar, associa-se a parceiros profissionais e faz uso de sua rede de contatos para garimpar oportunidades. Cuida de seu marketing pessoal e, especialmente, adota uma postura proativa, ciente de que sua adversidade é passageira e que o futuro será reflexo de suas escolhas e atitudes e não de devaneios ou julgamentos de terceiros.

Lembre-se de que o resultado deste breve exercício é situacional, ou seja, ele espelha o momento presente de quem o responde. Esta é a boa notícia: se você está com baixa resiliência hoje, pode trabalhar seu comportamento para alterar este quadro. Em outras palavras, tudo depende de sua atitude.

 

* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de nove livros.