Matérias de Dezembro.

 

A História da Esperança:

  O fim do fim do mundo.
  Doze atitudes que estimulam a criatividade na empresa.
 
  A criatividade como provocação.
 

Omissão de socorro. Empresa de ônibus paga por não socorrer estudante.

 

Serviço essencial. Hospital não pode ter serviço de telefonia suspenso.

  Combinado é combinado. Candidatos do PMDB terão de indenizar mulher por uso indevido de imagem.
  Revista em funcionários da Vasp por suspeita de furto não causa dano moral. É o que diz o STJ.
   
   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   
 
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A História da Esperança:

 

Conta a lenda que a há muitas eras atrás, antes mesmo de se começar a contar o tempo, os homens viviam unidos por uma fina linha brilhante e quente. Essa linha frágil que ligava os seres humanos tinha a cor de cada momento. Às vezes mostrava-se púrpura com a exaltação dos sentidos, quando se contemplava um pôr-do-sol deslumbrante. Algumas vezes essa linha era muito rosa , reflexo de corações apaixonados, ou vermelha pelo calor do amor. Era também azul , celeste, de quem está de bem com a vida. Por vezes a linha ficava verde , com a ira das desavenças, logo esquecidas, porque a linha estava ali para lembrar que todos eram um só. Bem poucas vezes essa linha era branca , de paz entre todos os homens. Era difícil, mas quem já tinha experimentado alguma vez, queria muito a cor branca de volta, pela sensação maravilhosa que proporcionava.

Havia também uma outra cor, que vez por outra aparecia, era de um amarelo ferrugem, que carcomia a harmonia. Essa sempre aparecia quando um não se importava com sua ligação com o outro. Desapareciam as cores e só sobrava a tal ferrugem para emperrar as relações. Com o tempo essa cor foi tomando conta dos laços entre os homens. Quanto mais gente nascia, quanto mais as crianças cresciam, menos cores sabiam fazer, só o amarelo ferrugem, que era fácil de se instalar, bastava fechar os olhos e esquecer do mundo.

Um dia de tanta ferrugem a tênue linha se rompeu. Foi uma dor bem grande. Muita gente sofreu, chorou, teve gente até que tentou se ligar de novo, através de afetos, formando famílias, montando nações, mas a linha nunca mais se viu, pois ela só é visível quando todos estão ligados.

Desde esse distante dia, já há muito perdido no tempo, que alguns homens e mulheres se esforçam por juntar as pontas partidas entre irmãos, superar abismos que separam ricos de pobres, vencer as barreiras de iguais que se consideram diferentes, aproximar crianças que foram afastadas para viver às margens da estrada poeirenta da história.

Era tão difícil esse trabalho, mas tinha gente tão generosa, tão dedicada a essa tarefa, que um dia um grande mago, poderoso alquimista de muitas histórias, vendo o esforço dessa gente, resolveu fazer a mágica das mágicas. Transformou o coração humano numa brasa incandescente, que precisa de faíscas para continuar batendo forte. E transformou as mãos de cada ser humano em faíscas que podem aquecer a brasa.

Porém uma falha enorme ocorreu. A faísca das próprias mãos não podia acender a brasa de seu coração. Que triste mágica é essa? Ter uma brasa dentro do peito e ter faíscas nas mãos e viver condenado ao frio destino de uma chama que não se pode acender? Mas, então alguém tocou as mãos de outro alguém e um forte choque aconteceu, as duas brasas, uma em cada coração, se acenderam, encheram de calor o peito de cada um. A faísca de suas mãos não podia acender a brasa do próprio coração, mas era capaz de acender a brasa do coração de outros.

Quanto júbilo, que glória poder viver com o coração aquecido. Porém, esse calor não durava para sempre. Era preciso estar estendendo as mãos e tocando os mais próximos para manter a brasa do coração sempre aquecida. Que trabalheira, que confusão, ah mais que gostoso o calor se espalhando pelo peito, o coração batendo forte e levando sangue quente por todo o corpo.

E ao se darem as mãos os homens perceberam que além do calor, surgia também uma leve cor, de um verde água, que escorria entre todos e enchia os espaços vazios, os cantos isolados, completando as ausências. Era tão bela essa cor e tão radiante o seu brilho que os homens a chamaram de Esperança. E foi assim, conta a lenda, que mãos estendidas em cooperação, enchem o coração de calor, e criam a esperança, que faz ressurgir nos homens a fé de alcançar algo que se perdeu.

Por: Dulce Magalhães Ph.D em Planejamento de Carreira pela Columbia University - www.work.com.br

 



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O fim do fim do mundo.

 

Você já esteve no lugar em que "Judas perdeu as botas", aquele lugar que fica longe de tudo, pra lá de Bagdá, muito além de Marrakesh. Você sabe do que a gente está falando, "os cafundós do Judas" (olha ele aí de novo, gerente). Pois é, a novidade é que esse lugar não existe mais.

É claro que temos regiões menos desenvolvidas que outras. Permanecem as dificuldades culturais e econômicas de alguns povos e de países inteiros. Entretanto, em qualquer lugar do mundo para onde se vá, vamos nos deparar com as facilidades que os instrumentos de comunicação humana tem utilizado para diminuir o tamanho do planeta.

Da savana africana ao sertão nordestino, da Antártida à Groenlândia, tem gente conectada, informada, em sintonia com o que acontece no mundo. No Brasil, cidades com menos de vinte anos, como no sul do Pará, norte do Mato Grosso, no Tocantins, entre muitos exemplos, estão vivendo ainda uma situação de pioneiros, com carências intensas a serem atendidas, dificuldades de transporte, de estrutura social, escolas, hospitais, etc. Porém, as pessoas estão com a janela da tv aberta para o mundo, com a internet plugada, fazendo amizades ao redor do planeta. È, o fim do mundo acabou.

É preciso pensar em três fatores que determinam esse desempenho: projeto de vida, plano de carreira e antenas ligadas com o novo.

Projeto de Vida:

Onde você quer viver, com que pessoas, quais as questões mais importantes nesse momento de sua vida, o que é fundamental pra você? Essas perguntas são tão básicas, mas é de espantar a quantidade de pessoas que não sabe as respostas. O maior desperdício que podemos conceber é o indivíduo que reza para chegar logo às seis da tarde, então ele está livre da " tortura" que é seu trabalho. Isso significa que ele está torcendo para passar logo um tempo essencial de sua própria existência. É preciso definir o que esperamos de melhor em nossa vida, para que nosso projeto tenha chances de acontecer.

Plano de Carreira:

Identificar seus talentos, descobrir suas habilidades, desenvolver idéias, projetos, propostas, estar afinado com seus propósitos. Esse é o contexto de um planejamento eficaz de carreira. A excelência é menos um esforço e mais uma habilidade posta em prática. Normalmente as pessoas mais bem sucedidas são aquelas que fazem o que mais gostam, de forma aprofundada e em permanente desenvolvimento.

Antenas Ligadas com o Novo:

O fato de termos tomado decisões não significa que elas não possam ser alteradas. Ao contrário, ter flexibilidade para mudar sempre que se depara com uma nova demanda, estabelece uma vantagem competitiva importante em termos de vida e carreira. Mudar não é uma alternativa é, decisivamente, um método para permanecer no caminho de sucesso que almejamos.

Quando no mundo não há mais lugar onde a gente possa se esconder das demandas por maior competência, a solução é ocuparmos um lugar de destaque e fazermos valer a premissa básica do sucesso, que é ser profundamente feliz. E felicidade é um conceito que varia de pessoa para pessoa, mas normalmente exibe a mesma fórmula de equilíbrio entre o pessoal, o familiar, o profissional e o social. Se não há mais fim do mundo onde possamos nos abrigar do furacão do progresso constante, ou você está dentro dele ou está, efetivamente, fora.

Por: Dulce Magalhães Ph.D em Planejamento de Carreira pela Columbia University - www.work.com.br


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Doze atitudes que estimulam a criatividade na empresa


H á muitos executivos e empresas cientes de que precisam preparar-se para trabalhar com o inédito. Enquanto alguns já fazem isso, outros tentam, mas não conseguem. Existem muitos fatores que matam as idéias antes mesmo de elas serem testadas. O foco tem de ser concentrado na idéia. Ela é o instrumento mais efetivo de diferenciação. Porém, para ter boas idéias, é necessário ter a criatividade bem desenvolvida, estimulada e valorizada.

A 3M é um dos clássicos exemplos que provam que a criatividade nas organizações é um bom negócio. A empresa tem a filosofia de solucionar problemas dos consumidores por meio de inovações, e nada menos que 30% de seus lucros provêm de produtos com menos de quatro anos de existência. Não é por acaso que ela detém mundialmente a marca The Innovation Company.

As empresas que praticam a inovação desenvolvem facilitadores como estrutura descentralizada, reconhecimento dos funcionários, ausência de punição por erros e estímulo à experiência. Além disso, praticam o permanente treinamento de suas equipes nos requisitos básicos da inovação: criatividade, empreendedorismo, projetos e mudanças.

Vejamos agora, algumas atitudes que tornam o ambiente empresarial propício à inovação.

1. Comunique

A empresa precisa manter um canal permanente de comunicação com os seus funcionários. Vários meios podem ser usados para isso: mural, circular, jornal ou revista internos, e-newsletter, e-mails, vídeos e outros. Estando bem informados sobre os problemas, as oportunidades e as dificuldades da empresa bem como sobre as atividades da concorrência, os funcionários poderão usar seu potencial criativo para gerar idéias que vão ao encontro das necessidades da empresa. Em princípio, isso tudo é aplicável à sua comunicação também com filhos, esposa, amigos. Contate o coração de todos eles.

2. Desafie

É preciso que a empresa demonstre gosto por desafios e compartilhe isso com seus colaboradores. Atitudes como desafiar um funcionário ou um grupo a encontrar soluções para um determinado problema, simplificar um processo ou sistema, melhorar a qualidade de um produto ou encontrar novos canais de distribuição são muito motivadoras e produtivas. Que tal desafiar-se a encontrar mais tempo para ficar com seu filho e ouvir o que ele quer lhe contar?

3. Abomine a hierarquia rígida

A empresa que mantém uma hierarquia rígida inibe a criatividade das pessoas. Num sistema assim, como elas se sentirão à vontade para apresentar uma idéia inovadora para seus superiores? Como terão acesso a alguém de posição mais elevada? A rigidez hierárquica é algo que você pode combater na própria vida familiar. Role no chão com as crianças, deixe o terno amassar e o cabelo despentear. E, se a camisa rasgar, não se incomode: a risada que os baixinhos vão dar terá feito valer a pena.

4. Exija

A exigência positiva (não aquela que serve só para estressar, irritar e desgastar) força as pessoas a usar mais seu potencial criativo. Jamais aceite uma única idéia, pois isso é pouco. Quem tem mais de uma idéia tem mais de uma opção. Nas empresas pela qual trabalhei em toda minha vida como executivo, nunca aceitei uma idéia só. Quando algum funcionário vinha à minha sala apresentar a solução de um problema ou uma nova idéia, a primeira coisa que eu dizia era: "Ótimo. E quantas idéias você tem para resolver esse problema?"

Se o funcionário tivesse apenas uma, eu pedia para que ele pensasse em mais cinco opções e que voltasse para conversarmos.

O resultado da minha exigência é que todos eram estimulados (ou impelidos) a usar mais seu potencial criativo. Chegamos a uma fase em que ninguém entrava na minha sala com menos de três ou quatro idéias diferentes para cada assunto.

Produzindo múltiplas idéias, você verá aumentar suas chances de solucionar as situações. Isso sem falar que uma idéia puxa a outra. Sempre pratiquei o exercício de associar idéias com meus filhos desde muitos pequenos para que eles já se habituassem a usar todo o seu potencial criativo.

5.Desligue o piloto automático

Há uma tendência do ser humano à acomodação. É muito mais fácil deixar as coisas no piloto automático, não questionar nada e ir levando a vida da maneira como sempre o fizemos. Há uma boa razão por que você não deve permitir isso: o fato de uma coisa ser feita sempre da mesma maneira não significa que seja a melhor maneira.

6. Acabe com os preconceitos

"Sua idéia já foi tentada no passado e não deu certo."

"Isso não vai funcionar."

"Que outra empresa já fez isso?"

"Os clientes estranharão essa mudança."

"O departamento jurídico não aprovará a idéia."

É muito comum ouvirmos frases como essas ao apresentarmos uma idéia criativa e inovadora. Preconceito, como a própria etimologia já diz, é um pré-conceito que nem sempre se aplica à situação ou que carece de fundamentos mais concretos."Por quê?" é a pergunta mais adequada para questionar um preconceito.

7. Permita-se experimentar

Punir alguém por seus erros é um dos grandes inibidores da criatividade nas empresas. As pessoas, com medo de punição, tornam-se omissas. Uma pessoa omissa pode não cometer falhas, mas também não traz nenhum benefício para a empresa.

8. Valorize a iniciativa

Quando alguém trouxer uma idéia, agradeça-lhe, mostre-se realmente interessado e considere a aplicabilidade da questão. Isso não significa que a idéia seja boa, exequível, interessante ou compatível com os objetivos da empresa. E, se ela não for aproveitável, explique clara e sinceramente o porquê ao autor. Em seguida, estimule-o a dar novas idéias sobre outros assuntos. Com isso, a pessoa se sentirá valorizada e terá orgulho em continuar usando a própria criatividade em benefício da empresa.

9. Apóie

Dê suporte para os que se esforçam para ter idéias e buscar novos caminhos, soluções, melhorias, reduções de custo e outros.

10. Proporcione recursos

Existem vários tipos de idéias. Algumas são de tão simples execução, baratas ou benéficas que nos dão motivo para exclamar:"Poxa! Como não pensamos nisso antes?"

Há idéias que necessitam de verbas e suporte estratégico, como aquelas que requerem o desenvolvimento de produtos em laboratório. O técnico que está desenvolvendo a nova idéia certamente precisará comprar materiais para os testes, encomendar serviços externos, utilizar matérias-primas etc. Se ele não tiver recursos para trabalhar, sua idéia não saíra do papel. Nesse caso, a empresa corre o risco de perder competitividade ou permitir que a concorrência lance algo similar.

11. Questione as normas

Um dos grandes inibidores da criatividade e da inovação são as  normas da empresa. É claro que nenhuma organização pode prescindir de normas, pois sua administração seria caótica. Mas muitas dessas regras, que foram importantes quando criadas, perderam o sentido com o passar do tempo e as mudanças nos negócios e no mundo.

Uma norma que perdeu o sentido só serve para bloquear a criatividade e a inovação na empresa, porque sempre haverá um burocrata para dizer com todo entusiasmo:"A norma não permite."

Por isso, estimule o questionamento das normas. Avalie se as regras vigentes ainda fazem sentido ou se existem porque ninguém parou para questioná-las.

O excesso de normas engessa o cérebro das pessoas e, consequentemente, reduz a competitividade da empresa.

12. Desenvolva novos produtos

Alfred Zein, presidente da Gillette, disse certa vez: "Novos produtos, esse é o nome do jogo. Brevemente, 50% dos novos produtos não existiam cinco anos atrás."

Com suas marcas Duracell, Parker, PaperMate, Toillette ou Oral-B, a Gillette mantém a liderança por meio da inovação e do constante lançamento de produtos.

Os aparelhos de barbear foram inovadores desde a sua primeira versão, há mais de 60 anos. A contínua renovação do produto, que teve como marco o surgimento dos modelos descartáveis, continua até hoje com o recém-lançado Match III Turbo, nos EUA. O que mede os ganhos obtidos com tanta inovação é o mercado consumidor de 700 milhões de usuários de aparelhos Gillette em 200 países.

Agora, uma frase de Bill Gates em reunião com seus funcionários: "Precisamos deixar nossos produtos obsoletos antes que os concorrentes o façam."

Acredito que a menção desses dois empresários dispensa qualquer comentário adicional sobre a importância da criação de produtos inovadores no mercado.

Por Antonio Carlos Teixeira - www.pensediferente.com.br


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Você dirige olhando o retrovisor?

Se você dirigisse olhando a imagem do retrovisor, só conseguiria ver o que já passou. Na verdade, você dirige olhando para frente. É assim que você se precavê contra eventuais perigos ou imprevistos, que pode aproveitar as oportunidades para uma ultrapassagem segura ou para aumetar a velocidade.

Se você dirigir sua vida olhando para trás, onde chegará? É impossível criar o seu futuro ou de sua empresa mantendo os olhos no que já passou.

Nossa mente recebe novas informações por meio da percepção e compara-as com o que já está arquivado em sua memória (as experiências passadas) para checar se aquilo faz sentido. Usamos essas experiências como um mapa para dirigir nossos passos futuros. O pensamento criativo, porém, exige que pensemos em novas direções, fora daquilo que está arquivado em nossos padrões.

Antes de dizer seu próximo "Não", questione "por que não?"!

1.Permita-se pensar grande, sonhar enorme.

Quando éramos crianças, nossa criatividade rolava solta. Eu brincava de astronauta e me visualizava sentado numa nave interplanetária, fazendo manobras para assaturnizar (essa palavra é fruto da minha criatividade; eu a inventei fazendo uma anologia com o verbo aterrissar para que estava chegando a Saturno). Precisamos lubrificar as engrenagens de nossa máquina de pensar e colocá-la para funcionar o mais rápido possível.

2.Pense dez anos à frente.

Visualize onde você quer chegar. Visualize seus objetivos realizados. Então, imagine que hoje é o passado, é dez anos atrás. Veja onde você está pelo retrovisor.

3.Não julgue seus sonhos imediatamente.

Lembre-se de que, no passado, muitas idéias foram rotuladas como malucas e, algum tempo depois, transformaram-se em sucesso. O presidente da então empresa cinematográfica Warner, nos anos 50, disse o seguinte sobre a recém-inventada televisão: "Isso é uma bobagem. Quem vai ficar querendo ver atores dentro de uma caixa de madeira?".

Mais do que nunca, os executivos e profissionais precisam permitir-se encontrar novas maneiras de pensar, de visualizar desafios e oportunidades desde uma nova idéia até a inovação propriamente dita.
Nossa mente é flexível para entender e assimilar novos padrões, novas informações, novos conceitos, novas formas de fazer as coisas. Isso é flexibilidade, que nos permite usar o nosso potencial criativo para solucionar problemas ou inovar. Dirigir para o futuro é olhar para a frente na maior parte da viagem.

Por Antonio Carlos Teixeira - www.pensediferente.com.br

 

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A criatividade como provocação:

Enquanto continuam pensando que a criatividade é um dom pessoal, as empresas ignoram milhares de idéias que existem na cabeça de seus funcionários. Este é um dos "leit motiv" de Edward de Bono, o criador do pensamento lateral. Durante o seminário organizado pela HSM em Buenos Aires, o especialista deu algumas pistas para o futuro das corporações.

"Os três elementos-chave no futuro serão a criatividade, a competência e o capital", prognosticou. A eficiência e a solução de problemas não mais serão suficientes, na opinião do especialista, porque a linha econômica de base já não se mantém em constante crescimento, inclusive podendo diminuir; e cada vez existem mais pessoas que geram bens.

Muitas organizações operam sobre a base da manutenção e a solução de problemas. Incluir a criatividade nos negócios é uma tarefa mais complexa. Geralmente, se continua fazendo o mesmo de antes; e, ocasionalmente, a continuidade se interrompe por fusões, aquisições ou a cópia de idéias de terceiros. Hoje, criatividade, estratégia e conceitos fazem falta.

A criatividade no poder : Um tipo de criatividade é a que utilizamos quando sabemos "aonde vamos", mas queremos encontrar uma melhor forma de cumprir este objetivo: menos custos de um modo mais eficiente. Em resumo, procura-se melhorar. "No mundo ocidental, se considera melhoria a solução de problemas. Os japoneses, por exemplo, não só corrigem as coisas que estão erradas, mas também consideram aquelas que estão corretas para melhorá-las", explicou De Bono. Um exemplo desta prática é o da empresa Shell, em 1971, quando decidiu procurar uma forma diferente de extrair petróleo, mesmo que já o fizessem de uma forma eficiente. Assim, conseguiram triplicar o volume das extrações.

Também é necessária a criatividade ao analisar as informações. Às vezes, acreditamos que as informações "vão pensar por nós", mas não é assim. "Pensar é passar de uma configuração das informações para outra. No futuro, será essencial combinar a informação para gerar valor. Não é verdade que da simples análise das informações se obtenham idéias. O cérebro só pode ver o que está preparado para ver; por isso, é necessário que a idéia tenha sido gerada antes na mente. A informação sem a inclusão de possibilidades não gera idéias. A informação sem idéias é fraca", explicou o professor.

No mundo dos negócios, três elementos estão se transformando em commodities: competência, informação e tecnologia de ponta. A diferença - assinalou - está em como tomamos estes elementos para transformá-los em valor. Além de um certo ponto, a tecnologia não gera valor. A tecnologia pode transmitir conceitos de valor, mas não é, por si mesma, um valor. As empresas classificadas como "ponto.com" que vão a falência não fracassam por falta de tecnologia, mas porque a idéia comercial não era boa.

Uma dos motivos pelos quais a criatividade é necessária é que o mundo muda constantemente e apresenta novos desafios e ameaças. A criatividade pode ser empregada também para gerar um uso superior dos ativos.

A solução de problemas é outra das tarefas da criatividade

  • O método tradicional, neste caso, é a análise: averiguar a causa e solucionar o problema. Não se soluciona com mais análise, mas, em muitos casos, também faz falta o projeto.
  • A imaginação criativa pode nos ajudar a prever o futuro, indicando possibilidades.
  • Uma extrapolação em linha reta do passado a respeito do futuro não é suficiente. "A criatividade também é uma necessidade matemática. Qualquer sistema com um aporte de informação ao longo do tempo não será adequado".
  • Sem que exista o conhecimento completo do futuro, não existe forma de retroceder e corrigir", disse De Bono.

O mito do bom pensador : É um mito acreditar que, se você é inteligente, será um bom pensador. A relação entre inteligência e pensamento é potencial, como a existente entre a potência de um carro e a habilidade do motorista. Por si só, a inteligência não implica capacidade de raciocínio.

Muitas pessoas são pegas na armadilha da inteligência: ficam presas nas idéias pobres porque não podem defendê-las corretamente ou utilizam sua inteligência só para comprovar que os demais estão equivocados.

"Apesar de todo o investimento que se realiza na indústria de softwares para PCs, não se fez nenhum esforço para desenvolver softwares para a mente humana. Utilizamos o mesmo de 2.400 anos atrás", afirmou De Bono.

O pensamento do Renascimento permitiu à humanidade usar a lógica e a razão. Foi muito bem aceito pelos humanistas. Este passou a ser o software padrão na sociedade ocidental.

  • O grupo dos três, Sócrates, Platão e Aristóteles, foi responsável por nosso atual pensamento.
  • Outro pensamento que se transformou no software básico do pensamento ocidental está relacionado com a identificação de situações padrão; e quando as identificamos, sabemos o que fazer com uma resposta programada. De acordo com De Bono, esta é a base de 100% de nossa educação e 90% de nosso comportamento.
  • "Por outro lado, o pensamento criativo se ocupa do que pode ser, não do que é. Realmente, somos muito ruins nisto", reconheceu o afamado especialista.

Nosso tradicional hábito de discussão é ineficiente. Geralmente, uma parte pensa que ganhou da outra; o assunto não é explorado. O desenvolvimento do pensamento lateral realizado por De Bono ajuda a sair deste tipo de discussão. Trata-se de que todas as partes se focalizem em algum momento na mesma direção. Utilizam-se as metáforas e os símbolos.

Os seis chapéus: Na sua análise do pensamento, De Bono utiliza o conceito dos chapéus de distintas cores. Cada um destes representa uma das fases da inteligência.

  • O branco representa a informação: aquela a que temos acesso e aquela a que não, perguntas que queremos fazer.
  • O vermelho representa o fogo, sentimentos, intuição e emoções. Nos dá permissão para expressar sentimentos, emoções e intuições sem ter que justificá-los.
  • O preto é como a toga do juiz. Está relacionado com a cautela, a avaliação de risco e crítica. É o mais utilizado. O cérebro está muito acostumado a detectar a não correspondência. É excelente o preto, porém corremos o risco de usá-lo em excesso.
  • O chapéu amarelo é associado ao sol: otimismo, valores, como fazer que as coisas aconteçam. Não é natural para o cérebro. Temos dificuldades para perceber o valor. Sem a noção de valor, a criatividade é uma perda de tempo.
  • O verde é como a vegetação: simboliza o crescimento e a energia. É a criatividade. Todos devem fazer um esforço para serem criativos. Para procurar modificações, possibilidades. Estabelecer hipóteses é fundamental. Na tecnologia, a possibilidade é visão. Na educação, não se dá a atenção devida às hipóteses que são a base da ciência.
  • O azul simboliza o céu: é o controle da organização, dos processos e da supervisão.

"Quando utilizamos os seis chapéus, temos mais poder porque todos utilizam seu pensamento e inteligência na mesma direção e não discutem com os demais. A discussão é um sistema extremamente ineficiente. Com este método, todos olham o objetivo, não consideram o que outra pessoa falou ", afirma De Bono.

Além disso, esta técnica elimina a questão do ego, o problema mais importante relacionado ao pensamento. Com os chapéus, esta trava não existe. Se uma pessoa quer se vangloriar de si mesmo, não o faz ganhando uma discussão, mas o faz conseguindo um melhor desempenho com cada um dos chapéus.

Outro motivo para usar os chapéus é a separação. "Quando pensamos, fazemos tudo ao mesmo tempo. Com os chapéus, fazemos uma coisa por vez: sermos cuidadosos, intuitivos etc. Isso é melhor para otimizar o uso do cérebro, uma vez que o pré-sensibilizamos para cada uma das tarefas. Existe uma razão fisiológica", assegurou De Bono, remetendo aos seus estudos iniciais de medicina.

Dois tipos de usos para os chapéus

  • Uso único: o chapéu se transforma no símbolo de um tipo de pensamento. Utiliza-se em certo momento um chapéu, de acordo com a situação que o requer.
  • Uso seqüencial: estabelece-se uma seqüência de chapéus e se utiliza um por um. É melhor determinar a seqüência de antemão.
    Se bem que a ordem pode ser mudada de acordo com a situação, o consultor fez algumas considerações a respeito. É conveniente começar e terminar com o chapéu azul. Geralmente, é melhor empregar o amarelo antes do preto, ver os valores antes de se lançar à crítica. Depois disso, se emprega o verde para superar as dificuldades. Também é importante empregar o vermelho depois do preto, porque alguma idéia que não é aceitável pode nos agradar igualmente. No final, depois do chapéu azul, pode-se voltar a empregar o vermelho para ver se estamos de acordo com o processo.

Percepções erradas: De Bono também rebateu as percepções erradas acerca da criatividade e assegurou que não se trata de um privilegio de poucos, mas que todos têm a possibilidade de desenvolvê-la.

Algumas das falsas idéias que rebateu o pai do pensamento lateral:

  • A criatividade só tem a ver com a arte; se você um não é artista, não pode ser criativo. Porém, De Bono assegura que a arte é só uma parte da criatividade.
  • A criatividade é um talento que só alguns poucos têm. "Se não fazemos nada a respeito da criatividade, dependerá só do talento natural. Geralmente, diz-se que se você está inibido não pode ser criativo. Não é assim, estando desinibido também não consegue. É preciso se capacitar para aumentar o potencial", explicou o especialista.

Por muito tempo - assinalou De Bono -, tratou-se de compreender a criatividade em um universo de informação equivocado. Criatividade e informação funcionam em dois universos separados. O cérebro deve ser estimulado, sua excelência está em poder organizar as informações recebidas em padrões de rotina.

O humor é uma das atividades mais significativas do cérebro. Quando se trata de criatividade, vamos pelo caminho principal e, de alguma forma, nos movemos para o caminho lateral", explicou o especialista em inovação durante o seminário.

De acordo com o guru, cada idéia criativa sempre é lógica quando se olha retrospectivamente. A menos que compreendamos os sistemas de padrões assimétricos, não entenderemos a criatividade, já que ela consiste em organizar a informação neste tipo de padrões.

Como desenvolver o pensamento lateral:

1- DESAFIO: O desafio implica no abandono do enfoque usual, do modo habitual de se fazer as coisas. É uma atitude mental, uma disposição a questionar as coisas. A questão implícita é: Existe outra forma de se fazer as coisas?. Questiona-se através do "por que" a singularidade de um produto, por exemplo, as razões de suas características e se existe outras formas alternativas de fazê-las.

A idéia dominante, as fronteiras (sempre utilizamos fronteiras ao pensar, assegurou), as suposições ("Não se pode pensar sem elas, o pensamento é uma suposição que se apóia em outra e em outra. Mas podemos ser conscientes delas e desafiá-las", disse), os fatores essenciais e as tendências polarizantes.

2- ALTERNATIVAS: Esta técnica determina que por trás de toda alternativa, existe um conceito. O conceito brinda a flexibilidade, é uma parte-chave do pensamento. Este enfoque do pensamento lateral é como um efeito cascata. "Temos um objetivo, direções possíveis para abordá-lo; conceitos para cada direção e idéias para cada conceito. O aspecto específico é a idéia, o conceito é a raiz, e a direção é o caminho. Mas isso é considerado de trás para a frente: direção, conceito, idéias", explicou o guru. Um caso que ele explicou ao público foi o da falta de pessoal qualificado. Uma possível direção seria incrementar a produtividade do pessoal que temos, através da melhor utilização do tempo, fazendo com que se esforcem mais (concretamente, com horas extras ou incentivos). Outra direção possível é a de reduzir a necessidade de gente qualificada. Outras alternativas podem ser avaliadas.

3- PROVOCAÇÃO: É a forma mais poderosa do pensamento lateral. Significa colocar uma idéia intermediária distinta das demais. O pensamento sai do caminho tradicional para encontrar distintas alternativas, a fim de chegar a destino. Logo, visto em retrospectiva, o caminho alternativo resulta em ser completamente lógico. A técnica implica em passar de uma posição estável através de uma instável para outra estável. Às vezes, para chegar a uma posição, é melhor se locomover primeiro para outra, para chegar, então, a partir desta posição. "A provocação nos permite ser loucos, mas de uma forma controlada".

Existem duas etapas: preparar a provocação e utilizá-la. Para este segundo passo, trabalha-se com o movimento. "O movimento é um processo diferente da razão. Na razão, quando chegamos a uma idéia, se esta não é correta, a descartamos. A razão se ocupa do que é ou não é. Porém, o movimento se ocupa de aonde nos levam as coisas. Distintas formas de lograr o movimento:

  • Encontrar o conceito, princípio ou característica. Toma-se um conceito e se constrói uma idéia em torno dele.
  • Concentrar-se na diferença. Uma das frases "assassinas" das boas idéias seria: "É o mesmo que...". É uma armadilha, tendo em vista que, em última instância, caso se passe a um nível suficientemente amplo, todas as coisas são iguais.
  • Instante a instante. Ver a provocação em ação.
  • Ver os aspectos positivos. É quase como usar um chapéu amarelo. Utilizar aspecto o positivo e agregar valor.
  • Circunstâncias especiais. Significa detectar se, para uma provocação, existe uma circunstância particular que possa gerar mais valor.
  • "Podemos ter uma idéia não muito interessante e depois considerar um conceito a partir do qual possamos encontrar uma idéia que tenha valor. O movimento é a disposição de nos movermos para frente".

3.1-Fontes de provocação A provocação pode nascer de duas origens diferentes:

  • Surgimento: Surge de forma espontânea. Não procura deliberadamente ser uma provocação, mas é tratada como se fosse.
  • Deliberada: É uma forma sistemática e formal de demonstrar provocações.

Neste último grupo existem várias técnicas :

  • A fuga: Detecta-se algum aspecto que se dá por concluído, e depois é cancelado. Por exemplo: uma provocação pode ser pensar em um restaurante sem comida. A partir disso, se procura uma alternativa que gere uma nova idéia: por exemplo, um espaço onde as pessoas recebam um serviço completo de atendimento e utensílios necessários etc., e onde as pessoas levem sua comida, como se fosse em um piquenique.
  • Investimento: Outra das formas de conseguir a provocação consiste em raciocinar da forma oposta à lógica. Um tema poderia ser em vez de pensar como diminuir determinados componentes do cigarro (tabaco, alcatrão), tratar de imaginar como acrescentar, por exemplo, ar.
  • Exagerar: Tomar o nível habitual da medida e exagerar para mais ou para menos. Nas Olimpíadas de Los Angeles, conseguiu-se um grande impacto graças a esta técnica . Em vez de utilizar uma única tocha, como é habitual, utilizaram-se mil tochas.
  • Distorção: Mudança na relação. Em vez de ABC, ACB.
  • Desejo: São coisas que imaginamos. É menos automática que as outras.

O movimento é o mesmo, não importa qual seja a fonte da provocação. O pensamento lateral é uma ferramenta formal indispensável para se gerar, de forma deliberada, novas idéias. Na história, idéias poderosas muitas vezes foram desencadeadas por acontecimentos aparentemente aleatórios.

"Como fazemos para ter um ponto de partida sem escolhê-lo? Uma forma é procurar uma palavra ao acaso e evitar assim os mecanismos de rotina do cérebro. A preferência de padrões a partir da periferia é diferente da que temos a partir do centro. É assim como funciona a expressão "ao acaso".

Indo a partir da periferia, em um sistema de padrões, chegamos a caminhos distintos dos que podemos atingir a partir do centro.

Muitas pessoas acreditam que a criatividade é somente um brainstorming. "Também se pensa que é somente uma tarefa realizada em grupo. Porém, ele pode ser utilizado por uma só pessoa. Na Universidade de Wisconsin, foi comprovado que as pessoas criativas produzem mais sozinhas, para quem, nas organizações, a criatividade se resume em uma expectativa ou um risco.

Apesar da grande ênfase que é atribuída hoje à criatividade dentro das empresas, já não se dúvida de que seja uma vantagem competitiva; estar favorável a criatividade não é suficiente. A tarefa de todos é tarefa de ninguém.

A criatividade no tempo: E xistem dois tipos de criatividade.

  • A Cotidiana se refere à disposição natural para procurar alternativas e questionar as coisas.
  • A Específica, por outro lado, implica um desejo explícito de criar. Existem dois tipos de enfoque. Pode-se enfocar o propósito ou finalidade: ou seja, um objetivo direto para resolver um problema. Também se pode enfocar a área. Não existe uma finalidade específica, define-se a área na qual se deseja gerar idéias. Sem nos focalizarmos nas áreas, geralmente tendemos a pensar somente nos problemas. Com outro enfoque, podemos pensar em qualquer coisa. Ele é mais amplo. O enfoque na finalidade sempre fica dentro do pensamento existente".

Enfim é difícil propor idéias sem pensar nos problemas. As necessidades criativas não existem até que as fazemos existir. As organizações devem ter uma lista de necessidades criativas. Não mais de um terço dela devem se constituir de problemas. É uma forma prática de incorporar a criatividade na organização.”

Fonte: Matéria publicada na HSManagement- www.intermanagers.com.br

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Omissão de socorro. Empresa de ônibus paga por não socorrer estudante.

A Auto Ônibus Florimar terá de indenizar uma passageira atingida por uma pedra quando estava dentro do ônibus. A pedra foi atirada por torcedores que saíam do Mineirão depois do jogo entre Cruzeiro e Atlético. A decisão é da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Cabe recurso.

Segundo os autos, a passageira, que voltava do exame de vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais, sofreu fratura e afundamento do maxilar, com perda dos dentes superiores, fratura da mandíbula e deslocamento do “céu da boca”. Apesar do quadro grave, o motorista, ao em lugar de prestar socorro, abriu a porta do veículo e determinou que a estudante descesse.

A estudante passou por várias cirurgias, ficou com a aparência comprometida, interrompeu os estudos e não pôde sair às ruas para evitar infecções. A previsão é que o seu tratamento dure ainda três anos. Ela ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais contra a empresa de ônibus com o argumento de que houve omissão de socorro do motorista e negligência da empresa.

A empresa tentou se esquivar da responsabilidade, explicando que acidentes dessa natureza são imprevisíveis e inevitáveis. Os desembargadores Antônio Sérvulo (relator), José Flávio de Almeida e Nilo Lacerda observaram que o transportador tem o dever de zelar pela integridade física dos transportados.

Para o TJ mineiro, “as empresas que exploram a atividade de transporte coletivo têm responsabilidade objetiva em relação aos danos sofridos pelo passageiro, independentemente de culpa”. Os desembargadores condenaram a empresa a pagar R$ 5 mil por danos morais à estudante e R$ 1.513,58 por danos materiais.
Processo 1.0024.04.405595-2/001.

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2005

 

 


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Serviço essencial. Hospital não pode ter serviço de telefonia suspenso.

Hospital não pode ter serviço de telefonia suspenso, em razão da prevalência do interesse público. Nos casos de inadimplência, a concessionária deve cobrar judicialmente a dívida. O entendimento é da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os desembargadores determinaram que a Telemar Norte Leste não corte a linha da Fundação Assistencial Viçosense.

No processo, o hospital alegou que, por dificuldades financeiras, deixou de pagar as faturas da conta de telefone dos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Por isso, a Telemar cortou o serviço. Em abril, a 28ª Vara Cível de Belo Horizonte acolheu pedido de liminar, determinando que a concessionária mantivesse os serviços até decisão final do caso.

A concessionária recorreu ao Tribunal de Justiça. Os desembargadores Afrânio Vilela (relator), Duarte de Paula e Maurício Barros confirmaram a decisão de primeira instância.

Segundo o relator, “o interesse público é superior à pretensão econômica da concessionária, que tem à sua disposição medidas eficazes para receber o que lhe é devido, principalmente quando o inadimplente é hospital, cujos rendimentos advêm essencialmente do Sistema Único de Saúde”.

“A interrupção dos serviços telefônicos em face do hospital e suas atividades gera, sem dúvida, situação incontornável aos direitos dos cidadãos que necessitam daquele serviço, que se socorrem naquele hospital”, concluiu o desembargador.

Processo 2.0000.00.510920-0/000

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2005.

 


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Combinado é combinado. Candidatos do PMDB terão de indenizar mulher por uso indevido de imagem.

 

O prefeito de Goiânia, Íris Rezende, e o senador licenciado Maguito Vilela, ambos do PMDB, terão de pagar indenização de R$ 20 mil a uma moradora da capital de Goiás. Cleide Oliveira ingressou na Justiça com ação de indenização contra os políticos, para receber reparação pelos danos morais e materiais em razão do uso de sua imagem em outdoors da campanha eleitoral de 1998 .

A Terceira Turma do STJ, por unanimidade, não admitiu o recurso especial apresentado pelos políticos contestando a condenação de primeira instância, confirmada pelo TJ/GO, que julgou procedente o pedido apenas para indenizar pelos danos morais, a serem pagos solidariamente por Íris Rezende e Maguito Vilela.

Em julho de 1998, Cleide Maria contou ter aceitado ser fotografada no interior do "Centro Social Dona Gercina", onde recebia cesta básica, porque foi informada de que se trataria de uma divulgação interna dos serviços prestados pela entidade a pessoas doentes e carentes.

No entanto, meses depois, Cleide Maria tomou conhecimento por terceiros de que sua fotografia estava sendo exibida em vários locais de Goiânia em outdoors de propaganda eleitoral de Íris Rezende, então candidato ao governo do Estado de Goiás, e Maguito Vilela, que concorria a uma vaga no Senado Federal.

Cleide Maria argumentou que a divulgação de sua imagem ofendeu sua moral, porque não queria que sua condição de pessoa carente fosse publicada de forma tão intensa e, muito menos, que sua pessoa fosse vista como eleitora de um ou de outro candidato

Os políticos tiveram negada a argüição de que não seriam parte legítima para figurar na ação, já que os candidatos, assim como os partidos políticos, são solidariamente responsáveis pelas despesas de campanha eleitoral e, dessa forma, pelo pagamento de indenizações a elas relacionadas. Também não foi aceito o pedido para que a empresa Stylus Comunicação e Marketing fosse denunciada à lide (quando a parte invoca um terceiro para figurar na ação).

Logo após a sentença, a apelação dos políticos foi atendida, permitindo produção de provas, contudo nova sentença confirmou a condenação. Apelando novamente ao TJ/GO, tanto a autora quanto os réus tiveram os pedidos negadas. Para os desembargadores, a publicação não autorizada de fotografia em outdoor para fim eleitoral, quando ela foi cedida para divulgação de trabalhos de instituição beneficente, caracteriza flagrante violação do direito de imagem.

Inconformados, os políticos recorreram ao STJ, insistindo que seriam parte ilegítima na demanda, cabendo ao partido a responsabilidade, e que tampouco ocorrera dano moral. Íris Rezende ainda argumentou ter sofrido cerceamento de defesa porque foi indeferido o pedido de remarcação da audiência de instrução e julgamento.

O cerceamento de defesa diria respeito à juntada de petição contendo o rol de testemunhas somente no dia da audiência, segundo o então candidato, por culpa exclusiva do cartório, o que teria impossibilitado de obter a expedição da guia de locomoção e recolher as custas de diligência. Para a relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, presidente da Terceira Turma, o fato não serve como justificativa para Íris Resende ter deixado de efetuar a antecipação das despesas, já que ele foi intimado a fazê-lo quase dois meses antes, na audiência de conciliação.

Quanto à legitimidade passiva, a ministra Nancy Andrighi ratificou entendimento do TJ/GO de que a reparação dos danos sofridos será respondida pelo ofensor e, solidariamente, pelo partido. Essa posição já foi reconhecida, inclusive, pelo Tribunal Superior Eleitoral em julgados para aplicação de multa por propaganda eleitoral irregular.

No que diz respeito à ocorrência do dano moral em si, os recorrentes alegaram violação da Constituição Federal, análise que não pode ser feita em sede de recurso especial. Também o argumento de existirem decisões judiciais diferentes da que os levou à condenação (dissídio jurisprudencial) não foi considerado pela ministra Nancy Andrighi. As partes não compararam o acórdão do TJ/GO com os julgados apresentados e apenas transcreveram suas ementas, o que não é suficiente para comprovar o dissídio. Os ministros Humberto Gomes de Barros, Ari Pargendler e Carlos Alberto Menezes Direito acompanharam a relatora.

Fonte: www.migalhas.com.br

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Revista em funcionários da Vasp por suspeita de furto não causa dano moral. É o que diz o STJ.

Funcionários da Vasp que foram totalmente despidos durante uma revista policial na sala VIP da empresa no Aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, não têm direito a indenização por dano moral.
A Terceira Turma do STJ, por unanimidade, não admitiu recurso especial que pretendia rever decisão de segunda instância, a qual considerou indevida qualquer indenização aos funcionários pelo ocorrido.
Parte do dinheiro desaparecido da bagagem de um passageiro italiano foi encontrada na bota de borracha de um dos funcionários, que estava guardada no armário de outro. Dos 1.100 dólares, 350.000 libras e 50 francos reclamados pelo passageiro, foram localizados 400 dólares, 100.000 libras e os 50 francos.
O acórdão do TJ/ES entendeu que o pedido de apuração do crime de furto ocorrido na bagagem do passageiro configurava o exercício regular de direito da Vasp. Por isso, não caracteriza dano moral a investigação feita pela Polícia Civil quanto aos funcionários responsáveis pelo carregamento das bagagens no dia dos fatos.
Os autores do recurso especial no STJ argumentaram, entre outras alegações, que a conduta da empresa configura dano moral, na medida em que permitiu que os funcionários, em suas dependências, sofressem constrangimento, sendo revistados totalmente despidos. Também a gerência da Vasp teria, com isso, acusado os funcionários de furto, fato que foi levado ao conhecimento do público porque acabou publicado em jornal de grande circulação.
Para o relator do recurso, ministro Humberto Gomes de Barros, o TJ/ES acertou ao afirmar que o acionamento da investigação policial para averiguação de furto não configura dano moral, conforme entendimento consolidado nas Terceira e Quarta Turmas. Já a conduta da polícia junto aos funcionários não pode ser imputada à Vasp. O ministro relator ainda destacou o fato de parte do valor furtado ter sido encontrada em condições de se suspeitar da autoria por parte de funcionários da empresa, o que afasta a eventual má-fé na imputação do crime.

Fonte: www.migalhas.com.br

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